quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PROPÓSITO DA "GOLDEN SHARE"


O Governo português resolveu utilizar a "golden share" que o Estado tem na PT, para impedir a compra da participação que a empresa tem na brasileira Vivo, por parte da Telefónica, apesar de a maioria dos accionistas se ter pronunciado a favor da venda.
Sobre os argumentos e os interesses das partes, outros se pronunciarão, com maior propriedade do que eu, sendo que a Telefónica anunciou o alargamento do prazo da sua oferta para o dia 16 de Julho, porquanto aguarda uma decisão comunitária sobre a legalidade da utilização dos direitos que referida "golden share" confere ao Estado, que deverá ser conhecida no próximo dia 8.
Independentemente de qualquer juízo de valor sobre a posição assumida pelo Governo, parece-me relevante que se suscitem algumas questões, que aqui passo a elencar, de modo a evitar conclusões precipitadas. A saber:
- A posição assumida pelo Governo resulta, ou não, do facto de considerar que está em causa a defesa dos interesses do Estado português?
- Será legítimo que um accionista, que conhecia a existência da "golden share" no momento da aquisição das acções, conteste a posição assumida pelo Governo, com o argumento de que essa posição não serve os seus interesses?
- Será razoável pedir a um Governo que abdique da utilização dos direitos que lhe confere uma "golden share", com a justificação de que prejudica o interesse dos restantes accionistas?
- Não será que uma "golden share" se destina a preservar aquilo que o Governo considera serem os superiores interesses do Estado, em situações em que a maioria dos accionistas tem um entendimento contrário?
A resposta a estas simples perguntas, sendo que muito mais se poderiam colocar, deverá ser suficiente para contextualizarmos a situação que se está a viver na PT e a legitimidade, ou não, das posições assumidas por cada um dos intervenientes.
Independentemente da bondade e rendibilidade do negócio, para cada uma das partes envolvidas.
Questão completamente diferente, ainda que da maior relevância, é a de sabermos qual a posição da Comunidade Europeia perante a existência de uma "golden share", mas esse é um outro tema e um outro debate.
Enquanto a "golden share" existir, apenas importa saber da razoabilidade, ou não, da utilização, pelo Governo, dos direitos que esta confere ao Estado.
Que me perdoem os interessados mas, em meu entender, todos os argumentos e debates que extravasem estas questões básicas, podem ser da maior relevância, mas não têm nada a ver com a essência do tema.

CARTA ABERTA A CARLOS QUEIROZ



Meu Caro Carlos Queiroz

Decerto que não levará a mal esta minha ousadia, mas senti que lhe devia dirigir esta carta.
Como amante do futebol, acredito que a popularidade do jogo reside no facto de ser simples e compreensível por todos, permitindo uma total identificação dos adeptos com a problemática que o envolve, servindo de justificação para a existência de tantos programas desportivos, tantos jornais, tantos comentadores e tantos treinadores e seleccionadores de bancada.
É na dupla qualidade de adepto e português que me permito dirigir-lhe esta carta, que não tem como objectivo chorar sobre leite derramado, mas apenas sugerir uma forma diferente de encarar o futuro.
Faço-o agora, depois de Portugal ter sido eliminado, com justiça, pela Espanha, quando você deixou de ser o “bestial” em que se tornara, após a vitória sobre a Coreia do Norte, para voltar a ser a “besta” que tinha sido, até ao jogo com a Costa do Marfim, porque considero importante que se analise, desapaixonadamente, o que correu mal. Não para desancar quem quer que seja, mas para que possam ser efectuadas as alterações que se tiverem por necessárias.
Você sabe que voltou à “mó de baixo”, se é que alguma vez de lá saiu, relativamente à opinião de muitos portugueses que gostam de futebol, mas não creio que isso possa constituir motivo de espanto para si, homem habituado a estas coisas e conhecedor da nossa propensão para passarmos, num ápice, do estado de euforia à depressão e vice-versa, pelo que acredito que dispensa solidariedades bacocas.
Confesso-lhe que aprecio o seu trabalho, que já aqui defendi por diversas vezes, e acredito na sua capacidade para pensar, organizar e renovar as estruturas do futebol nacional, o que me levou a saudar o seu regresso à Federação Portuguesa de Futebol e me leva, agora, a desejar a sua continuidade.
Não que eu considere brilhantes os resultados desportivos que conseguiu, mas porque entendo que o nosso futebol não pode prescindir dos conhecimentos e da capacidade de organização de que você já deu provas.
Por isso defendo a sua continuação como responsável pela organização de todo o futebol nacional, nos seus mais diferentes aspectos, sem as funções executivas relacionadas com o cargo de treinador.
Digamos que você faria as vezes do nosso saudoso Manuel da Luz Afonso, embora com funções mais abrangentes, tendo a seu lado uma figura como a do não menos saudoso Otto Glória, a quem competiria treinar e dirigir a selecção nacional, sénior, supervisionando o treino das restantes.
E se defendo esta opção é porque entendo que a sua continuidade ao serviço das selecções não pode estar dependente dos resultados dos jogos, sem negar que me desagrada a sua opção por um modelo de jogo que privilegia demasiado os aspectos defensivos, mesmo perante adversários de valia manifestamente inferior, desperdiçando o talento e a magia de alguns dos nossos jogadores, em particular de Cristiano Ronaldo.
Acreditei que, depois da exibição conseguida, na segunda parte do jogo, contra a Coreia do Norte, você iria optar por um modelo menos fechado e tentaria lutar pela conquista do primeiro lugar no grupo. Mas mesmo quando o não fez, admiti que apenas estivesse a resguardar alguns jogadores, para poder atacar a segunda fase da competição com uma estratégia mais ousada.
Puro engano, da minha parte, porquanto você estava, de facto, a aproveitar um jogo cujo resultado era indiferente, em termos de apuramento, para testar a organização defensiva para a eliminatória com a Espanha, como se veio a comprovar.
Sem discutir a bondade das suas opções, em matéria de jogadores utilizados, parece-me claro que você apenas se preocupou em jogar à defesa, com as consequências que todos conhecemos.
Responder-me-à que, se tivéssemos ganho ninguém discutiria o carácter demasiado defensivo do futebol praticado e eu não poderei deixar de estar de acordo consigo.
Acontece que, no futebol, como na vida, são os resultados que contam e se encarregam de justificar, ou não, a bondade das estratégias adoptadas, como foi demonstrado pelo ultra defensivo Inter, de José Mourinho, no jogo em que eliminou o Barcelona, na Liga dos Campeões.
Mas parece-me inegável que Portugal saiu do Mundial sem glória e com o estigma de ser uma selecção demasiado defensiva e calculista, apesar da criatividade de muitos dos seus jogadores, que não apenas Cristiano Ronaldo.
Cristiano Ronaldo que terminaria o Mundial debaixo de duras críticas, por acção e omissão, e acabaria por ser, também, uma vítima de um esquema táctico que não contribuiu para que pudesse expressar todas as suas qualidades futebolísticas.
Não penso que seja da exclusiva responsabilidade do jogador a sua decepcionante actuação e lamento dizer que, se alguma conclusão pode ser retirada desta sua participação, é que ainda não reúne as condições necessárias para poder capitanear a selecção nacional.
Admito que a participação de Portugal possa ser considerada honrosa, tendo em conta que apenas sofremos um golo e fomos eliminados pelo campeão europeu em título, mas terá de concordar que o modelo de jogo adoptado não prestigiou o futebol português.
Facto que não pode, nem deve, ser utilizado para pôr em causa as suas, inegáveis, qualidades, enquanto responsável pelas selecções nacionais, e muito menos para ignorar tudo o que de bom foi feito, como já começaram a fazer muito dos seus críticos.
Parece-me claro que é preciso reavaliar o modelo organizativo em que assenta o nosso futebol e efectuar as alterações que se revelem necessárias, mas não acredito que os actuais dirigentes federativos tenham capacidade para liderar esse processo.
Por isso e porque o considero um homem de bom senso, capaz de fazer uma auto-crítica, atrevi-me a escrever-lhe esta carta, para lhe sugerir que aceite o desafio de diagnosticar e promover as mudanças estruturais necessárias, proponha a redução das funções que lhe estão atribuídas e entregue o cargo de treinador a alguém de reconhecida competência, para que possamos vir a dar do futebol português uma imagem diferente daquela a que ficámos associados, neste Campeonato do Mundo.
Reconheço que não é um assunto fácil, mas acredito, atentas as suas qualidades intelectuais e humanas, que não deixará de reflectir sobre a bondade desta minha sugestão.

Aceite os cordiais cumprimentos, deste seu admirador

Rui Mascarenhas Santos

terça-feira, 29 de junho de 2010

AINDA A FIFA E A VERDADE DESPORTIVA



Pela actualidade e importância do tema, não resisto a reproduzir um artigo, que considero brilhante, publicado pelo jornalista brasileiro José Antunes de Souza, na página da Universidade Do Futebol, na internet.

A opaca sociedade do futebol

Pede-se aos órgãos dirigentes um sentido de responsabilidade histórica ao futebol, substituindo a teimosa percepção insular da realidade deste novo mundo

José Antunes de Sousa*

Em Portugal, um jornalista lançou uma iniciativa de uma petição pública a favor da introdução no futebol do contributo das novas tecnologias, como meios supletivos de prova, visando a salvaguarda da verdade desportiva, petição que foi já entregue, com assinalável mediatismo, na Assembleia da República.
Embora seja duvidoso este pretendido casamento entre a verdade desportiva e as instâncias políticas, uma vez que os órgãos supremos do Futebol e os órgãos do Estado, justamente porque os anima mais que tudo o desígnio da conservação do poder, manifestam indisfarçável desconforto face a um qualquer escrutínio – popular ou electrónico – fica, mesmo assim, o sinal claro de um significativo levantamento nacional contra a obstinação conservadora da Fifa.
Ainda há dias, na sequência de uma importante reunião em Zurique dos membros do Internacional Board da Fifa, o secretário-geral deste organismo, Jerome Valcke, declarava, do alto de uma anacrônica sobranceria: “a tecnologia não deve entrar no jogo” (porque é, se calhar, muito o que está em jogo, digo eu!), acrescentando de seguida, com comovente convicção, que o futebol deve ser preservado como “um jogo humano”. Nem mais.
Mas é precisamente porque, como Terêncio, “nada do que é humano me é indiferente”, que acuso esta contundência fifeira de inumanidade (mais que desumanidade), porque nada nega mais flagrantemente essa pretensa humanidade do que a injustiça – ainda por cima praticada pelos próprios homens.
Vejamos como é tortuoso o desígnio da Fifa e hipócrita a sua teimosia: o que torna o espectáculo futebolístico um evento de inigualável impressividade junto de multidões e de massas não é o erro grosseiro do árbitro validando o gol de uma bola empurrada com a mão ou não validando um outro que poderia ser decisivo de uma bola que transpôs, mais de um metro, a linha de baliza – não. Isso o que faz é incendiar gratuita e desnecessariamente os ânimos de quem assim se rebela contra injustiça tão impunemente contra eles praticada. Isto é, ao contrário do que afirma, em tom piedoso o Senhor Valcke, tão flagrante e inqualificável atitude o que faz exactamente é desumanizar o futebol, como desumanizantes foram até hoje todas as prepotências e ditaduras da história.
A transbordante emoção que electriza as gentes do futebol provém do padrão gestual do próprio jogo e da enorme margem de imprevisibilidade, acaso e capricho que o caracteriza – e esta, além, de suficiente, é a única fonte genuína e legítima de emoção a que as pessoas boamente se dispõem e entregam.
Perante esta evidência, suspeita se nos torna esta obstinada resistência da Fifa ao papel adjuntivo e subsidiário das novas tecnologias no jogo de futebol. Se, com efeito, tão veementemente resiste ao que parece ser um bem então talvez isso seja o sinal de que com essas tecnologias no futebol algo de muito importante poderá a Fifa perder. É, aliás, clássico: a resistência à mudança resulta sobretudo do medo de perder privilégios e poder. De fato, se as novas tecnologias o que visam é apenas uma maior garantia da verdade desportiva, o que será que de mais importante do que isso pode a Fifa vir a perder? Só se for um ínvio e secreto desígnio de a essa verdade desportiva poder condicionar ou manipular. É como se a componente judicial, numa espécie de corporativa aliança entre organismos dirigentes e árbitros de campo, quisessem guardar à viva força para si uma franja discricionária de poder.
É sabido que o futebol moderno, enquanto indústria poderosíssima, se impõe como subsistema do capitalismo. E bem sabemos também como o sistema capitalista se alimenta de uma racionalidade que visa a conquista, a dominação, o poder. À moderna razão, enquanto expressão de poder, convém alimentar-se das emoções que massificam e uniformizam comportamentos susceptíveis de uma fácil exploração, mas reservando para si o espaço arbitrário de decisão – que é a forma de servir uma estratégia de auto-perpetuação. Ora, é esta razão, que impõe uma razão que se não pode contestar, que, visando o poder, se sobrepõe, por via autocrática, à genuína emoção e ludicidade que caracterizam o código genético deste fantástico jogo que é o futebol. Porque a emoção ou é endógena e, nessa medida, o futebol é uma atividade realmente humana, ou ela é exógena, provocada e induzida por factores estranhos ao jogo propriamente dito e, nesse caso, essa emoção é revolta, raiva, ressentimento – tudo fatores que ajudam a destruir o que supostamente se quer acautelar, o futebol.
Eis o que, na sequência da Copa do Mundo de 1990, escrevia a socióloga Zillah Branco: “então será o descontrolo total das populações que são condenadas a meros espectadores de decisões arbitrárias. Que os poderosos, inclusive a Fifa, assumam as suas responsabilidades, porque não é com polícia que se faz justiça social quando o abuso de poder é lei consagrada” (Jornal A Bola,5 de Agosto de 1990). E um pouco mais acima, em inspirado desabafo que espelha, com fidelidade, a reação do torcedor anônimo, escrevia aquela cientista social: “o outro aspecto elucidativo do uso do poder é a transferência da sacralização das regras do jogo para a figura do árbitro. Em campo ele é todo-poderoso, não há autoridade que esteja acima dele, nem de Presidentes, nem de Reis, nem de Deus. Os olhos e o coração de milhões, talvez de biliões de pessoas, estão voltados para ele à espera da sua sentença. Mas o que mais impressiona é o exercício ditatorial do poder que lhe é permitido. O jogador não pode discordar, não pode manifestar a sua dúvida. Ele levanta o cartão amarelo ou vermelho com a mesma soberania de grande imperador que condena inapelavelmente à morte quem ousou contrariá-lo” (Ibidem).
Parece haver, pois, como que uma organização piramidal, feita de uma tácita corporação em torno de um poder absoluto. A Fifa, para preservar esse poder, que se quer incontestável, vê no árbitro no terreno de jogo um seu aliado, quando não um seu comissário – o árbitro como a iconização ao vivo desse mesmo poder.
Daí ainda a lógica discricionária da avaliação e promoção dos árbitros que, assim, mantêm com a estrutura que os gera e gere uma relação dócil e servil, pois é da natureza de um qualquer chefe nomeado reverenciar quem o designa e espezinhar quem o serve (neste caso, os jogadores e demais intervenientes no jogo). É o que, em psicologia social e das organizações, se costuma designar por “efeito ciclista”: salamaleques para cima com a cabeça encurvada e pisadelas com os pés nos pedais para baixo.
Se quer a Fifa que seja humano o futebol, por que razão não acolhe no seu seio, por analogia com o sistema judiciário, a possibilidade de uma instância garantística que, com maior fiabilidade, favoreça o acerto na decisão? Quem se pode sentir diminuído com isso? O que será mais importante, o respeito pelo esforço dos atletas ou o ego envaidecido de um senhor que julga ter na ponta do apito a força suficiente para provocar um tornado global? A que aproveita, pois, esta opacidade sistêmica?
É que o poder supletivo de confirmação e apelo que os meios tecnológicos inegavelmente representariam instituir-se-ia em rival do atual poder das instâncias deliberativas da Fifa e da Uefa cuja glória de detentoras da última palavra se toldaria e, de alguma maneira, se dissiparia, pelo menos, em boa parte. Com a prova na hora da justeza da decisão tomada, grande parte de conflitos e suspeições seriam atalhados com evidentes benefícios para todos os intervenientes – exceto para os inefáveis juízes de Nyon ou Zurique que quase ficariam à beira do desemprego.
Que é preciso evitar que o futebol seja descaracterizado? Sem dúvida. Mas isso consegue-se evitando a banalização que adviria de um recurso por tudo e por nada aos novos meios tecnológicos. Que, mesmo assim, esse processo implica interrupções de jogo? Sim, nada, porém, que se compare às atuais paragens provocadas por zangas entre jogadores, lesões simuladas e discussões com a equipa de arbitragem. De resto, parar para corrigir e retificar é incomparavelmente mais humano e desportivo (“fair-play”) do que, depois de uma demorada sarrafusca entre jogadores e árbitros, se persistir num erro de bandeira que subvertesse irreparavelmente a verdade do desfecho do jogo.
Ao contrário do que alguns possam pensar, esta tentativa obstinada de manter a todo o custo uma zona límbica e baça de auto-empoderamento oligárquico, em vez de preservar o futebol da ameaça degenerativa, aumenta o “ruído” no interior do sistema, agravando e acelerando perigosamente a sua entropia.
Dir-se-ia mesmo que esta anacrônica oclusão aos ventos diáfanos de uma maior justiça desportiva está a entupir os canais da auto-regeneração da estrutura do futebol, ameaçando-a de cancro que a pode destruir de vez.
O que se pede neste momento aos organismos que superintendem o fenômeno do futebol é um sentido de responsabilidade histórica, ou seja, a sensata leitura dos sinais dos tempos, em vez desta teimosa percepção insular da realidade deste nosso novo mundo.


*José Antunes de Souza é jornalista e autor do livro "Desporto em flagrante"

COMER E COÇAR...



Diz o ditado português que "mais vale tarde do que nunca", mas talvez o mais apropriado para definir o que acaba de se passar seja "depois de casa roubada, trancas à porta".
O modo como a França se apurou para a fase final deste Campeonato do Mundo deveria ter sido suficiente para obrigar a FIFA a uma reflexão, de forma a prevenir erros, grosseiros, de arbitragem.
Mas assim não sucedeu, tendo a entidade que controla o futebol mundial preferido, uma vez mais, continuar a ignorar a realidade.
Afinal, do outro lado estava a Irlanda, país pequeno e economicamente menos importante, nesta coisa dos negócios do futebol...
Só que o Mundial começou e dois clamorosos erros de arbitragem ajudaram a afastar as selecções da Inglaterra e do México, dos quartos-de-final da competição, facto a que a FIFA já não poderia ficar indiferente, ou não estivessem envolvidas duas selecções de países com poder, efectivo, no mundo do futebol.
E a reacção não se fez esperar, tendo nós ficado a saber, agora, que o presidente, Joseph Blatter, pediu desculpa aos dois países, em nome da FIFA, e já admite reabrir o dossier da tecnologia.
Tomo a liberdade de transcrever as suas declarações, tal com são citadas na página da ESPN-Brasil,(http://espnbrasil.terra.com.br/copadomundofifa):

"É óbvio que depois da experiência nesta Copa do Mundo até agora seria algo sem-noção não reabrir a questão da tecnologia no encontro da FA Board (conselho que dita as regras do esporte) em julho. Pessoalmente, eu lamento quando você vê claros erros de arbitragem, mas isso não é o fim de uma competição ou do futebol, isso pode acontecer", disse Blatter.
"Ontem eu falei com as duas federações diretamente interessadas pelos erros da arbitragem, Inglaterra e México. Eu expressei a eles desculpas e entendo que eles não estejam felizes e que as pessoas estão criticando. Nós naturalmente levaremos em conta no conselho a discussão sobre tecnologia e teremos essa primeira oportunidade em julho na reunião", continuou.
"Isso aconteceu em 1966 e então 44 anos depois - embora não sido a mesma situação. Eu peço desculpas a Inglaterra e México. Os ingleses agradeceram e aceitaram que você pode vencer e perder, e os mexicanos acenaram com suas cabeças e aceitaram", revelou.
O presidente da Fifa, porém, explicou que o único caso que será discutido é o uso da eletrônica na linha do gol, e não se houve impedimento em algum lance.
"A única base que nós vamos trazer de volta para discussão é a tecnologia da linha do gol. Futebol é um jogo que nunca para, e se no momento houver uma discussão se a bola estava dentro ou fora, ou se era uma oportunidade clara de clara, nós damos uma possibilidade para uma equipe chamar por replays uma ou duas vezes, como no tênis? Para situações como no jogo do México, você não precisa de tecnologia".

Apesar das gralhas no último parágrafo, que reproduzo por questões de fidelidade, resulta claro que, para Blatter e a organização que representa, a preocupação não é a de melhorar a verdade desportiva, mas apenas corrigir erros demasiado grosseiros, como a invalidação de um golo, com a bola a ultrapassar, em mais de um metro, a linha de baliza.
Ou o presidente da FIFA e eu não vemos os mesmos jogos, ou justificar a não introdução do recurso ás novas tecnologias com o facto de o futebol ser "um jogo que nunca pára", só poderia dar mesmo para rir, se não se tratasse de assunto sério.
Quanto tempo útil tem um jogo de futebol? Quanto do tempo desperdiçado se deve a simulações de lesões e à entrada em campo de maqueiros que, à sua chegada, se revelam dispensáveis? Quanto tempo demoraria ao quarto árbitro rever, numa televisão, uma situação de fora-de-jogo clamoroso, como sucedeu no jogo do México, e a transmiti-la ao árbitro?
As justificações da FIFA para evitar a introdução de mecanismos que assegurem o respeito pela verdade desportiva, no futebol, não passam de desculpas de mau pagador, preferindo deixar aos homens do apito a responsabilidade por erros que demorariam segundos a corrigir. Vá lá saber-se porquê...
De todo o modo é inegável que estamos perante um avanço, no sentido do respeito pela verdade desportiva, pelo que tenho a esperança de que, também nesta matéria, se venha a justificar a aplicação, num futuro próximo, de um outro ditado português, segundo o qual "Comer e coçar, o pior é começar...".

A EUFORIA PODE ESTAR PARA DURAR...


Logo, pelas 19:30, terá lugar mais um duelo ibérico, desta vez para decidir quem passa aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de Futebol, o qual, não sendo tão importante, do ponto de vista económico, como o que está a travar-se nas telecomunicações, pelo controlo da brasileira Vivo, será particularmente relevante para acentuar, ou não, o clima depressivo em que o país se encontra mergulhado.
Na sua edição de hoje, o jornal Público oferece-nos um texto de Bruno Prata, intitulado "Raios X a uma Espanha campeã mas também fatalista e propensa a passar num ápice da euforia à depressão", no qual o jornalista se refere a controvérsia quanto à táctica utilizada por Del Bosque e faz uma análise sectorial da selecção espanhola, cuja introdução poderia, com as devidas adaptações, ser aplicável a Portugal e à nossa selecção.
Também nós, portugueses, sempre tivemos, como diz Bruno Prata, "uma relação fatalista com a selecção", que parecia ter terminado com o segundo lugar obtido no Europeu 2004, mas se reacendeu com a chegada de Carlos Queirós. E, tal como os espanhóis, temos essa terrível propensão para passarmos, "num ápice, da euforia à depressão".
Aliás, digo eu, os portugueses são mestres, em matéria de rápida passagem de um estado ao outro, no futebol como na política, ou na economia.
Assim como em Espanha se faz, tal como o artigo refere, uma "obsessiva comparação com a equipa de Luís Aragonês", que foi campeã da Europa, em Portugal pratica-se exercício semelhante relativamente à equipa de Scolari, não sendo de estranhar que, em caso de eliminação, se reacenda a polémica em torno das escolhas do seleccionador nacional, das lesões de Nani e Deco, da opção por Pepe, ou das polémicas e pouco profissionais declarações do mesmo Deco. Ou muito me engano, ou tudo isso estará de regresso em caso de derrota no jogo de hoje...
E é por isso que, antes do jogo de logo à noite, quero reafirmar que confio na selecção nacional, no trabalho de Carlos Queirós e considero muito importante a sua manutenção como responsável das selecções nacionais, mesmo que sejamos eliminados pela Espanha.
A selecção nacional já cumpriu a sua obrigação, ao conseguir o apuramento para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo, e uma derrota perante os actuais campeões da Europa nunca poderá ser encarada como uma tragédia e muito menos servir de desculpa para se pôr em causa o excelente trabalho de renovação que tem vindo a ser desenvolvido.
Acredito que Portugal pode eliminar a Espanha, o que faria um bem enorme ao nosso ego e ajudaria a Federação a equilibrar as suas contas, mas se tal não acontecer, resta-me torcer para que seja o Brasil o campeão e desfrutar os jogos que ainda faltam.
A nossa selecção já cumpriu o seu dever, mas acredito que, deste lado da fronteira, a euforia está para durar...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ARBITRAGEM: A QUEM APROVEITA O ERRO ?



O meu falecido pai, antigo árbitro de futebol, não acharia muita graça a este meu artigo e muito menos ao "cartoon" escolhido para o ilustrar.
Em minha casa, quando se discutiam erros de arbitragem, o meu pai sempre os justificou com as dificuldades inerentes à aplicação das leis do jogo e quaisquer sugestões, da nossa parte, no sentido da deliberada perversão da verdade desportiva, eram severa e prontamente rejeitadas.
Seguramente que esse terá sido o motivo para eu recusar, desde muito jovem, associar os erros de arbitragem a possíveis casos de corrupção, sendo certo que, nas últimas décadas, com a transformação do futebol numa das principais indústrias mundiais e os escândalos que se foram conhecendo, por esse mundo fora, a minha confiança na imparcialidade dos árbitros viria a ser, seriamente, abalada.
A confiança nos árbitros e nas instituições que tutelam o futebol, porquanto ao avolumar dos erros, quotidianamente expostos nos meios de comunicação social, não têm correspondido iniciativas, sérias, no sentido de os minimizar, ou evitar.
Sendo o golo o principal objectivo a atingir, durante o jogo, e havendo tecnologia disponível para certificar, sem margem para dúvidas, se a bola ultrapassa, ou não, totalmente, a linha de baliza, que motivos levarão a FIFA a impedir a sua utilização?
E se os árbitros são os principais atingidos por erros que, sendo humanos, são facilmente evitáveis, porque motivo não vêm a público exigir a aplicação dessas tecnologias, até para defesa da sua honorabilidade?
E quando existe tanto dinheiro em jogo, porque não assumem os Clubes e as Federações uma posição mais veemente, face às organizações que gerem o futebol, no sentido da utilização das tecnologias que impeçam os erros de arbitragem grosseiros?
Lembro-me de um amigo, infelizmente falecido, já lá vão alguns anos, a propósito de uma conversa sobre questões de justiça, ter chamado a minha atenção para o facto de ser necessário, para percebermos algumas situações, aparentemente incompreensíveis, que tentemos identificar os seus principais beneficiários.
Dizia-me ele: "segue esse princípio, rapaz, e tu verás que aquilo que é aparentemente incompreensível, passa a fazer todo o sentido, com base numa determinada lógica...".
Depois da não validação do golo da Inglaterra, e da validação do primeiro golo da Argentina, dois enormes erros de arbitragem, nos jogos de ontem, do Campeonato do Mundo, lembrei-me das palavras desse meu amigo.
E com base nessa lógica, só consigo encontrar um motivo para que, apesar da sucessão de erros, grosseiros, a FIFA, as Federações, os Árbitros e os Clubes, façam tão pouco, ou quase nada, no sentido de alterar o actual estado de coisas:
No final, tudo pesado e avaliado, são sempre as maiores Federações e os maiores Clubes quem mais beneficia com esses erros e todos sabemos que é nas suas mãos que reside o poder para acabar com este tipo de situações.
E é por isso que, não só não consigo indignar-me com o que se passou, como acredito que só uma elevada frequência de situações escandalosas, nos jogos entre os mais fortes e poderosos, poderá contribuir para que a FIFA se digne aceitar a introdução de novas tecnologias no futebol.
E se eu, que adoro futebol e pugno pela verdade desportiva, tiver uma pontinha de razão que seja, só posso saudar os erros de arbitragem ocorridos no jogo entre a Inglaterra e a Alemanha, dois poderosos do futebol mundial.
É que, como dizia o meu amigo, "só quando o sistema deixa de servir os mais poderosos é que pode haver alguma esperança de mudança"...

sábado, 26 de junho de 2010

AGORA, É A DOER



Terminada a fase de grupos, do Mundial de Futebol 2010, as grandes surpresas, pela negativa, foram as selecções da França e da Itália, obrigadas a regressar a casa bem mais cedo do que os seus adeptos esperariam.
Decepcionante foi, também, a prestação das equipas africanas, de quem se esperava bastante mais, neste primeiro Mundial realizado em solo africano.
Pela positiva, merece destaque a qualidade do futebol praticado pelas equipas da América do Sul, sendo de realçar as prestações da Argentina, a meu ver a principal favorita à conquista do título.
Bem, também, o Brasil, sempre candidato a ganhar as competições em que participa, praticando um futebol com menos magia e maior rigor táctico, perdendo em beleza o que ganha em eficácia.
Portugal cumpriu o primeiro dos seus objectivos, ao conseguir o apuramento para a fase seguinte.
Globalmente, a selecção tem estado bem, com o senão de alguma falta de ambição no jogo com a Costa do Marfim, e os críticos de Carlos Queiroz terão de reconhecer que o seleccionador nacional merece um crédito de confiança, face aos resultados conseguidos...
Note-se que, Portugal terminou a fase de grupos com a defesa menos batida e o ataque mais concretizador deste Mundial, uma proeza que ninguém anteciparia.
Seja como for, com início dos jogos a eliminar, tudo será diferente e existem motivos para acreditarmos que a selecção nacional pode vencer a Espanha e passar aos quartos-de-final. Aguardemos...
Para muitos, o verdadeiro Mundial começa agora, com a continuação em prova a decidir-se num único jogo, pelo que as equipas serão obrigadas a mostrar tudo aquilo de que são capazes.
A partir de agora, é a doer...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A CLASSE DE UM EMBAIXADOR



É com o maior orgulho que passo a transcrever o texto publicado pelo Embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, no seu blogue, que dispensa comentários.
Aqui deixo um abraço para um bom amigo e ímpar representante da diplomacia portuguesa.



Carta ao Mathis

Olá, Mathis

Soube há pouco, por um jornal, que não te deixaram entrar na escola, aqui em França, porque levavas vestida a camisola da seleção portuguesa. Os teus pais, ao que parece, ficaram aborrecidos com isso.

Queria dizer-te que não deves ficar preocupado com o que aconteceu. Pelos vistos, o objetivo da direção da tua escola foi evitar a possibilidade de outros meninos, de várias nacionalidades - a começar pelos franceses -, poderem meter-se contigo e criar alguma confusão. Se calhar, na tua escola, há meninos da Coreia do Norte...

É muito bom que tenhas sentido orgulho em usar a nossa camisola. A França é o país onde vives mas, como se viu, Portugal é o país que trazes no teu coração. É aqui que, provavelmente, irás fazer a tua vida, no futuro, mas isso não te torna menos português. A França é uma terra onde há muita gente que veio de outros países, como de Portugal, à procura de oportunidades para trabalhar. A França deu-lhes essa possibilidade e os portugueses retribuíram com o seu esforço, com a sua seriedade e a sua honestidade, para a riqueza da sociedade francesa. E aqui estão, também em sua casa. Ninguém deve nada a ninguém. E tu és a melhor prova do sucesso da integração dos portugueses em França, com a tua mãe francesa e o teu pai luso-descendente.

Os portugueses que aqui vivem devem ser sempre leais para com a França que os acolhe, da mesma maneira que a França tem de aceitar que tu, tal como os outros meninos que se sintam ligados a Portugal, possam mostrar isso, nas ruas ou nas camisolas. Pode discutir-se se a escola é o lugar mais indicado para andar com as camisolas da nossa seleção, mas, aos teus amigos de cá, deves lembrar que foi a Revolução Francesa, aquela que está na bela "La Marseillaise", que ensinou o mundo a lutar pela liberdade, a defender a igualdade entre todos e a demonstrar a nossa fraternidade perante os outros.

Para ti, caro Mathis, quero deixar-te um abraço bem lusitano e um convite para, um destes dias, vires, com os teus pais, visitar a Embaixada. E também espero que, qualquer que seja o resultado que a seleção portuguesa venha a ter no Mundial, tragas vestida a camisola das quinas. É que nós, os portugueses, temos por tradição ser muito orgulhosos do nosso país, tanto nos bons como nos maus momentos.

Francisco Seixas da Costa

Em tempo: leiam também o que o Tintin no Tibete escreveu.
Postado por Francisco Seixas da Costa às 15:45
http://duas-ou-tres.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de junho de 2010

QUE PAÍS É ESTE ?



"Magistrado constituiu o primeiro-ministro como arguido sem dar conhecimento superior e arrisca, no mínimo, um processo disciplinar. Caso foi, agora, para o Supremo.
A decisão apanhou de surpresa toda a cadeia de comando do Ministério Público: o primeiro-ministro ia ser constituído arguido, e nem a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, nem o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, tinham sido "tidos ou achados". A iniciativa partiu de um procurador da 12.ª secção do DIAP de Lisboa que, agora, arrisca um processo disciplinar."(...).
A transcrição, acima, é da notícia do DN TV&MEDIA de hoje.
Leio o artigo e apenas me ocorre uma pergunta:
Que País é este ?
Salvo melhor opinião, face a tudo o que se tem passado, recentemente, parece legítimo que se coloque a dúvida quanto ás reais motivações de alguns dos nossos magistrados, parecendo evidente que algumas das suas decisões são orientadas por motivos políticos. E, a ser assim, estamos perante situações de extrema gravidade.
Bem sei que os portugueses são um povo acomodado e que, com o tempo, acabamos por aceitar tudo, incluindo o facto de uma parte da nossa Justiça, representada por um Sindicato que não tem qualquer razão de existir, assumir posições parciais e corporativas.
Só que, nos casos que têm envolvido o primeiro-ministro português, com efeitos devastadores na imagem de José Sócrates, é muito difícil, por parte de qualquer observador isento, saber onde começa a política e termina a justiça, ou vice-versa, situação que, para além de inaceitável, corrói a base do Estado de Direito.
E como tudo isto me parece surreal, termino como comecei, com uma simples pergunta:
Que País é este?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PELA VERDADE DESPORTIVA



Leio a entrevista concedida por Djamel Zidane, jogador da selecção argelina nos Mundiais de 1982 e 1986, a Rui Miguel Tovar, publicada na última página da edição de hoje do jornal i.
Djamel lembra como, em 1982, a Argélia foi afastada, na fase de grupos, com duas vitórias, após a combinação de um resultado, entre as selecções da RFA e da Áustria.
Essa vergonha terá estado na origem da alteração introduzida pela FIFA, no sentido de que os jogos da terceira jornada da fase de grupos passassem a ter lugar no mesmo dia e à mesma hora.
E não resisti a lembrar o jogo de ontem, entre o México e o Uruguai, que terminou com a vitória deste último por 1-0.
O empate garantia a qualificação das duas selecções e foram muitas as vozes que sugeriram a possibilidade de existir um acordo tácito, para garantir a passagem de ambas à fase seguinte, o que viria a ser, prontamente, negado por ambos.
A lógica subjacente ao raciocínio trapaceiro era evidente e estou certo de que, a essas insinuações, não terá sido indiferente o facto de se tratarem de duas selecções da América Latina, havendo até quem tenha dito que se tratava de um "jogo de compadres"...
Mas Uruguai e México encarregaram-se de demonstrar que estavam ali para lutar pela qualificação, com particular destaque para a selecção uruguaia, cuja qualificação estava garantida, no respeito pela verdade desportiva, e prestaram um enorme serviço ao futebol.
Ao futebol e à América Latina, comprovando que o menor desenvolvimento económico não significa menor respeito pela Verdade, como muita gente do chamado primeiro mundo, pretende, frequentemente, fazer crer...

terça-feira, 22 de junho de 2010

O SONHO COMANDA A VIDA





O Verão começou, ontem, quando passavam 28 minutos do meio-dia, em Portugal Continental.
Quase simultâneamente, na Cidade do Cabo, na África do Sul, Portugal iniciava o seu segundo jogo, da fase de grupos, com a Coreia do Norte, o qual acabaria por vencer por 7-0, sob uma chuva torrencial.
Em África, Portugal executava a sua "Serenata à Chuva", com os jogadores lusos num bailado digno de Gene Kelly, que nem os 38 graus de febre impediram de continuar a participar nas filmagens, nessa imortal obra cinematográfica.


Por esse mundo fora, os adeptos portugueses viviam o seu "Sonho de Uma Noite de Verão", qual peça de Shakespeare, ao som da brilhante composição musical de Mendelssohn, com o mesmo nome.
E até os mais cépticos acabariam por se render à exibição da equipa nacional, sem que tivesse sido necessária a intervenção do duende Puck, para que se consumasse o casamento entre os portugueses e a sua selecção, e se apaziguasse a ira dos críticos.
Agora, uma vez ultrapassada a fase de grupos, é tempo de lembrarmos Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, de pseudónimo António Gedeão, e o seu poema Pedra Filosofal, continuando a sonhar com a possibilidade de uma excelente participação da selecção nacional neste Mundial de Futebol 2010.
Como nos disse Gedeão, "sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança", e a selecção nacional merece que sonhemos em conjunto.
Afinal, "O Sonho Comanda a Vida"...

E A ESPERANÇA RENASCEU...



Portugal acaba de conseguir o seu resultado mais volumoso de sempre, numa fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, ao vencer a Coreia do Norte por 7-0.
Depois da decepção e do desânimo, face ao empate com a Costa do Marfim, os adeptos portugueses estão, agora, em estado de euforia.
Nós somos assim mesmo. Ou oito, ou oitenta. Não há nada a fazer...
Carlos Queiróz, o seleccionador nacional, passou de besta a bestial e até as polémicas em torno do ambiente que se vivia na selecção, desapareceram, como que por encanto.
As controvérsias em torno do que se passou com Nani e Deco evaporaram-se e a atribuição do prémio de melhor jogador em campo, a Tiago, por parte de Cristiano Ronaldo, veio dissipar dúvidas quanto ao espírito que se vive entre os jogadores.
E até o golo de Ronaldo, estranho e divertido, contribuiu para abrilhantar um jogo memorável, como já tinha sido aquele de 1966, com o Rei Eusébio a dar o aval ao seu sucessor.
Estou feliz por Queiróz, que considero um treinador competente e um excelente profissional e gostava de lembrar que Portugal tem, agora, o melhor ataque e a defesa menos batida deste Mundial.
Não sei até onde poderá chegar a nossa selecção e apenas posso desejar que chegue o mais longe possível, mas, aconteça o que acontecer, este grupo já fez história e demonstrou que é bem melhor do que antecipavam os habituais profetas da desgraça.
Agora, que venha o Brasil...

domingo, 20 de junho de 2010

SOBRELEVAR O ELOGIO E ESCONDER A POLÉMICA...




Não eram amigos, nem se conheciam, esclareceu o Presidente da República, para justificar a sua ausência no funeral do escritor. Mas a presidência emitiu uma nota oficial, homenageando a sua obra e Cavaco fez-se representar pelos seus chefes das Casas, Civil e Militar.
Devo dizer, embora não seja politicamente correcto, que concordo com Cavaco Silva.
Desta vez, ao contrário do que sucedeu com a questão do casamento "gay", o Presidente resolveu assumir uma posição condizente com o que pensa e sente, mesmo sabendo que se sujeitaria às críticas de diversos sectores da sociedade, incluindo alguns que não suportavam Saramago, em vida.
E não penso que o Presidente tenha resolvido não estar presente no funeral por razões eleitorais, como alguns deram a entender, pois acredito que a sua presença seria, dessa perspectiva, mais compensadora.
E a esse respeito, vale a pena ler o Editorial do jornal Público de hoje, que passo a citar:
"Nos momentos de homenagem e despedida, o costume tende a sobrelevar o elogio e a esconder a polémica. José Saramago esteve muitas vezes do lado errado da História, perfilhou ideologias e sistemas políticos pouco condizentes com a humanidade da sua obra, apoiou ditadores, nem sempre agiu em favor da liberdade, envolveu-se em polémicas gratuitas e cultivou de si a imagem de alguém que subalternizou a tolerância."(...)
O Editorial continua, para considerar que o "dever do Presidente é esquecer querelas do passado" e "associar-se às cerimónias".
É uma opinião, que, naturalmente, respeito, mas que merece a minha discordância.
Se a obra de Saramago merece ser enaltecida e homenageada, como fez o Presidente, através de uma nota oficial, o seu comportamento, em vida, esteve longe de respeitar muitos dos mais elementares princípios democráticos...
E é por isso que eu, que não sou cavaquista, considero que o Presidente fez bem, ao ser coerente e não ceder à hipocrisia do velho costume português, segundo o qual "nos momentos de homenagem e despedida", tendemos a "sobrelevar o elogio e a esconder a polémica".

EM NOME DA BRONQUITE...



Nos dias que correm, em que o tabaco se tornou a causa de todos os males, vale a pena lembrar uma anedota, que remonta a 1934:

O actor Epifânio Gonçalves padecia de uma bronquite.
Uma noite, aparece-lhe no camarim o médico do teatro. O artista, ao vê-lo, exclama:
-Ora ainda bem que por cá aparece! A minha bronquite não me larga. O que hei-de fazer?
-É fácil, respondeu o médico. Vamos lá tratar disso. Começo por lhe tirar o vinho, o café, os licores, o tabaco...
-Não diga mais, interrompe Epifânio. O doutor tira-me tudo e deixa-me ficar a bronquite!

Já naquele tempo os médicos entendiam que o melhor era as pessoas morrerem cheias de saúde...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MORREU SARAMAGO



Morreu José Saramago, polémico escritor e jornalista português, galardoado com o Prémio Nobel de Literatura, em 1998.
Ribatejano, ateu, comunista e iberista, residia em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
O seu difícil relacionamento com a Igreja Católica acentua-se com a publicação do seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1991, para se agravar, ainda mais, no ano passado, com a publicação de "Caim", que suscitou enorme indignação entre a comunidade católica.
Não sei se amado por muitos, mas, seguramente, odiado por bastantes, estou certo que ganhou, com a sua morte, o direito a palavras de elogio e admiração por parte de quem menos esperaria...
Mas nós, portugueses, somos assim mesmo, e nada como o finamento para transformar o que antes era incompreensão e ódio, como lhe chamou Saramago, em compreensão e, pasme-se, até admiração.
No calor da polémica, chegou mesmo a haver quem lhe sugerisse que abdicasse da nacionalidade portuguesa, coisa que o escritor nunca admitiu, embora fosse um declarado defensor da integração de Portugal na Espanha...
Nunca simpatizei com os seus escritos, confesso, mas esse é problema meu, já que só o seu inegável mérito, aos olhos da Academia Sueca, pode ter justificado a atribuição do Nobel.
Também devo reconhecer que tenho dificuldade em esquecer a sua actuação e comportamento, nos anos do PREC, (período revolucionáio em curso), enquanto director do Diário de Notícias, mas isso talvez se deva ao facto de eu nunca ter sido comunista, nem ter andado lá próximo...
Apesar disso, a verdade é que, por bons, ou maus, motivos, contribuiu para a divulgação e melhor conhecimento de Portugal e da literatura portuguesa, além fronteiras, e isso, algo de que a maioria de nós não se pode gabar, merece a minha admiração e respeito.
Assim sendo, espero que possa, agora, descansar em paz, que foi coisa que ele sempre recusou, em vida, aos seus opositores...

O EMAIL DO NOSSO DESCONTENTAMENTO



Acabara de comprar a edição de hoje do jornal i e de apreciar a linda camisola da selecção nacional, que a acompanhava, a qual, ou muito me engano, acabará nas mãos do meu filho, como sucedeu com todas as anteriores, que lhe agradaram...
Partindo para a leitura do jornal vejo, em parangonas, que o Luxemburgo investiga um email xenófobo, contra os emigrantes portugueses.
Avanço, de imediato, para a página 23, onde surge o desenvolvimento da notícia, já que esta coisa da discriminação dos emigrantes fere, profundamente, a minha sensibilidade, tanto mais que fui emigrante durante largos anos.
Basicamente, o email sob investigação apela a uma reflexão dos luxemburgueses quanto ao que aconteceria se emigrassem para o Paquistão, o Afeganistão, o Iraque, a Nigéria, a Turquia, ou Portugal, sem se preocuparem com o cumprimento dos requisitos legais e exigissem tratamento igual ao dos nacionais, em matéria de saúde e educação, e a tradução de toda a documentação oficial para a sua língua. O email termina dizendo:
"Acima de tudo, conserve a sua identidade. Pendure uma bandeira do seu país na janela".
Curiosamente, em entrevista ao deputado do partido "Verdes", Camille Gira, ficamos a saber que o email terá tido origem na Alemanha, sem Portugal incluído, e que só no Luxemburgo é que alguém se lembrou de acrescentar o nosso país, o que torna "o conteúdo da segunda mensagem muito grave".
Segundo o mesmo Camille Gira, "a pessoa que fez circular a mensagem no Luxemburgo é da direcção da polícia", pelo que se apressou a apresentar um requerimento, dirigido ao Ministro do Interior, expressando a sua indignação.
Curiosa, também, é a opinião do cônsul português, José Rosa, quando afirma "Não estou a dizer que deve haver discriminação contra esses países, mas incluir Portugal no grupo de nigerianos, paquistaneses e afegãos...", acrescentando que não pensa tomar qualquer atitude, no imediato.
Na verdade, não fora o facto de Portugal e os portugueses estarem incluídos e o dito cônsul, embora discordando, até nem acharia tão anormal semelhante comportamento. Tal como o deputado Gira, que liga, explicitamente, a gravidade do email ao facto de ter passado a incluir os portugueses. Um comportamento que de "giro" não tem nada...
Para os que não sabem, a principal comunidade imigrante no Luxemburgo é a portuguesa, com cerca de 100.000 pessoas, no total dos menos de 500.000 que habitam o pequeno Grão-Ducado, representando cerca de 20% da população.
Só que isso não lhes dá, ou deveria dar, direito a um tratamento diferente, com exclusão do que resulta do facto de ambos os países integrarem a União Europeia, daquele que é dado aos emigrantes nigerianos, paquistaneses, ou afegãos, digo eu.
Iraquianos, turcos, nigerianos, portugueses, pretos, brancos, amarelos, muçulmanos, católicos ou budistas, todos são, ou deveriam ser, credores do maior respeito, quer por parte dos governos, quer por parte dos nativos, nos países onde vivem. No estrito respeito, como é óbvio, pelas leis desses países.
E se essa deve ser uma exigência universal, é meu entendimento que os países onde a emigração tem sido, através dos tempos, uma alternativa para quem busca uma vida melhor, como sucede com Portugal, têm particulares responsabilidades na defesa dos direitos dessas comunidades.
Sem dúvida que o email é um insultuoso, xenófobo, racista, mas já o era na origem, pelo que a inclusão dos portugueses, entre os visados, em nada alterou a sua essência.
A indignação da comunidade lusa no Luxemburgo é natural e compreende-se o relevo dado pela comunicação social portuguesa, mas será bom não esquecermos as outras comunidades e o tratamento discriminatório de que são alvo.
E é nestes momentos que deveremos aproveitar para verberarmos todos os comportamentos discriminatórios para com as comunidades emigrantes e reflectirmos quanto ao que deveremos fazer para garantirmos, a todos os que escolheram Portugal como país de acolhimento, o pleno respeito pelos seus direitos e a sua completa integração social.

LA LAKERS AGAIN



Os LA Lakers acabam de se sagrar campeões da NBA, pelo segundo ano consecutivo, face aos seus maiores rivais de sempre, os Boston Celtics, conquistando a sua 16ª vitória na NBA.
Kobe Bryant, tal como no ano passado, foi eleito o MVP do torneio e conquistou o seu 5º título de campeão.
Na minha qualidade de fã dos Lakers, direi apenas que valeu a pena estar acordado estas madrugadas, para poder assistir a tão brilhante desfecho, aproveitando para dar os parabéns à SPORT.TV pela qualidade da cobertura e, em particular, dos seus comentadores.
Well done Lakers ! Champions Again !

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PIADA DE BRASILEIRO



Piada de português, no Brasil, é coisa que deve ter uns 500 anos, digo eu.
Agora, que a maioria dos brasileiros parece já ter entendido que nem todos os portugueses têm bigode, que são raras as portuguesas que deixam crescer os pelos das pernas e que nem todos somos padeiros, ou merceeiros, as piadas de português continuam a existir, naturalmente, embora mais sofisticadas.
E eu, como português, até acho graça, confesso, pois uma boa piada é sempre isso mesmo, quer envolva portugueses, espanhóis, franceses, ou brasileiros.
Contrariamente ao que muitos brasileiros podem pensar, não existem muitas piadas de brasileiro em Portugal, nem parecem ter existido, a fazer fé no escasso número de piadas que constam da compilação "Anedotas-contribuição para um estudo" efectuada por A. Machado Guerreiro, em 1986.
Das quatro anedotas sobre brasileiros que constam do livro, não resisto a reproduzir uma delas, que se ouvia em Lisboa, em 1946, numa vingançazinha para com os meus amigos brasileiros.

Num cemitério brasileiro havia este epitáfio:
«Aqui jaz Francisco Alma Boa, que, tendo sabido que havia uma fuga de gás pela qual estavam pessoas em perigo, foi ao local e se quis certificar. Chegou em casa, acendeu um fósforo, e havia mesmo».

SÃO CALOS...



Um destes dias, em mais um esforço para arrumar as pilhas de livros que se espalham pela casa, esforço sempre inacabado, deparei-me com um exemplar do livro "Anedotas-contribuição para um estudo", da autoria de A. Machado Guerreiro, editado pala Editorial Império, em 1986.
Trata-se de uma herança do meu saudoso pai, da maior utilidade em momentos de crise e depressão, como aquele que atravessa a sociedade portuguesa.
Afinal, digo eu, rir é sempre o melhor remédio.
E para os que procuram conhecer, através da leitura da palma da mão, o seu destino, aqui reproduzo uma anedota, que me parece adequada.

Cigana:
-Vejo na palma da sua mão, uma vida cheia de altos e baixos.
Cliente:
-Não ligue, isso são os calos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CONSELHOS COMUNITÁRIOS...



Portugal aprovou medidas de austeridade que representam "o progresso adequado, no sentido de corrigir o deficit excessivo", visando o objectivo de atingir o numero mágico de 3% até 2013. Quem o diz é a Comissão Europeia, pela boca do já tristemente célebre comissário Olli Rehn, o tal que se esqueceu de fazer a diferença entre as situações económicas de Espanha e Portugal e da necessidade de reformas no regime de Segurança Social...
Acrescentou, no entanto, que o Orçamento Geral do Estado, de Portugal, para 2011, deverá conter medidas de austeridade adicionais que permitam a redução do deficit para 4,6% do PIB.
E pediu a especificação dessas medidas, como se até agora e com excepção da derrapagem ocorrida, face à crise internacional que a todos afectou, Portugal não tivesse sido um dos países que mais se esforçou para atingir o tal número mágico dos 3%.
Devo dizer que me irrita a sobranceria do comissário Rehn, mesmo sabendo que se trata apenas de um porta-voz da Comissão, um digno representante da forma desastrada como a União Europeia tem lidado com o problema da dívida dos países que a integram.
Cada economista sua sentença e perante opiniões tão diversas, de economistas tão distintos e reputados, sobre o modo de resolver o problema, não me atrevo, sequer, a opinar sobre as medidas a adoptar.
Mas o que ninguém me explica e eu gostava muito de perceber, é o modo como se chegou a esse número mágico de 3% e qual o critério científico que conduziu à sua determinação.
Se, em vez dos 3%, fossem 4%, qual era o problema? E as consequências?
E porquê esta necessidade de fazer o ajustamento até 2013? Até 2015 não dava? Quais as consequências, num caso e no outro?
A aplicação de medidas recessivas, excessivas, numa conjuntura económica desfavorável, não poderá conduzir à morte do doente, que se pretende, supostamente, curar?
O argumento da defesa do Euro e da sua cotação, dificilmente pode ser utilizado como justificação, pois o seu enfraquecimento favorece as exportações europeias e convém lembrar que o Euro já valeu cerca de 85 cêntimos do dólar, sem que tenha ocorrido qualquer desastre...
É certo que existem, neste momento, dificuldades para alguns Estados se financiarem nos mercados internacionais, mas a União Europeia teve as maiores responsabilidades no agravar da actual crise financeira, por omissão e transmissão aos mercados dos sinais errados...
A crise financeira estendeu-se, como seria natural, aos sistemas bancários dos países mais fragilizados, sendo que os bancos portugueses e espanhóis sentem sérias dificuldades para se refinanciarem no mercado interbancário.
Os seus congéneres europeus preferem colocar o seu dinheiro nos Bancos Centrais, a facultar-lhes o financiamento de que necessitam.
Enquanto isso, o Banco Central Europeu lá vai disponibilizando alguns fundos, mas exigindo a entrega de títulos como colateral desses empréstimos.
A avaliar pelas notícias que chegam de Bruxelas, sob o comando do eixo franco-alemão, a solução poderá passar por um governo económico Comunitário, tão do agrado do presidente Sarkosy mas que não tem merecido o apoio da chanceler Merkel. E como não podia deixar de ser, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu disputam, entre si, o controlo desse novo "governo".
A verdade é que, até que se encontre uma adequada solução para o problema, não se entende porque motivo a Caixa Geral de Depósitos não surge a financiar-se junto do Banco Central Europeu, com a garantia do Estado Português, assegurando aos restantes bancos portugueses a liquidez necessária ao seu normal funcionamento, assim aliviando a pressão a que se encontram sujeitos, com as consequências que se conhecem.
E se do ponto de vista económico e financeiro a coisa está preta, temos de reconhecer que a política e os políticos europeus não têm dado um bom contributo para que esta crise seja ultrapassada, rapidamente...

O MUNDIAL 2010



Terminada a primeira ronda do Mundial de Futebol 2010, não existem motivos para celebrar a qualidade do futebol praticado.
Das selecções consideradas favoritas, apenas a Alemanha ganhou de forma categórica, embora contra uma selecção que, se fosse vivo, o meu avô Chico apelidaria de "nabos de Navarone"...
Espanha e Inglaterra foram, a meu ver, as principais decepções e se querem ser candidatas ao título terão de produzir futebol de muito melhor qualidade.
À primeira vista, não há "papões", com as sempre favoritas Argentina e o Brasil a terem exibições discretas, embora ganhando os respectivos jogos, como lhes competia.
Discreta foi também a exibição de Portugal, à qual faltou garra, ousadia e espírito de sacrifício, apesar da elevada qualidade da selecção da Costa do Marfim, que surpreendeu pela organização, coisa rara nas equipas africanas.
Naturalmente que eu torço para que Portugal e Brasil possam passar à fase seguinte e com a derrota da selecção espanhola, ficar em segundo lugar no grupo até pode nem ser assim tão mau.
Mas a Portugal pede-se mais garra e ousadia, nas próximas partidas, e ao Brasil que ganhe o próximo jogo, sem sofrer golos.
Aguardemos...

sábado, 12 de junho de 2010

PORTUGAL, A CEE E O DIA DOS NAMORADOS



Passou um quarto de século desde que Portugal aderiu à CEE, que depois veio a tornar-se Comunidade Europeia.
Pelo caminho caiu o E, de Económica, supostamente porque a Comunidade passaria a ter um âmbito mais abrangente, o que veio a suceder, embora ainda haja quem critique o facto de, face à inexistência de uma visão económica comum e aproveitando o primado da política, se ter entregue ao tempo a resolução das contradições existentes.
O certo é que o C acabaria por dar lugar ao U e a Comunidade passou a designar-se União Europeia...
Curiosamente, neste mesmo dia, no Brasil, celebra-se o dia dos namorados, que também já foi comemorado nesta data em Portugal, mas acabaria por ser transferido para o dia 14 de Fevereiro. Deve ter sido para ficar mais próximo do Carnaval, digo eu, que esta coisa de namorar pede é muita festa e boa disposição.
Ora sucede que foi há 25 anos que Portugal pôs fim a um longo período de namoro com a CEE, culminando num ansiado matrimónio. Ansiado, da nossa parte, claro está, porque esta coisa de os ricos admitirem os pobrezinhos no seu seio tem sempre muito que se lhe diga...
Mas concentremo-nos no matrimónio, cujo aniversário hoje celebramos.
O noivo, pobre, embora honrado e com antepassados gloriosos, acabara por cair na penúria, perdidas as ricas propriedades e fontes de rendimento que possuía no estrangeiro...
Ela, de boas famílias, da melhor estirpe europeia, acumulava fortuna proveniente das mais diversas origens, passeando a sua riqueza e influência pelos melhores salões mundiais.
Não foi um namoro fácil, até porque os pais da noiva insistiam em colocar o noivo em pé de igualdade com um fidalgo espanhol, rico e poderoso, que também manifestara a pretensão de integrar a família, o que acabaria por acontecer.
Mas lá casaram, jurando amor e fidelidade, apesar dos insistentes rumores sobre a instabilidade emocional da noiva, mais propensa a venalidades do que ás razões do coração...
Os pais da noiva, fazendo jus ao ditado popular de que "mais vale prevenir do que remediar", insistiram num casamento com separação total de bens, como veio a suceder, alegando que o generoso dote da sua filha era mais do que suficiente para garantir uma desafogada vida em comum e que o noivo, se quisesse chegar ao seu nível, teria que fazer pela vida.
Tudo corria ás mil maravilhas, no início, como é frequente nos casamentos, com a mulher a presentear, generosamente, o marido e a facilitar-lhe a ascensão social.
Um fundosinho perdido aqui, um subsidiosinho acolá, tudo na maior das harmonias e a bem da felicidade do casal.
O marido, por sua vez, vivia encantado, desfrutando do convívio da melhor sociedade da época e trajando as melhores indumentárias, graças à generosa contribuição do dote da mulher, pouco fazendo para aumentar os seus rendimentos.
Só que, como tantas vezes sucede nos casamentos, ultrapassado o encantamento inicial, começaram a vir ao de cima as dificuldades da vida em comum, passando cada um dos membros do casal a detectar, no outro, defeitos até aí desconhecidos, ou simplesmente ignorados.
Nos casamentos comuns, é a questão da pasta de dentes, que ele aperta no lugar errado, da tampa da sanita, que ele nunca levanta antes de urinar, daquele ronco nocturno, que antes lembrava a Ode à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven, e depois se tornou num insuportável grunhido, a ponto de obrigar a esposa a dormir na sala.
Já nas uniões que envolvem as elites, como foi o caso, é frequente serem os gastos excessivos, o incumprimento das regras de etiqueta, o acentuar das diferenças de educação, ou as infidelidades, a estarem na origem das primeiras brigas.
O resto é coisa de pobre...
Claro que toda a regra tem excepção, mas afirmam amigos íntimos que, a partir dos finais da década de 90, a esposa começou a dar-se a intimidades com um primo americano, um liberal com grande ascendente sobre o seu agregado familiar, ao mesmo tempo que agraciava com alguns favores uns fidalgos, de origem prussiana, acabados de entrar na família.
O agregado familiar da esposa, entretanto, engrandecia e enriquecia a olhos vistos, beneficiando do derrube dos muros existentes nas suas propriedades, acelerando a globalização dos seus negócios.
Mas não paravam de chamar a atenção da esposa para os gastos excessivos do marido, lembrando-lhe que não estavam dispostos a sustentar os seus devaneios, até porque os pequenos negócios de que ele era proprietário não tinham nenhum valor estratégico para eles.
Só que o marido já se habituara a um nível de vida que não dispensava a generosa contribuição da mulher e nem o exemplo de humildade vindo de um extravagante cunhado grego, a quem foi imposto que passasse a viver de acordo com seu o rendimento familiar, o convencia de que iria ter que mudar de rumo.
Tanto mais que os filhos do casal se haviam habituado a receber, do pai, generosas mesadas e apesar dos seus frequentes pedidos de contenção teimavam em insistir na tecla dos direitos adquiridos...
A coisa complicou-se muito e conta quem esteve presente nos últimos jantares de família, oferecidos pelos pais da noiva, que tem sido frequentemente aflorada a questão de um possível divórcio, ainda que em surdina, que todos desejam evitar.
Mas não deixa de ser sintomático que a mulher tenha impedido o marido de passar cheques, sem obter a sua prévia aprovação, e exigido controlar o orçamento familiar. Tudo numa tentativa para salvar o casamento.
E com o recente agravamento das tensões entre os ramos francês e alemão da família, o primeiro com maiores afinidades com o marido e um dos grandes patrocinadores do casamento, existem razões para que se tema pelo futuro da união e pela coesão da família da noiva, cuja desagregação só poderia conduzir a uma tragédia de enormes proporções...
O certo é que já passaram 25 anos e as Bodas de Prata, mesmo de um casamento em perigo, são sempre motivo de celebração. Mas que a união já viveu melhores dias, disso não restam dúvidas.
E como "enquanto o pau vai e vem,folgam as costas", a família do noivo vai aproveitando para festejar os santos populares, talvez confiando que Santo António, o santo casamenteiro, se encarregará de fazer o milagre de manter a União...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

LEMBRANDO HOMERO, A PROPÓSITO DA DAS COMUNIDADES EMIGRANTES...



Hoje celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
A avaliar pelas notícias recentes, não haverá muito para celebrar, no que diz respeito à situação que o País atravessa, com o Presidente da República a reconhecer que Portugal chegou a uma "situação insustentável", apelando ao sentido de responsabilidade dos nossos políticos...
Relativamente a Camões, talvez que a melhor forma de o celebrarmos fosse darmos a conhecer os "Os Lusíadas" aos nossos jovens, mas parece que se tornou possível chegar ao 12º ano de escolaridade sem que os alunos tenham, sequer, tomado contacto com a sua obra, na disciplina de Português. Originalidades do nosso sistema educativo...
Já quanto ás Comunidades Portuguesas, este dia celebra-se, em regra, no domingo mais próximo desta data, já que nos países onde trabalham o 10 de Junho não é um dia feriado, a não ser para os funcionários dos nossos Consulados e Embaixadas.
Os nossos emigrantes celebram, normalmente, o dia que lhes é dedicado a trabalhar, que é aquilo que melhor sabem fazer...
Talvez antecipando que o dia pudesse estar bom para a praia, a sessão solene das comemorações teve lugar em Faro, onde as sardinhas costumam ser melhores e a amenidade do clima contribui para fazer esquecer, momentaneamente, o ambiente depressivo em que o País se encontra mergulhado, face a uma clara prevalência do que a política tem de pior sobre o interesse nacional.
Mas esqueçamos isso, que o dia é de festa...
Do conjunto de notícias que mereceram destaque, na comunicação social, retive a contribuição dos imigrantes para o crescimento da população residente, em Portugal, no ano de 2009, já que as mortes superaram os nascimentos, tal como já havia sucedido em 2007.
Emigração, Imigração, duas faces de uma mesma realidade, sendo a diferença que os segundos procuram obter, em Portugal, as condições que nós pugnamos para que sejam concedidas aos primeiros, nos respectivos países de acolhimento. Só que os primeiros são "dos nossos" e os segundos são estrangeiros...
E neste dia em que se comemora Camões, nada melhor do que recorrer a uma passagem de "A Odisseia", escrita pelo poeta grego Homero, para ilustrar o nosso dever de comportamento para com os estrangeiros, nossos imigrantes. Aliás, uma obra que alguns admitem ter servido de inspiração ao nosso Camões, para escrever a epopeia que o imortalizou.
Ulisses, rei de Ítaca e figura central do poema de Homero, abandonara "a ilha do clima suave", tal como suave é o clima deste nosso pequeno mas lindo País, forçado a participar na guerra de Tróia, do mesmo modo como os nossos emigrantes se viram forçados a abandonar Portugal, para participarem nessa "guerra" que é a procura da melhoria das condições de vida, de quem nasce pobre, num país estrangeiro.
Finda a guerra e de regresso a casa, Ulisses perdeu-se da frota e passou dez anos de provações antes de conseguir regressar a casa, as mesmas provações por que passa quem tem de abandonar o seu país natal, em busca de melhores condições de vida.
Durante a viagem, sobrevivendo ao naufrágio provocado por uma tempestade desencadeada por Neptuno, deus do mar, Ulisses deu consigo em Córcira, a ilha dos Feácios, acabando por ser encontrado pela princesa Nausica, filha do generoso rei Alcino e da rainha Arete.
Ao descobrir Ulisses e vendo que era estrangeiro, a bela Nausica gritou às suas aias e companheiras, que entretanto haviam fugido com o susto:
"(...)Temos de cuidar dele com solicitude e carinho, pois todos os estrangeiros e todos os pobres são enviados dos deuses; o pouco que se lhes dá, vale de muito, faz-lhes muito bem, e sabem-no agradecer(...)".
Assim sucede, também, com as nossas comunidades emigrantes e imigrantes, estas igualmente nossas, apesar de compostas por estrangeiros.
Neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, tenhamos presentes as sábias palavras que Homero colocou na boca da princesa Nausica e aproveitemos, também, esta ocasião para prestarmos uma justa homenagem às comunidades imigrantes no nosso País.
Será, apenas, uma outra forma, embora não menos importante, de honrarmos Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo.

DIA DO POLECOJORNÊS-ML



Num momento em que voltou a discutir-se a questão dos feriados nacionais, eis que chega o 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Já foi feriado municipal, quando um decreto, de 12 de Outubro de 1910, estabeleceu os feriados nacionais e deixou aos municípios a escolha de um dia feriado, para fazerem a festa.
Lisboa escolheu Camões, já que a data é tida como a da morte do poeta.
Mas dizem as más línguas que a escolha também pode ter sido motivada pelo facto de o poeta ser zarolho e como "em terra de cegos, quem tem um olho é rei" a capital não hesitou. Mas vá lá saber-se...
Certo, certo, é que desde 1880 que os republicanos se serviam das homenagens ao poeta para afrontarem a monarquia e que o Dia de Camões acabaria por passar a ser festejado a nível nacional, ao que parece, por culpa da extensa cobertura que recebia da comunicação social...
Salazar, arguto, sem esquecer o poeta, passou a chamar-lhe Dia de Portugal, identificando-o com o Estado Novo, é claro, para lhe acrescentar, em 1944, a Raça, numa homenagem ás Forças Armadas, pelo seu papel nas guerras coloniais.
Estava criado o Dia de Camões, de Portugal e da Raça e assim ficou até 1978, data em que o regime saído da revolução do 25 de Abril de 1974 resolveu fazer umas adaptações.
Portugal passou a ocupar o primeiro lugar, até porque as colónias já eram coisa do passado, Camões manteve o estatuto e a Raça, então já em evidente declínio, deu lugar ás Comunidades Portuguesas, ou não fizessem as remessas dos emigrantes uma falta desgraçada ao equilíbrio das Contas Nacionais...
Passou a ser o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, aquele que hoje celebramos.
Não é que eu tenha alguma má vontade contra a designação, até porque, bem vistas as coisas, numa terra de cegos e ainda por cima em crise, faz sentido homenagear um zarolho e apelar ao patriotismo dos emigrantes, sobretudo daqueles que, ainda sem problemas oftalmológicos, escolhem outras paragens para desenvolverem o seu talento.
Mas já que estamos em maré de discutir os feriados, proponho que se discuta, também, a sua designação e atrevo-me a sugerir que o feriado do 10 de Junho passe a ser designado por DIA DO POLECOJORNÊS-ML.
Passo a explicar:
-POL, associa Portugal, a política e os políticos, fazendo a simbiose perfeita entre o País, os que o governaram, os que o governam e os que aspiram a governá-lo.
Sem esquecer, é claro, aqueles que, em seu nome, aproveitaram e aproveitam para se governarem. Mas isso são contas de outro rosário...
-ECO releva a importância da economia, dos economistas e daqueles que, mesmo sem terem formação específica, se aventuram pelos caminhos do PIB e da FBCF, qual Camões em mar revolto, tentando salvar o manuscrito dos Lusíadas, aventando opiniões e soluções para todos os gostos e opções, incluindo as politico-ideológicas...
Além de que dá um ar Verde, o que até está na moda e contribui para realçar a cor da Esperança, sempre a última a morrer, que integra a nossa bandeira.
-JORN é uma homenagem ao chamado "quarto poder", que em Portugal parece ser, frequentemente, o primeiro, assim se homenageando a comunicação social e os jornalistas, glorificando o relevante papel que desempenham ao serviço dos maiores interesses da nação e dos seus filhos dilectos, na maior das abrangências.
Cabe acrescentar que o J, porque maiúsculo, surge associado à Justiça, que é sempre conveniente não esquecer e sem a qual se tornaria impossível perceber o estado a que o País chegou.
Além de que à Justiça se deve muita da influência exercida pelo "quarto poder", naquela que é a sua busca permanente pela Verdade, sempre no estrito respeito pela Lei e pela Ética...
-ÊS é tudo o que tem a ver com o português, com a nossa língua.
Então e o ML, perguntar-me-ão, com toda a propriedade.
Bem, o ML significa Mundo Lusitano, mantendo-se, assim, a homenagem aos nossos emigrantes e ao dinheirinho que nos vão enviando, ao mesmo tempo que fica justificada a existência de deputados pelo círculo da emigração.
Verifico, agora, que me esqueci das forças armadas, o que não é muito conveniente quando se quer evitar instabilidade, mas como o texto está quase no fim e não me apetece começar tudo de novo, caso considerem que é imprescindível que se mantenham as paradas militares e as condecorações, proponho uma pequena adaptação:
POLEXCOJORNÊS-ML
É verdade que perverte o significado original da coisa, mas talvez soe melhor.
E como os militares gostam de se meter em tudo e esta coisa dos tanques e dos submarinos também tem a ver com a economia, se não gostarem da sugestão inicial, pode ficar assim mesmo.
Afinal, não deixa de continuar a ser uma solução bem portuguesa, pois mesmo não fazendo sentido nenhum, tem a vantagem de poder agradar a todos os interessados.
E uma boa celebração do Dia de Portugal tem que ter alguma dose de nacional-porreirismo, ou então é que a coisa não tinha mesmo gracinha nenhuma.
Aproveito para vos desejar um bom feriado, apesar desta irritante chuvinha...

terça-feira, 8 de junho de 2010

PENSO EU DE QUE...

A notícia surge pequenina, ao fundo da página 10 da edição de hoje do jornal i:
"Três pessoas aderem ao protesto contra o Acordo Ortográfico"
Foi esta "multidão" que aderiu à manifestação marcada para o Palácio da Ajuda, em Lisboa, onde a ministra da Cultura apresentou o conversor para a nova ortografia.
Apesar das preocupações dos tradutores, a maioria por razões meramente economicistas, e dos puristas linguísticos, o Acordo Ortográfico avança, para bem da defesa e afirmação da língua portuguesa no mundo, digo eu.
Mas a leitura desta notícia recordou-me como tanta gente, que se revela extremamente preocupada com o Acordo, fala um português horrível, com inúmeras calinadas gramaticais.
E a mais popular entre nós, nos dias que correm, é a "penso eu de que...", imortalizada pelos bonecos do programa Contra-Informação, na RTP, na boca de Pinto da Costa.
A verdade é que chega a ser confrangedor ver tanta gente, desde políticos a jornalistas, de professores ao homem da rua, a "pensar de que...", "entender de que...", "achar de que...", para arrepio, mais do que justificável, da Drª Edite Estrela e da Dona Fernanda, que Deus tem, minha professora de instrução primária.
E, quem sabe, talvez o Acordo, ao aproximar a escrita da fonética, possa contribuir para que se assistam a menos erros de ortografia, que disso é melhor nem falarmos, passada a possível e previsível confusão inicial.
Penso eu de que...

VENTOS DE MUDANÇA...

O Dr Fernando Gomes, antigo dirigente da SAD do Futebol Clube do Porto, foi ontem eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, sem a presença dos dirigentes do seu clube, ou o seu apoio expresso.
O seu discurso de tomada de posse constitui, inequivocamente, um sinal de esperança para todos aqueles que pretendem um "futebol limpo, livre, transparente e democrático", um objectivo que o novo presidente assumiu como norteador do seu mandato.
Ao manifestar a vontade de contribuir para acabar com a vergonha que tem sido a recusa da FPF em adequar os seus estatutos ao novo regime jurídico, ao pretender regular o mercado das apostas desportivas e ao defender a criação de um tribunal desportivo, que há muito se revela necessário, Fernando Gomes está a ser corajoso e merece ser apoiado.
Tal como deve merecer o apoio de todos a sua anunciada intenção de rever o quadro competitivo da Liga de Honra, sendo apenas de lamentar que não torne extensível à Primeira Liga essa sua intenção, acrescento eu. Mas Roma e Pavia não se fizeram num dia...
Importante dirigente de um clube rival, ao longo de vários anos, é natural que Fernando Gomes seja olhado com alguma desconfiança por alguns adeptos do Benfica, que vêem a sua eleição como mais um passo no sentido da consolidação do poder do Futebol Clube do Porto, e não deixa de ser natural que alguns questionem se Pinto da Costa alguma vez daria o seu apoio a um ex-dirigente benfiquista para liderar a Liga. Eu acredito que não...
Contudo, penso que Luís Filipe Vieira andou bem ao apoiar Fernando Gomes e acredito que é com gestos destes que se conseguem resolver os problemas que afectam o futebol português.
O novo presidente da Liga começou bem e quero daqui desejar-lhe as maiores felicidades e sucesso, na difícil tarefa que tem pela frente.
Aguardemos...

domingo, 6 de junho de 2010

OS GATO FEDORENTO

Também da autoria de Rui Pedro Brás, responsável por "Os Dez Mandamentos de Jesus", terminei a leitura desta homenagem aos Gato Fedorento.
Um livro divertido, sobre a vida e o percurso dos 4 comediantes que integram o grupo, que proporciona hilariantes momentos de leitura, para além de nos dar a conhecer algumas peripécias interessantes desta sua curta e bem sucedida carreira.
Uma boa leitura de verão.

JORGE JESUS

Devo começar por confessar que não é meu costume comprar, ou ler, livros sobre personalidades ligadas ao futebol nacional.
O meu benfiquismo e o sucesso conseguido pelo Benfica, em tão curto espaço de tempo, praticando um futebol como há muito não se via, motivaram-me a adquirir este livro, para tentar conhecer um pouco melhor o principal responsável pela transformação ocorrida.
Da responsabilidade de Rui Pedro Dias Braz, um jovem jornalista de 32 anos, este livro mostra-nos um pouco da personalidade do treinador do Benfica, através do seu percurso como jogador e treinador e foi publicado antes de o Glorioso se sagrar campeão nacional.
A determinação de Jorge Jesus em afirmar-se, como treinador, no futebol nacional fica bem patente, num percurso de sucesso que, como normalmente sucede, teve de ultrapassar inúmeros escolhos.
De leitura fácil, o livro ajuda-nos a entender melhor os motivos do sucesso de um treinador ambicioso e que respira auto-confiança, coisa rara entre os portugueses.
Na passada semana, um amigo confidenciara-me que Pinto da Costa teria tentado aliciar Jorge Jesus para assinar pelo Futebol Clube do Porto, o que teria sido um duro golpe para os benfiquistas. Dias depois, o jornal desportivo "A Bola" confirmava essa falhada tentativa.
A leitura do livro ajuda a perceber a motivação subjacente a essa iniciativa, que vai muito para além da habitual "malandrice" do presidente do Porto e do seu ódio de estimação ao Benfica...
Começo a acreditar que, com este treinador, o Benfica não só pode renovar o título de campeão no próximo ano, como também fazer uma excelente figura na Liga dos Campeões.
Assim o ajude a sorte e a inspiração divina...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

MATARAM O SIDÓNIO!


Acabei de ler mais um excelente livro de Francisco Moita Flores, desta vez um romance sobre o assassinato de Sidónio Pais, presidente da República Portuguesa, em 14 de Dezembro de 1918.
O romance, que decorre numa época conturbada da vida política portuguesa e num período em que uma pandemia de gripe, a "influenza pneumónica", devastava a população mundial, resulta da ficção em torno da autópsia efectuada ao cadáver do presidente, que contrariou as práticas da época e punha em causa a tese oficial sobre o assassinato...
Os diálogos entre Asdrúbal d'Aguiar, que efectuou a autópsia e publicou o documento que serviu de base ao romance, e Moreira Júnior, responsável pelo embalsamamento do corpo do antigo presidente, são momentos absorventes que provocam no leitor as mais intensas e variadas reacções, com momentos de enorme brilhantismo...
Uma leitura a não perder!

terça-feira, 1 de junho de 2010

SOB O SIGNO M & M

No domingo, na TVI, o professor Marcelo aceitava, sem discussão, a presença de 300 mil pessoas na Manifestação promovida pela CGTP, coisa que nem a sindicalista responsável por anteriores contagens ousara fazer. Deu-lhe jeito, para criticar o primeiro-ministro, mas não lhe ficou bem...
Estava dado o mote para uma semana M&M, com cada um a poder escolher o papel que mais lhe convém...
Em Madrid, Mourinho surgiu mais cauteloso do que é costume, embora sem Medo, não fazendo promessas que não a de trabalhar para que o Real Madrid possa voltar a conquistar os títulos de que tem estado arredado. Inteligente, sabedor das dificuldades que o esperam, moderou o discurso, que não a ambição e isso acabará por jogar a seu favor...
Em Marrocos, Mais exportações motivavam o empenhamento de Sócrates, tal como já fizera no Brasil e na Venezuela. As dificuldades são muitas, mas o primeiro-ministro não pode ser acusado de não se esforçar para promover as exportações portuguesas e o investimento estrangeiro no país...
Já em Lisboa, Mário, de apelido Soares, encarregava-se de confirmar que não apoiaria Manuel, de apelido Alegre, aproveitando para criticar Sócrates e o PS pela decisão de apoio ao poeta.
Soares não tem memória curta e por detrás daquele seu ar bonacheirão está um político implacável, mesmo para com os seus antigos amigos e "compagnons de route". Ontem, Salgado Zenha, hoje, Manuel Alegre...
Na Covilhã, o Mister Queirós prepara a fase final do Mundial, sem conseguir congregar o entusiasmo de outras campanhas. Pode ser que as baixas expectativas acabem por favorecer a selecção portuguesa...
No país, com a publicação do decreto-lei que autoriza o casamento "gay", o presidente Cavaco Silva ficou em maus lençóis e os Mariquinhas anunciam o seu empenhamento em defesa da adopção de Meninos e Meninas. Era de esperar e aguardam-se as cenas dos próximos capítulos...
Em geral, a conflitualidade domina, com os políticos e a comunicação social parecendo pouco preocupados com a defesa dos interesses do país, secundados por uma elite que sempre viveu à conta do Estado e uma opinião pública facilmente manipulável. A crise parece servir para tudo menos para congregar boas vontades...
Tinha razão o general romano, no século III antes de Cristo, na carta que escreveu ao imperador, quando da conquista da Península Ibérica: : "Há na parte mais ocidental da Ibéria um povo muito estranho: não se governa, nem se deixa governar!".
Aguarda-se Mais do Mesmo!