quinta-feira, 25 de março de 2010

SORTE...



A minha prezada amiga e grande benfiquista Cremilde Cabau teve a amabilidade de me enviar este excelente texto, de autor desconhecido, que dispensa comentários e passo a reproduzir.

Sorte

"O Benfica venceu o Porto por 3-0. Teve sorte.
Aliás, se há coisa que o Benfica tem tido este ano é sorte. Eliminou o Marselha por sorte, goleou o Everton em duas mãos (7-0) por sorte, e imagine-se, teve a sorte do seu lado nos quatro golos marcados em Alvalade.
Talvez a sorte de vender João Pereira.
Teve sorte nas contratações de Javi Garcia e Ramires.Teve sorte com Saviola e com Airton.
Di Maria cresceu. Por sorte claro.
E Coentrão faz Queiroz parecer ridículo.
O Benfica tem também a sorte de ter dois Maxis. Um joga a primeira a parte, o outro joga na segunda. É impossível que o mesmo jogador possa correr aquilo tudo.
Muito se tem falado de túneis. E este campeonato é sem duvida o campeonato dos túneis.
Perguntem a Tonel, Yobo, Rolando ou Diawara.
O Benfica tem tido mesmo muita sorte.
Enche estádios de Norte a Sul do País Sorte, marca muitos golos e tem a sorte, imagine-se, de sofrer muito poucos.
Sorte essa que fez de David Luiz muito provavelmente o melhor defesa central da Europa.
Sorte também com Luisao, e com o tamanho dos seus bolsos. Cabem lá metade dos avançados da Europa.
E para quem por atrevimento quiser ficar de fora, as luvas de Quim têm quilómetros. Os mesmos quilómetros que os Super dragões ontem fizeram para terem três novos motivos para odiar o Benfica. Um motivo aos 9 minutos, um aos 45 e outro aos 92.
Tivemos também muita sorte com Jesus. Desde os primórdios da humanidade se percebeu que com o divino do nosso lado fica mais fácil.
Tivemos sorte com os adversários também. Everton, Marselha, Porto, Sporting, Guimarães, Hertha, Nacional, Marítimo, Paços de Ferreira.... Muita sorte.
O Benfica teve sorte com Carlos Martins, com Ruben Amorim, que já marca golos e com Nuno Gomes que é um líder, e que ama o Benfica como um adepto.
E talvez seja essa a maior sorte. Os adeptos.
O Benfica só por sorte pode ter adeptos como os que ontem vi no Algarve. Alegres e aos milhares. Noventa minutos a gritarem.
Benfica goleou por sorte, lidera o campeonato por sorte, e só por sorte está nos quartos de final da Liga Europa. Tem a sorte de ter o melhor marcador do campeonato, o jogador com mais assistências, o melhor ataque e a melhor defesa.
Hoje está um dia bonito. E eu sinto-me com sorte.
Sorte a minha de ter nascido lampião."

NA BARBEARIA DO MANECAS...


Nando apresentou-se na barbearia do Manecas preparado para mais uma ensaboadela das antigas...
-Boas Manecas, pode ser agora?
-Boas Nando, é claro que pode ser, ou será que vês aqui alguém sentado na cadeira? Estes lagartões fazem com cada pergunta...
- Pronto, lá começas tu...
-Fica descansado que hoje nem me apetece falar de futebol, se queres saber ...
-Não? O que é que aconteceu? Estás doente?
-Doente? Eu não, graças a Deus. O futebol português é que está e não é pouco.
-Deixa-me adivinhar. Ficaste irritado com aquela coisa da redução dos castigos aos jogadores do Porto.
-E achas que é caso para menos? Aquilo é uma pouca vergonha, é o que é. E nem quero saber se são jogadores do Porto ou de outro clube qualquer.
-Na verdade é complicado...
-Ó Nando, então tu achas normal que possa existir esta disparidade de critérios para julgar o mesmo caso e aplicar os castigos? Este futebol português não tem conserto...
-Aí tenho que concordar contigo, ó Manecas. Ninguém entende nada disto.
-O nosso futebol está pelas ruas da amargura e o pior é que ninguém parece interessado em inverter a situação.
-Bem, o Presidente da Liga de Clubes demitiu-se...
-Pois sim, mas já andava há muito tempo a dizer que queria sair e aproveitou a oportunidade.
-Bem sei, mas não deixou de tomar uma posição.
-Mas de que serve isso, ó Nando? Muda alguma coisa? Não muda nada!
-Bem, quer dizer...
-Não quer dizer nada, desculpa. A bagunça vai continuar, o clima de suspeição vai manter-se, os dirigentes vão bater-se pelo controlo da Liga, da Federação, da Arbitragem, para beneficiarem os seus clubes, enfim, a pouca vergonha do costume. E basta ter lido as declarações do director geral da SAD do FC Porto para percebermos que vai ser assim. Ou não te apercebeste das insinuações que ele fez?
-Li sim e também sei que é complicado, mas temos de ter esperança, Manecas, ou então o nosso futebol está condenado.
-Mas o pior é que está mesmo! Por este caminho, não vamos lá, acredita! Qual foi o resultado das escutas? Zero. E do observador que confirmou que tinha sido contactado para prejudicar dois árbitros? Zero. E do incumprimento dos estatutos da Federação face à Lei de Bases do Sistema Desportivo? Zero. O nosso futebol vive num mundo à parte e tem uma estrutura que impede a sua regeneração. Acredita no que te digo!
-Ó Manecas, a coisa hoje não está fácil. O melhor é pararmos com a conversa, ou ainda fico com o cabelo cortado à pedrada.
-Não é que não merecesses, meu lagarto de uma figa, mas podes ficar descansado que vais daqui com um corte como deve ser.
-Se tu dizes...mas a verdade é que não estás nos teus dias, e eu não gosto de te ver assim.
-Sabes, até acordei bem disposto, mas fico doente com esta pouca vergonha. Por mais alterações que se façam, parece que ninguém está interessado em inverter o rumo que isto leva. Os dirigentes dos clubes só pensam em ganhar a todo o custo e em ter homens de confiança nos postos chave, a justiça desportiva é uma lástima, como este caso bem ilustra, os quadros competitivos são totalmente inadequados, os clubes endividam-se cada vez mais e das suspeitas sobre as arbitragens é melhor nem falar. E tu ainda me vens falar de esperança?
-É complicado Manecas, é complicado. Mas temos mesmo que ter esperança. É o que nos resta...
Ambos se calaram durante um bom bocado, o tempo suficiente para o Manecas terminar o corte.
-Pronto, já está, um corte como deve ser.
-Obrigado Manecas, não está mal não senhor. Olha, boa sorte para Sábado, para ver se te melhora a disposição.
-Sábado? Ah, é verdade, nem me lembrava que o jogo com o Braga tinha sido antecipado... Qual sorte, qual carapuça, não é preciso sorte nenhuma. Basta o Benfica jogar o habitual...

A MINHA RIMÃ...


Imaginei-me no dia 26 de Março, na minha escola primária, o Externato de São José, com sete anos.
A Dona Fernanda, professora que me ensinou as primeiras letras e números, mandara-nos fazer uma redacção, com tema livre.
Calculo que devo ter escrito qualquer coisa deste género:

A minha irmã chama-se Paulinha, mas a minha mãe diz que é MiPá.
A minha irmã nasceu ontem e estamos todos muito felizes.
A minha mãe teve uma alergia e ficou com muita urticária, mas o meu pai disse que vai ficar boa depressa.
Eu e o meu irmão queríamos um rapaz, para jogarmos à bola com ele, mas a cegonha trouxe uma irmã.
A a minha irmã é muito bonita.
Eu gosto muito da minha irmã !

Se não foi exactamente assim não deve ter andado muito longe, a primeira redacção que escrevi após o nascimento da minha irmã.
Recordo-me que estava um dia lindo, que fui autorizado a não ir à escola e que eu e o meu irmão nos adaptámos, rapidamente, à ideia de ter nascido uma menina.
Anos mais tarde, com a crueldade da juventude, quando a queríamos irritar dizíamos que não era nossa irmã. Que os nossos pais a tinham encontrado num caixote do lixo. Maldade!
Os anos passaram, fez-se mulher e deu-me dois sobrinhos maravilhosos, o Bernardo e a Constança, que eu adoro, sendo que a minha sobrinha é a mãezinha por uma pena...
Bonita de feições e de coração, torta de feitio, mas sempre jovial, de há muito que a deixei de tratar por irmã, na medida em que encontrei uma palavra bem mais adequada: Rimã.
Faz hoje um ano que estivemos juntos, numa comemoração surpresa, que ficará gravada para sempre na minha memória, e neste dia em que estou distante, embora perto no coração, não podia deixar de lhe prestar esta pequena homenagem.
Que este seja um dia maravilhoso, como tu, que vivas por muitos e bons anos, com muita saúde e paz e que nunca percas essa tua extraordinária jovialidade, é a mensagem que aqui te quero deixar.
És a minha menina e sinto-me privilegiado por ser teu irmão !
Graças a Deus que a cegonha trocou os berços !
PARABÉNS RIMÃ !
Ou, como diria a Maria do Carmo :
PARABÉNS MIPÁ !

quarta-feira, 24 de março de 2010

HOJE PASSEI NOS CORREIOS...

(Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983)

Hoje passei nos Correios e lembrei-me do tempo em que a minha mãe me obrigava a mandar postais, para a família, quando estávamos de férias.
Recordei os meus tempos de escola, quando não tinha paciência para a escrita, apesar de ser um aluno bastante razoável que lidava bem com as redacções e os ditados. Tempos em que o futebol falava mais alto...
Ocorreu-me que talvez só tenha começado a gostar de escrever quando, no já longínquo ano de 1980, assumi a responsabilidade, em conjunto com o meu colega Mário Vinga, de elaborar um artigo semanal para o jornal Expresso, intitulado "Euromercados e Câmbios".
O Mário Vinga viria a ser requisitado para a Direcção Geral do Tesouro, pouco tempo depois, pelo que passei a assumir, sozinho, essa tarefa.
Sim, é possível que tenha sido a partir daí que passei a achar graça à escrita, apesar de ter continuado a escrever muito raramente e apenas algumas quadras e pequenas poesias.
Profissionalmente escrevi muito, quase sempre por obrigação, e só agora me apercebo quão recente é este meu gosto pela escrita, a ponto de me levar a criar este blogue.
Relembrei que a escrita é um acto solitário e admiti que isso possa estar na base deste meu repentino desejo. Admiti que a idade me está a tornar mais selectivo e menos sociável, eu que sempre fui um "espalha brasas"...
Reconheci que é a necessidade de passar mais tempo comigo mesmo que me impele a escrever.
E que quanto mais escrevo, maior a vontade de escrever, a ponto de tentar organizar melhor o meu tempo, para poder dedicar mais horas à escrita.
Não que eu me considere um escritor, bem longe disso, mas porque me sabe bem esse tempo de reflexão, para além de que me agrada imaginar que os meus netos terão a possibilidade de saberem o que pensava o avô, sem que tenha de ser o pai a contar-lhes.
E quem sabe possa ser este o meu contributo para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita...
Hoje passei nos Correios e lembrei-me do tempo em que para se fazer uma simples chamada telefónica interurbana era exigida a intervenção de uma telefonista, e o tempo de espera chegava a medir-se por horas.
Dei comigo a pensar como foi possível vivermos tanto tempo sem telemóveis, ou internet, e terminei a relembrar o conceito de obsolescência...
Hoje passei nos Correios e lembrei-me da velha estação dos Restauradores, em Lisboa.
Recordei o dia em que a minha mãe me levou, com os meus irmãos, para gravarmos um disco de parabéns, para oferecermos ao meu pai. Foi mais ou menos por esta altura, porque o aniversário dele era a 18 de Abril, vão decorridos uns 45 ou 46 anos.
Reavivei aquele disco branco, que nos fascinou e tanto emocionou o meu pai, o qual viria a desaparecer, depois da morte da minha mãe, sem que alguma vez tenhamos chegado a saber quem teria sido a alma caridosa que resolveu poupar-nos à amplificação do desgosto...
Relembrei a voz do meu irmão, que à época carregava nos erres, dizendo "parrabéns papá, parrabéns" e lembrei-me da voz da minha mãe na mensagem que gravou para o meu pai, dizendo:
" Que possas continuar a ser, pela vida fora, tão bom pai e bom marido como tens sido até aqui."
E lamentei que a minha mãe não tivesse vivido o tempo suficiente para constatar o pai maravilhoso que ele foi.
Hoje passei nos Correios e tive saudades...
Tive saudades dos meus avós, dos meus pais, de todos os que me eram tão queridos e já desapareceram...
Tive saudades da minha juventude, do tempo em que vivia a vida despreocupadamente e em que acreditava que nada, mas nada, neste mundo, poderia alguma vez nos separar...

terça-feira, 23 de março de 2010

AINDA SOBRE A REVISÃO DOS ESTATUTOS DO BENFICA


Na sequência do que aqui escrevi anteriormente, a propósito da revisão dos estatutos do Sport Lisboa e Benfica, gostaria de fazer uma chamada de atenção para três aspectos, os quais representam outras tantas sugestões. Mas não sem que antes refira que, uma das desvantagens quando se pretende efectuar este tipo de análise sozinho, como é o meu caso, é que se perde o benefício do contraditório, sempre tão útil neste tipo de situações.
Numa segunda leitura da proposta apresentada pela Comissão, gostaria de acrescentar aos meus comentários anteriores, os seguintes:
1. Direitos dos Sócios
Se é verdade que não tenho nenhuma objecção de fundo a que sejam necessários 15 anos de sócio para a apresentação de uma candidatura à presidência do Clube, ou da Mesa da Assembleia Geral, e 10 anos para os restantes cargos, não me parece razoável que essa exigência se aplique apenas ao período como sócio efectivo, devendo ser igualmente contado o tempo como sócios correspondentes.
Se, devido ao seu afastamento geográfico, são conferidos aos sócios correspondentes alguns benefícios, pelo mesmo motivo, a sua dedicação ao Clube deve ser valorizada, não me parecendo que existam razões que justifiquem qualquer discriminação, quanto à sua elegibilidade.
Pela sua natureza e especificidade, concordo que não seja contado o tempo, para efeitos de elegibilidade, como sócio auxiliar, ou sócio atleta.
2. Duração dos mandatos
O alargamento dos mandatos para quatro anos não me oferece objecções, mesmo sabendo que os mandatos nas participadas são apenas de três anos.
Contudo, entendo que se deve limitar a três (3) o número de mandatos que podem ser exercidos, consecutivamente, por motivos que me parecem óbvios.
3. Incompatibilidades
Embora reconheça que se trata de um tema sensível, deveria ser vedada a candidatura aos órgãos sociais do Clube, ou das empresas do universo Benfica, em sua representação, de associados que sejam, ou tenham sido, sócios de clubes que disputem competições profissionais, em que o Benfica se encontre envolvido, nos cinco (5) anos anteriores à apresentação da respectiva candidatura.

Sem prejuízo de outros ajustes pontuais, considero que a proposta apresentada pela Comissão, desde que tenha em consideração os aspectos que acima evidenciei, em complemento daqueles a que fiz referência anteriormente, deve merecer a aprovação dos sócios do Sport Lisboa e Benfica.

A PROPÓSITO DA REVISÃO DOS ESTATUTOS DO BENFICA


Globalmente, a proposta de revisão dos estatutos do Clube que será presente à Assembleia Geral merece a minha concordância.
As principais críticas de que tenho conhecimento estão relacionadas com o numero mínimo de anos necessários para que um sócio possa candidatar-se aos órgão sociais, mas devo confessar que, nesse domínio, sendo discutível, não me parece chocante.
Tratar este tema em torno da inibição de possíveis candidatos à liderança, como já vi fazer, parece-me errado, até porque tende a desviar-nos do objectivo principal que deverá ser o de adequar os estatutos às profundas transformações ocorridas na última década, tendo sempre presente a experiência vivida nesse período.
Sinceramente, não sei se para se ser candidato à presidente do Clube devam ser exigidos 15 anos de filiação efectiva, como contempla a proposta, mas tenho para mim que não é razoável que se exijam muitos menos, sejam quais forem os associados que deixem de preencher os requisitos.
Se bem interpreto a vontade dos autores da proposta, pretende-se evitar a chegada de arrivistas ao poder, o que me parece muito bem, embora deva recordar que, ao que julgo saber, as novas exigências não teriam impedido João Vale e Azevedo de chegar a presidente do Benfica.
E é talvez porque tenha ficado demasiado marcado por esse período que, compreendendo embora a lógica subjacente à proposta apresentada, entendo que ela fica aquém do que seria exigível para um Clube que se quer moderno, coeso e preparado para os desafios crescentes que lhe serão colocados.
É nesse sentido que a proposta apresentada me parece insuficiente, designadamente nos seguintes domínios:
1. Relacionamento com as Filiais, Casas do Benfica e Delegações
A alteração do número de votos, prevista no Artigo 52 da proposta não me merece reparo, desde que devidamente salvaguardado que o sentido de voto desses delegados não resulta de uma vontade individual, ou do conjunto dos membros dos órgãos sociais, tanto mais que se admite que estes possam nem ser sócios do Sport Lisboa e Benfica, com excepção do presidente.
Salvo melhor opinião, esta é uma matéria em que o passado nos devia ter ensinado alguma coisa...
2. Entidades Coadjuvantes
A criação de um Conselho Estratégico, com esta ou outra qualquer designação, é uma ideia que perfilho à muito tempo.
A estratégia a definir para o Clube e para as empresas que integram o seu universo empresarial deve ser objecto de um alargado consenso e faz sentido que as soluções encontradas resultem do contributo de diversas personalidades e sensibilidades.
É nesse contexto que advogo que a sua composição não deveria resultar, apenas, das escolhas do presidente da direcção, devendo prever-se, por exemplo, a presença dos antigos presidentes da direcção e até, porque não admiti-lo, de todos os candidatos derrotados cuja votação tenha excedido, por exemplo, os 25% dos votos expressos.
3. Conselho de Disciplina
Penso não estar a ser injusto se disser que a proposta apresentada fecha demasiado o Clube em torno dos órgãos socias eleitos, cujos poderes são, nalgumas matérias, reforçados.
Sem colocar em causa o princípio da coesão, que me parece natural e desejável, é meu entendimento que deveria ser competência de um Conselho de Disciplina, eleito em lista separada, "garantir a legalidade no seio do Sport Lisboa e Benfica, cumprindo e fazendo cumprir os preceitos estatutários", tal como prevê a proposta, na alínea a) do número 1 do Artigo 54.
Colocar nas mãos de uma única pessoa, neste caso o presidente da Mesa da Assembleia Geral, essa responsabilidade, não me parece adequado, tanto mais quanto se tenha em consideração as inúmeras ocasiões em que se geraram situações de conflito, que a existência de um órgão com estas características teria, certamente, contribuído para evitar.
Sem prejuízo de uma ou outra alteração de pormenor, estes são os principais aspectos que, a meu ver, deveriam merecer uma reflexão mais profunda e constituir o principal objecto do debate na Assembleia Geral convocada para o efeito.
Rui Mascarenhas Santos
Sócio 5.964

segunda-feira, 22 de março de 2010

IZMAILOV E O SPORTING


O Sporting Clube de Portugal fez saber que o seu jogador Marat Izmailov está de regresso.
Izmailov foi considerado inapto para jogar, pelo departamento clínico de Alavalade, sem que tenha sido indicado o motivo da inaptidão, contrariamente ao que sucedeu com outros colegas seus.
Depois das declarações do director para o futebol, Costinha, após o empate frente ao Atlético de Madrid, que ditou a eliminação do clube da Liga Europa, não é difícil adivinharmos que "há mosquitos por cordas" para aqueles lados da Segunda Circular...
A avaliar pelas notícias, parece-me poder concluir-se que o mais provável é que Marat Izmailov não volte a vestir a camisola do Sporting, tal como afirmou Costinha, esteja, ou não, apto para jogar futebol.
E a ser assim, que me perdoem os sportinguistas mas algo parece estar muito errado na condução deste assunto.
Recordo-me de ter lido que Izmailov, no passado recente, não quis receber salário enquanto recuperava de uma lesão, não me constando que a notícia tenha sido desmentida, caso que deve ser inédito no desporto mundial, até porque o clube tem um seguro para cobrir essas situações...
Por isso e a ser verdade que Izmailov se recusou a jogar contra o Atlético de Madrid, alegando não estar em condições, o que terá levado o director para o futebol a duvidar da palavra de um jogador que teve um comportamento tão digno no passado?
É uma situação estranha, convenhamos, ficando-se com a sensação de que o Sporting se prepara para desvalorizar mais um jogador, tal como sucedeu com o guarda-redes Stojkovic...
Notícias recentes davam nota de que o treinador do Lokomotiv de Moscovo teria afirmado que as negociações para a transferência de Izmailov recomeçariam em Maio, depois de terem sido mal sucedidas em Janeiro, e não acredito que o Sporting não parta fragilizado para essa negociação, depois de tanto folclore...
Dirão os meus amigos sportinguistas que, como benfiquista, "não são contas do meu rosário", o que eu entendo, mas não considero que isso seja impeditivo de expressar a minha opinião, até porque esta não é uma prática exclusiva do clube de Alvalade...
Como dizia a minha avó, "cada um sabe as linhas com que se coze", mas torna-se difícil entender a facilidade com que alguns clubes portugueses desvalorizam alguns dos seus jogadores, como se eles não fossem activos que importa preservar e valorizar.
Fica-se, até com a sensação de que as contratações não lhes custaram dinheiro...

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

-Boa tarde Manele!
-Boa tarde compadre Zé.
-Temos más um dia bonito. Já vai começando a fazer calôre...
-É verdade, é para compensar o frio e a chuva que tivemos. Já merecemos algum descanso.
-Atã venha de lá um medronho, que é o que me está apetecendo.
Carlos, o dono da drogaria, setubalense e conhecido portista, acabara de entrar na Tasca.
-Podem serr dois ó Manel, que eu também bebo.
-Olha-m'este salmonete de uma magana. Ontem andava fugido...
-Fui cedo parra a cama...
-Deve ter sido da azia...
-Prronto! Já começa a converrsa!
-Conversa? Qual conversa, qual nada! Foi uma trepa e das valentes, foi o que foi! Levarã três e podiam ter sido más...
-Prronto compadrre, já chega. Não bata mais no ceguinho!
-És fraquinho, salmonete. Podias ter escolhido outro clube. Um que nã tivesse nenhum erre no nome. Assim sempre podias dizer o nome do clube dirêto. Como Benfica, por exemplo.
-Sou do Porrto e com muito orrgulho. E quanto a eu carregarr nos erres, o compadrre também não diz as palavrras completas. Parra vossemecê não há ditongos...
-Dêxa que eu cá me entendo. Antes isso que carregar nos erres e ser do Porto...
O Manuel, vendo que azedava a conversa, intrometeu-se:
-Vocês sabem que hoje é Dia Mundial da Água?
-Não sabia não, respondeu o Carlos.
-Pois é sim e é bom que tenhamos cuidado com ela. Tratamos a água como se fosse inesgotável, mas a verdade é que não é. E devemos evitar o desperdício, que qualquer dia corremos o risco de não a termos em quantidade suficiente...
-Ah é hoje? Pensê que tivesse sido ontem, observou o compadre Zé.
-Ontem? Porquê ontem? admirou-se o Manuel.
-É que o Porto metê tanta água ontem que se calhare o Dia Mundial da Água é a 22 de Março em todo o mundo, menos no Porto, que é a 21, zombou o compadre Zé, enquanto piscava o olho ao Manuel...

O SISMO...


Manecas Barbeiro chegou sorridente ao Café Central. A verdade é que tinha motivo para isso, pois o seu Benfica espetara uma goleada no Porto, 3-0, na final da Taça da Liga.
-Bom dia, Silva. Viu por aí o Porto? atirou em tom provocatório o Manecas.
-Bom dia, Manecas. Isso é que foi. Ontem tiraram a barriga das misérias.
-É verdade. Ontem levaram que contar!
-Coitados, foi pesado. E olha que o Benfica nem fez uma exibição por aí além.
-Imagina se fizesse, era uma cabazada e tanto. Agora coitados? Coitados nada! Você viu aquela pouca vergonha do Bruno Alves? Como é possível que um jogador possa fazer o que ele fez e não ser expulso? Com a agravante de ser o capitão da equipa...
-Na verdade, não se compreende. Assim como foi uma vergonha toda aquela violência com as claques, antes do jogo.
-São uns selvagens, ó Silva, é o que é. Deviam fazer como em Inglaterra. Serem todos identificados e obrigados a apresentarem-se na esquadra à hora do jogo. Gente desta não faz falta ao futebol. Bem pelo contrário. Mas com exemplos em campo como o do Bruno Alves o que é que se pode esperar?
-É triste, Manecas, muito triste mesmo.
-O Monas Picheleiro já esteve aí ?
-Esteve e saiu a correr, com medo que tu chegasses entretanto. Ainda comentou que já lhe bastava a derrota, quanto mais ter que te aturar..
-Ai o bandidório que se pirou. E eu que vinha de faca afiada...Mas não perde pela demora. Quando o caçar leva todas juntas. O campeonato, a Liga dos Campeões e a Taça da Liga. Vai ser um fartote!
-Fartote? Ouvi falar em fartote? Aquilo é bater em mortos, atirou o Nando, que tinha acabado de entrar, intrometendo-se na conversa.
-Olha que pardal, ó Silva. Este entrou de fininho e vem cheio de força. Tiveste uma sorte desgraçada este fim de semana, atirou o Manecas.
-Sorte? Eu? Porquê?
-Porque o teu Sporting não jogou, senão era mais uma derrota. A coisa também anda bonita lá para os lados de Alvalade, sim senhor.
-Deixa-te de lérias, ó Manecas. dantes andavas caladinho que nem um rato...
-É assim. Temos que ser uns para os outros. Vocês, enquanto puderam, amolaram-me o juízo. Agora já sabem, vão ter que levar comigo. E muito bonzinho tenho sido eu...
-Bem, mudem lá de assunto, interveio o Silva. Vocês já sabem que houve um sismo com epicentro em Santarém?
-Em Santarém? interrogou o Manecas, com cara de caso.
-É verdade, respondeu-lhe o Silva, E olha que teve magnitude 3,5 na escala de Richter.
-Vejam lá vocês que eu não sabia, o outro é que se sentiu e foi bem mais forte...
-Outro? Qual outro? perguntaram os outros dois, em uníssono.
-O outro, aquele em Faro, ontem à noite. Foi cá um abanão que rebentou escala. Até se sentiu no Porto...disse, soltando uma sonora gargalhada!

domingo, 21 de março de 2010

E VIVA O BENFICA !


Terminara o jogo e o Benfica acabara de conquistar a Taça da Liga, batendo o FCPorto, na final, por 3 bolas a zero.
Na aldeia Fala Só, onde a maioria dos habitantes é simpatizante do Benfica, como acontece na maioria das aldeias de Portugal, sentia-se um ambiente de festa.
Na Tasca do Manuel havia sido hasteada a bandeira do Glorioso, como sempre acontece quando da conquista de mais um troféu.
Apesar de comerciante, o Manel nunca escondeu as suas preferências benfiquistas, jamais se negando a sair em defesa do seu clube do coração sempre que algum cliente tentava apoucar o Glorioso.
Terminado o jogo, o compadre Zé entrara na Tasca com a alegria estampada no rosto.
-Ah Manele, aquilo é que foi uma joga de bola. Que grande tarêa!
-Nem me fale, compadre Zé, que eu nem consegui servir os clientes direito. Aquela equipa é uma máquina. Entram uns, saem outros, mas a equipa continua a dar conta do recado. Até dá gosto!
-Têm razã, sim senhore. Até dá gosto ver os moços jogar.
-E tem mais, é que mesmo quando os árbitros prejudicam o Benfica, como foi o caso de hoje, a equipa joga e ganha na mesma.
-É verdade, Manele, é isso mesmo. Vocemessê viu a pouca vergonha que foi com o Bruno Alves? Mas o que é que aquele magano precisa fazere até que os árbitros se dignem expulsá-lo do campo? O homêm bate, insulta, reclama e os árbitros moita carrasco. É como se nã fosse nada com eles.
-Sabe, compadre Zé, eu nunca entendi como é que funciona essa coisa dos sumaríssimos. Só sei que o Javi Garcia foi castigado, e muito bem, por ter agredido um jogador do Nacional sem que o árbitro se tivesse apercebido. Mas agora sempre quero ver o que é que a Liga vai fazer com as agressões do Bruno Alves e do Raúl Meireles...
-Se calhar nada, Manele, se calhar nada. Eles falam que o Benfica é que é beneficiado mas, vai-se a vere, e é o costume. Os árbitros acabam sempre protegendo o Porto. Hábitos antigos, é o que é!
E lá ficaram conversando sobre as ocorrências do jogo, não sem deixarem de notar que, estranhamente, ou até nem tanto, o Mestre Luís e o Carlos tardavam em aparecer...
-Deixe lá, compadre Zé, que não perdem pela demora. Eles vão ter que sair da toca e amanhã também é dia...

SÓCRATES: ENFRENTA NOVO ESCÂNDALO


O primeiro-ministro português, José Sócrates, está envolvido num novo escândalo.
O caso já está nas mãos do Ministério Público e sabe-se que será objecto de inquérito Parlamentar.
Numa posição politicamente muito difícil, o primeiro-ministro terá muita dificuldade em resistir às pressões da oposição, visando a sua renúncia ao cargo.
Desta vez, o caso envolve uma conversa com jornalistas, após a participação na Meia Maratona de Lisboa, durante a qual José Sócrates se declarou benfiquista, qualidade que partilha com milhões de portugueses e não constituiria, por si só, nenhum crime.
Sucede, porém, que, ao ser questionado sobre quem seria o vencedor da Taça da Liga o primeiro-ministro português mentiu, declarando que não sabia, embora desejasse a vitória do seu Benfica.
Sucede que Sócrates soube que o Benfica ia sair vencedor do confronto, por 3-0, durante um almoço na Costa da Caparica, com o treinador Jorge Jesus, no restaurante de um conhecido benfiquista.
Nesse almoço, que durou cerca de duas horas, Jesus garantiu ao primeiro-ministro que o Benfica ia ganhar a final, acrescentando que eram "favas contadas", tendo também revelado quem seria o vencedor do campeonato nacional.
Segundo foi apurado, José Sócrates discutiu com o treinador do Benfica um Plano para a reconquista da hegemonia no futebol nacional, tendo sido visto a entregar-lhe um guardanapo de papel contendo orientações para a sua execução.
A Polícia Judiciária está na posse da gravação integral da conversa, obtida por um empregado de mesa infiltrado, com conhecidas ligações ao FCPorto, e o Ministério Público já mandou instaurar um inquérito, acusando Sócrates de ser o mentor de um Plano para garantir ao Sport Lisboa e Benfica a hegemonia do futebol português, bem como de ter faltado à verdade, quando afirmou desconhecer o desfecho da final da Taça da Liga, num claro desrespeito pelas minorias portistas, sportinguistas, e até bracarenses, de aquém e além-mar.
Para complicar a situação de fragilidade do primeiro-ministro, soube-se que Francisco Louçã, em nome do Bloco de Esquerda, telefonou a Manuela Ferreira Leite solicitando o apoio do PSD para a instauração de um inquérito parlamentar, sem comissão de ética, o que lhe foi prontamente assegurado.
Fonte fidedigna, que pediu o anonimato, garantiu que a ainda líder do PSD suspeita que o Plano faça parte de um outro, bem mais amplo, para controlar a imprensa desportiva livre e asfixiar a democracia no futebol.
O Partido Socialista, tal como os restantes partidos com assento parlamentar, ainda não reagiu ás acusações, mas Paulo Rangel, candidato à liderança social-democrata, considerou gravíssimo o comportamento de José Sócrates, defendendo a demissão do primeiro-ministro, se vier a confirmar-se que mentiu aos portugueses.
Rangel fez ainda questão de acrescentar que não é desejável que uma eventual demissão ocorra antes das eleições presidenciais, para que o novo líder do PSD possa ter tempo para concretizar, em articulação com Belém, o velho sonho de obter "uma maioria, um governo e um presidente".
Instado a comentar, o Presidente da República recusou pronunciar-se, uma vez que o caso se encontra em segredo de justiça, mas acrescentou que a Justiça deve funcionar e que todos temos direito à presunção de inocência...
Entretanto, o presidente da direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público revelou ter conhecimento de pressões do Governo, visando evitar a abertura do inquérito, que qualificou de inadmissíveis, mas recusou-se a revelar pormenores.
José Sócrates, de visita à Líbia, classificou as acusações de ridículas, mas a verdade é que foi visto a rir, à gargalhada, enquanto ouvia o relato do jogo, com um transistor emprestado, o que não poderá deixar de ser considerado como circunstância agravante no respectivo processo judicial...

LEMBRAR AYRTON


No dia em que Ayrton Senna comemoraria os seus 50 anos, não poderia deixar de evocar a sua morte, naquele trágico acidente em Imola, durante o Grande Prémio de San Marino, em 1994.
Por ironia do destino, aquele que só a morte impediu que se tornasse no maior piloto de fórmula 1 de todos os tempos acabaria por dar um decisivo contributo para a melhoria das condições de segurança nas pistas.
Depois da sua morte a fórmula 1 nunca mais teve o mesmo encanto...

sábado, 20 de março de 2010

A ARCA DE NOÉ...


A piada política, criticando o governo, é coisa universal.
Algumas, pela sua graça, acabam por se internacionalizar, trocando-se apenas a nacionalidade e as siglas, em função do país a que se aplicam.
A piada que transcrevo abaixo, recebi de um amigo brasileiro e é das tais que merece internacionalização. O Noé brasileiro podia ser português ou de um qualquer outro país...
Mas antes de passar à transcrição, não posso deixar de referir o quanto considero curiosa a afinidade existente entre brasileiros e portugueses em matéria de crítica ao seu país e ao seu povo. Digamos que a nossa auto-estima não é brilhante, longe disso, ao contrários dos nossos vizinhos argentinos e espanhóis, respectivamente.
Mas não deixa de ser interessante notarmos que, se formos nós a dizer mal do que é nosso, está tudo bem, mas ai do vizinho que se atreva a reproduzir o que nós dissemos...
Pensando bem, até nem deixa de ser natural este comportamento dos brasileiros. Tiveram bons professores...

A ARCA DE NOÉ


Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:
- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira.
No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:
- Onde está a arca, Noé?
- Perdoe-me, Senhor suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas:
Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura , mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha para eleição do prefeito.
Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros ...
O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário.
Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira.
Eu disse que eram ordens SUAS, mas eles só queriam saber se eu tinha um "Projeto de Reflorestamento " e um tal de "Plano de Manejo ".
Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável " e eu acabei tendo que matar o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda.
Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção.
Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano.
Veio em seguida a Receita Federal , falando em " sinais exteriores de riqueza " e também me multou.
Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o " Relatório de Impacto Ambiental " sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil.
Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico!
Sorte que o INSS estava de greve....
Noé terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava perguntou:
- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?
- Não! - respondeu a Voz entre as nuvens
- Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde! O governo já se encarregou de fazer isso!

sexta-feira, 19 de março de 2010

A DOR DE CABEÇA...



Com o meu pedido de desculpas pela brejeirice do "cartoon", devo reconhecer que não resisti a publicá-lo aqui, atendendo à sua adequação ao tema.
Aqui fica uma piada para ajudar à boa disposição, no início de mais um fim de semana.

Velório do Zé

Uma mulher chegou em casa e disse para o marido:
- Zé, lembra das enxaquecas que eu costumava ter toda vez que nós íamos fazer amor? Estou curada.
- Não tem mais dor de cabeça?!?! O marido perguntou espantado.
A esposa respondeu:
- Minha amiga Margarete me indicou um terapeuta que me hipnotizou.. O médico me disse para ir para frente do espelho, me olhar bem no espelho e repetir para mim mesma: Não tenho mais dor de cabeça, não tenho mais dor de cabeça, não tenho mais dor de cabeça.
Fiz isso e a dor de cabeça parece que sumiu.
O marido respondeu:
-Mas que maravilha!
Então a esposa falou para o marido.
- Nos últimos anos você não anda muito interessado em sexo. Por que você não vai ao terapeuta e tenta ver se ele te ajuda a ter interesse em sexo novamente?
O marido concordou, marcou uma consulta e alguns dias depois estava todo fogoso para uma noite de amor com a esposa...
Então foi correndo para casa e entrou arrancando as roupas e arrastando a esposa para o quarto. Colocou a esposa na cama e disse para ela:
- Não se mova que eu já volto. Ele foi ao banheiro e voltou logo depois, pulou na cama e fez amor de maneira muito apaixonada como nunca tinha feito com a esposa antes.
A esposa falou:
- Zé, foi maravilhoso!
O marido disse novamente para a esposa:
- Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro e a segunda vez foi muito melhor que a primeira. A mulher sentou-se na cama, a cabeça girando em êxtase com a experiência.
O marido disse outra vez:
- Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro...
Desta vez a esposa foi silenciosamente atrás dele e quando chegou lá o marido olhava para o espelho e dizia:
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa...
O velório do Zé será amanhã na capela 13 do cemitério da Saudade.

MAIS VALE TARDE...

"A Federação Portuguesa de Futebol deixou de ter estatuto de utilidade pública. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira, por despacho do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Na origem do despacho está a inadequação dos estatutos aos Regime Jurídico das Federações Desportivas."
Assim é dada a notícia, através da página, na internet, da TVI24_iol.
Já não era sem tempo, digo eu, na medida em que há muito se conhece a resistência das Associações à adequação dos Estatutos da FPF ás exigências do novo Regime Jurídico.
No dia 19 de Julho do ano passado escrevi, aqui, um texto, sob o título " E AGORA ?", que passo a transcrever:

Como já era esperado, a Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol chumbou o projecto de novos estatutos, na generalidade, não tendo chegado a ser votados na especialidade.
A obrigatoriedade de reformular os estatutos da Federação resulta da aprovação da Lei de Bases do Desporto, lei 5/2007, em consequência da qual viria a ser aprovado o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas, decreto-lei 248-B/2008, que prevê que a adequação tenha lugar até ao próximo dia 27 de Julho.
A proposta apresentada pela FPF, que terá tido como base os estatutos da FIFA e da UEFA, previa o reforço dos poderes da Direcção, em particular, do presidente e do secretário-geral, ao mesmo tempo que reduzia os que competem á assembleia geral.
Mas o elemento determinante do "chumbo" parece ter sido a perda de peso relativo, por parte das Associações Regionais e Distritais, porquanto passariam a dispor de 22 votos, em 63 possíveis, contra os actuais 250 em 500.
A AF Porto, que conta com maior número de votos, 37, já tinha feito saber que iria votar contra e encabeçava um movimento visando a rejeição do projecto. E não deixa de ser interessante que seja o Dr Lourenço Pinto o porta-voz dos descontentes...
Com esta rejeição, a Federação Portuguesa de Futebol sujeita-se a perder o estatuto de utilidade pública desportiva, coisa que não parece preocupar os dirigentes das Associações, que já ponderavam a impugnação, em caso de aprovação.
As perguntas que se me afiguram mais óbvias, são as seguintes:
Com tanto tempo para procederem á revisão, porque não foi possível obter um consenso ?
Estaria qualquer processo condenado, á partida, porque o objectivo era não aceitar a perda de representatividade das Associações, prevista no RJFD ?
Porque motivo se defende que as Associações Distritais e Regionais, devem continuar a ter maior número de votos do que as Ligas de Futebol, profissional e não profissional, no seu conjunto ?
Porque continuam, os dirigentes, a utilizar a expressão "movimento associativo" para se referirem, apenas, ás Associações Distritais e Regionais ? E as restantes ? As Ligas não são um movimento associativo ? E o sindicato dos jogadores ?
A menos que me convençam do contrário, este chumbo está, directamente, relacionado com o controlo da FPF e com o domínio do futebol português. E quem está no poder, raramente o abandona de livre vontade...
Resta saber se o Governo fará, ou não, mais uma concessão aos "homens do futebol"...

As perguntas que então colocava continuam a ser pertinentes, mas verifico, com satisfação, que o Governo não cedeu aos interesses de alguns senhores do futebol.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

QUE VENHA O PORTO...



Na Tasca do Manuel, na aldeia do Fala Só, em plena serra algarvia de Monchique, o Compadre Zé, alentejano, agricultor e reconhecido benfiquista, conversava com Mestre Luís, homem do mar, algarvio e sportinguista dos quatro costados.
-Ontem tiveram azar, vocemecês. Bem que eu lhe dizia que de Espanha, nem bom vento nem bom casamento...
-Tem razão, Compadre Zé, tem razão. Até que nem jogámos mal mas aquele filho de uma magana do Aguero acabou por nos estragar a festa.
-Pois é, Mestre Luís, é como ê lhe digo, os espanhóis tã sempre prontos pra nos estragar a festa.
Mas o mê Glorioso esteve a grande nível, vocemecê nã acha? Que bela exibição fizeram aqueles moços...
-Verdade, um jogo que deu gosto ver, sim senhor. E para usar um ditado dos nossos, lá se ficaram os franceses a ver navios...
-Essa agora teve boa, ó Mestre Luís, só mesmo um homem do mar para se alembrar dum ditado tã apropriado à situaçã. E já agora, que os ingleses, que sã povo de marinheros, possam meter água suficiente pra que o mê Benfica possa chegar às meias finais.
-Pois que assim seja, já que aqueles maganos do meu Sporting se ficaram pelo caminho...
-Agora que venha o Porto, no domingo, e que o Jesus volte a encontrar a táctica adequada.
-Cuidado Compadre Zé, cuidado, que as coisas com o Porto fiam mais fino...
-Lá tá vocemecê a agoirar. Nunca entendi porque é que vomecês tã sempre a defender os de lá de cima, quando eles tã sempre prontos pra vos enterrare, mas enfim...
-São coisas antigas Compadre Zé, coisas antigas. Do tempo em que o meu Sporting tinha que dividir os títulos com os marafados dos benfiquistas. As coisas mudaram entretanto mas a rivalidade manteve-se.
-Vocemecês preferem que o Benfica perca a que o Sporting ganhe, mas assim nã vão longe nã...
-Também não exagere, ó Compadre, mas que a gente gosta de ver o Benfica perder, lá isso é verdade.
-Pois nã vã ter sorte nenhuma, Mestre Luís, nã vã ter sorte nehuma, que este mê Benfica, este ano, está uma verdadêra máquina de futebole...
E lá se ficaram a conversar, para matar o tempo, enquanto aguardavam a chegada do Carlos da Drogaria, setubalense e adepto do Porto, para fazerem a habitual partida de dominó.

quinta-feira, 18 de março de 2010

NERVOSO MIUDINHO...


Manecas Barbeiro e Nando Farmacêutico estavam sentados na sua mesa habitual e a conversa entre eles parecia mais calma do que era costume.
-Não vai ser nada fácil, mas eu estou confiante. Mas a verdade é que os tipos jogam à bola, não são pêra doce, comentava o Manecas, com ar pensativo.
-Tens razão, o Marselha é complicado, mas deixa estar que nós também não estamos melhor. O resultado em Madrid não foi mau, mas um empate sem golos é um resultado tramado. Se os tipos marcam, a coisa complica-se. Mas vamos ter esperança, acrescentou o Nando, porque temos ambos possibilidades de passar.
-Eu confio no Jorge Jesus. Pode não falar aquela linguagem que agrada aos intelectuais, mas a verdade é que deu a volta ao Benfica e ganhar em Marselha não é nada demais...
-Eu também tenho fé no Carvalhal, que até tem feito um bom trabalho. Aliás, é uma vergonha que a direcção não tenha desmentido, imediatamente, a notícia da contratação do tal assessor do Mourinho, numa altura destas. Se derem tempo ao homem ele pode mostrar aquilo que é capaz, comentou o Nando.
-Tens razão, mas sabes como são estas coisas da bola. De besta a bestial é um instantinho e os treinadores estão sempre no fio da navalha. Quando corre mal o treinador é que paga as favas. É assim em todo o lado. Mas olha que eu também não sei o que vai acontecer com o Jesus, pois ele ainda não renovou o contrato...
-Só se vocês forem doidos é que não renovam com o homem, depois da época que o Benfica está a fazer. Bem sei que ainda não ganharam nada, mas há muito tempo que o Benfica não jogava assim. E isso é mérito dele, essa é que é essa.
-Eu sei, eu sei, mas esta coisa da bola tem razões que a razão desconhece...
-Enfim, a verdade é que o dia de hoje é decisivo para a continuação dos nossos na Liga Europa e, apesar de estar confiante, tenho um nervoso miudinho a apoderar-se-me do estômago, confessou o Nando.
-Nem me fales, que eu estou na mesma. Até o jogo começar é uma nervoeira danada....
-Olha, vamos mas é á vida, para ver se o tempo passa mais depressa, atirou o Nando sem conseguir esconder a ansiedade.
-Vamos embora! E tenhamos fé, que essa é sempre a última coisa a perder...
Separaram-se, ambos apreensivos mas esperançados na vitória dos seus clubes.
De repente, o Manecas parou, e voltando-se para trás atirou:
-Ó Nando, já viste que hoje nem discutimos? Se isto já se viu, um benfiquista e um "lagarto" a falarem de bola sem haver discussão...
E lá se foi, sorrindo, comentando com os seus botões:
-Que raio de nervoso miudinho...

quarta-feira, 17 de março de 2010

VELHO ? SORRIA !




Ao ler o jornal i de hoje concluí que, para a maioria dos portugueses, deixei de ser jovem aos 29 anos e desde os 51 que passei à categoria de velho, segundo um estudo divulgado pela universidade de Kent, no Reino Unido.
Confesso que integrar a terceira idade a partir dos 51 nunca me tinha passado pela cabeça, tanto mais que me parece evidente que, nos países desenvolvidos, os velhos de hoje são cada vez mais novos.
Admitia eu, embora erradamente, que a velhice tivesse início aos 60 anos, idade a partir da qual o jornal local, em caso de atropelamento, deixa de mencionar o nome do sujeito para passar a referir-se a mais um sexagenário.
Mas fiquei também a saber que, aos 56 anos sou "quase velho" no Reino Unido, mas se vivesse em Chipre teria sido jovem até aos 45, o que me colocaria em plena "meia-idade".
Voltei a ler o artigo, com mais cuidado, e respirei de alívio. Afinal não se trata de nenhuma conclusão científica, mas apenas da opinião dos povos da Europa quanto ao momento em que se inicia cada uma das diferentes fases da vida. Ah grandes cipriotas !
Segundo os nossos, cá no burgo envelhecemos mais depressa, o que nem é de espantar num país que ri pouco e onde as pessoas se levam demasiado a sério.
A minha avó Rogélia, que dizia que velhos são os trapos, viveu até aos 90 anos, riu e mangou até ao fim da vida, sempre com um espírito mais jovem do que muitos jovens que eu conheço.
Por isso vou continuar a procurar atrasar a chegada da velhice e a rir, rir muito, procurando melhorar a capacidade para me rir de mim próprio e contrariar as conclusões da maioria.
A maioria nem sempre tem razão...

ORIGINALIDADES...

Tiger Woods acaba de anunciar o seu regresso ao golf, em Abril, para disputar o Masters em Augusta.
Depois de uma paragem de cerca de dois meses, para se submeter a tratamento terapêutico, devido à descoberta das suas infidelidades conjugais, Woods reconciliou-se com a mulher e vai voltar à sua profissão.
Confesso que achei patético o pedido de desculpas público de Tiger Woods quando anunciou que ia suspender a prática do golf, assim como me parecem totalmente descabidas as justificações sobre a sua vida pessoal, agora que que anuncia o seu regresso.
Salvo melhor opinião, as infidelidades de Tiger Woods apenas dizem respeito ao próprio e à sua mulher, e a ideia de se submeter a terapia porque sente uma irresistível atracção por mulheres, para além de risível, é preocupante...
Correndo o risco de não ser politicamente correcto, atrevo-me a perguntar o que aconteceria se Tiger Woods tivesse anunciado que era homossexual e tinha tido relações com vários homens?
Os seus patrocinadores teriam, sequer, considerado a hipótese de lhe retirarem os patrocínios?
Alguém se atreveria a sugerir que suspendesse a prática do golf para se submeter a tratamento terapêutico?
Parece-me claro que a resposta a estas perguntas é, naturalmente, negativa. Até porque ser homossexual é hoje a coisa mais natural do mundo, enquanto que um homem gostar de mulheres a ponto de ser infiel à sua esposa passou a ser, pelos vistos, uma doença grave, que obriga à suspensão da profissão e exige tratamento terapêutico adequado...
Não me consta que alguma figura pública americana, homem ou mulher, tenha sido aconselhada a submeter-se a tratamento terapêutico por reconhecer práticas homossexuais e pagava para ver as reacções a semelhante sugestão...
Na Europa, por enquanto, a infidelidade conjugal ainda se vai resolvendo sem recurso a tratamento terapêutico, mas a avaliar pela velocidade com que estas coisas se propagam, neste mundo globalizado em que vivemos, não tarda que não tenhamos clínicas suficientes para tratar a rapaziada que dá umas "facadinhas" no casamento. Com mulheres, bem entendido...

terça-feira, 16 de março de 2010

SAUDADE...


Falando de cinema e de actores, acabo de saber que morreu Peter Graves, que participou numa das séries televisivas mais marcantes da minha juventude, Missão Impossível.
Relembrar essa série televisiva, em que o actor participava integrando uma equipa de especialistas em alta tecnologia, remete-me para as transformações ocorridas durante a segunda metade do século XX e para o quanto me considero um privilegiado por por ter vivido essa época...
Aqui fica a minha homenagem e o meu agradecimento pelo muitos e bons momentos televisivos que me proporcionou.
Que descanse em paz!

O CINEMA...




Gosto muito de cinema, mas não percebo nada. Sou um perfeito desastre.
Com excepção de um ou outro grande clássico, raramente me lembro do nome dos filmes que vi, assim como tenho uma enorme tendência para baralhar os nomes dos actores, dos poucos que conheço, mesmo os mais famosos. E saber quem participou ou dirigiu os filmes, isso então nem pensar.
O que me deixa mais tranquilo é saber que esta falta de memória não se deve à idade, já que sempre fui assim desde jovem, apesar de achar engraçado ver a desenvoltura com que alguns amigos meus falavam dos filmes e dos principais intervenientes.
Com a idade, passei a detestar filmes violentos ou que me deixem incomodado, pelo que as minhas idas ao cinema passaram a constituir exercícios de boa disposição.
Mas gosto de ler algumas crónicas sobre cinema e de saber o que pensam os especialistas, apesar de tudo o que referi anteriormente.
É neste contexto que me deparei com a crónica de Arnaldo Jabor, caricaturado acima, publicada hoje no jornal Estado de São Paulo, sobre o que deve ser o cinema, que me tocou muito e por isso aqui passo a reproduzir, esperando que possam gostar tanto quanto eu.

Cinema tem de exaltar a vida

Em 1990, filmei Amor à Primeira Vista, uma coprodução franco-italiana para a TV que nem passou aqui. Depois, parei ? de saco cheio de tanta ansiedade e frustração, os dois sentimentos básicos do cineasta.
As pessoas pensam que filmar é um piquenique. De vez em quando, algum "desconhecido íntimo" me perguntava: "Como é? Quando vai filmar de novo?" Eu respondia: "Sei lá..." E o sujeito continuava: "Adorei aquele seu filme, o Bye Bye Brasil!.... "Não é meu" , resmungava. "Ahh... Cineasta é tudo igual... Aliás, vocês levam um vidão, hein?" E me cochichava, com sórdida cumplicidade: "Vocês comem atrizes às pampas, hein?" E eu, como um "Casanova" discreto: "Nem tanto... nem tanto..." ? e fugia, sob a inveja do cara.
Passei 25 anos olhando o mundo através de ângulos de cinema: "Aquela mulher com uma lente 75 mm daria um close lindo, aquele casal correndo da chuva seria um travelling legal..."
Agora, matei a fome, pois não aguentava mais ficar apenas um comentarista vendo o horror do mundo, as vergonhas nacionais. Adoro o vasto mundo do jornalismo e TV. Mas, só política envenena a alma. Digo sempre: "É feito trabalhar no Instituto Butantã... um dia a cobra te morde..."
Agora, 20 anos depois, estou acabando A Suprema Felicidade, um filme que se passa nos anos dourados do Rio, entre 1950 e 60. E não é para "conscientizar" ninguém.
Na época do Cinema Novo, vivíamos uma arte que "salvaria" o século, "mudaria cabeças"; buscávamos o chamado "específico fílmico", utopia de imagem a ser atingida.
Neste filme só falo das coisas que conheci e vivi. Como dizia o Fellini: "A única objetividade que conheço é a subjetividade." Filmei por amor à arte, essa coisa meio antiga, neste mundo atual onde os filmes só têm cenas de três segundos, delirantes maneiras de você ver muito para nada ver. O antigo "autor" ou "diretor" virou um guarda de trânsito para atores: "Vai por ali, vem por aqui..."
O filme que fiz não quer provar nada. Claro que gostaria que fosse uma defesa quase "ecológica" contra a cultura de massas. Mas, quem sou eu, para desejar tanto?
No entanto, há sinais de que talvez comece uma renascença artística se parindo do mundo digital. Por isso, amei o Avatar ? a primeira superprodução em que a tecnologia ficou a serviço da poesia. Acho que Alice, do Tim Burton, também vai ser assim. Avatar é um filme de autor. Existe ali um grande amor ao cinema, como no último Tarantino, como nos anos 60, quando fazer cinema era paixão.
Lembro-me da última vez em que vi o cineasta francês Louis Malle, no Rio. Falamos dessa paixão, da fumaça dos cigarros Gauloises, dos paletós surrados dos cinéfilos de Paris, dos papos-cabeça da nouvelle vague, da magia do preto e branco, da aura sagrada que os cinemas de "shopping centers" exterminaram, entre pipocas e cachorros-quentes, esse cinema que hoje é uma extensão das praças de alimentação.
Meses depois, Malle morria de câncer, como o Truffaut.
O cinema sempre buscou as massas; não vivia em guetos como a poesia ou pintura, mas tinha uma fome de "arte", visível mesmo nos filmes "comerciais", como Cantando na Chuva.
Sem esse amor, cinema é um videogame em que somos as peças. Por isso, me lembro também de Humberto Mauro, o grande cineasta-fundador dos anos 20 e 30 que criou uma definição famosa sobre a antiga Sétima Arte: "Cinema é cachoeira..." Por que ele dizia isso? Já contei, mas repito.
Quando ele fazia seus filmes em Cataguazes e na Cinédia do Rio, todo amigo que ele encontrava na rua dizia: "Humberto, meu querido, você precisa ir lá no meu sítio filmar a minha cachoeira. Você precisa ver que cachoeira!" E o Humberto Mauro ficava intrigado: "Por que sempre querem que eu filme cachoeiras?"
Um dia, ele deu uma palestra num cineclube e um jovem lançou-lhe a pergunta essencial: "Seu Mauro... qual é a alma do cinema?" Aí, o velho cineasta cunhou a definição eterna: "Cinema, meu filho, é... cachoeira!"
Tentei filmar assim: o fluxo da afetividade, da tentativa de alegria, do desejo de felicidade. Tentei um filme de aventuras emocionais. Arte tem de ser exaltação da vida. E hoje tudo está tão falso, tão virtual que imagino que alguma personagem poderia sair da tela, como na Rosa Púrpura do Cairo, e perguntar: "Hei!... Vocês aí ? afinal, o que é (ou era) a realidade?" E nós responderíamos: "Realidade" é esta coisa aqui fora e dentro de nosso corpo, fluindo sem parar, é esse rio de signos, essa ilusão dos sentidos, esse mistério que teimamos em deslindar inutilmente, pois fazemos parte dele. "Realidade" é esta coisa sempre além da ciência, sempre além do sentido, do tempo e do espaço, inatingível, pois estamos todos boiando num infinito caldo de cultura, onde "parece" que boiamos; apenas "parece", pois somos também o caldo onde boiamos. A mosca e a sopa são a mesma coisa.
Quanto mais se fazem descobertas, mais fundo é o túnel do mistério. Quanto mais aberta for a máquina do mundo, mais vazia e indecifrável.
Por isso, a melhor metáfora para o cinema é a cachoeira mesmo ? uma água que não para de fluir. Não há uma realidade que finalmente se detenha e se configure; buscá-la, tanto no cinema como na filosofia, é fracasso certo. Não há arte ou filme que dê conta do implacável fluir dessa cachoeira que se chama "vida". O drama dos séculos tem sido a tentativa de se alcançar uma resposta estática.
A própria ideia de "paraíso" na Terra esconde (ou comprova) o desejo de parar o espaço e o tempo. O "paraíso" seria um lugar onde não houvesse a morte ? nem cinema. Não há "cinema paraíso" (por isso, aquele filme italiano é tão ruim).
Somos uma cachoeira contemplando a outra. Nossas ações têm esse fracasso fundamental: jamais veremos um fim ou um início.
Cinema e vida são cachoeiras, como descobriu Humberto Mauro.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A LEI DA ROLHA


Procurei acompanhar o que se passou no congresso do PSD, apesar de não ser seu simpatizante, para tentar perceber quem poderá vir a ser o próximo presidente do partido e, eventualmente, primeiro-ministro de Portugal, num futuro mais ou menos distante.
Globalmente, não dou como perdido esse tempo, apesar de não me identificar com muito do que ouvi e vi, porque fiquei mais esclarecido quanto ao que se joga, de facto, no PSD, neste processo eleitoral.
Mas não vou aqui fazer uma avaliação do congresso e muito menos dos candidatos, até porque num país que deve ter um dos maiores índices de analistas políticos por metro quadrado, qualquer análise que eu efectuasse nada acrescentaria ao que já foi dito e escrito a esse respeito.
Mas ficaria de mal comigo se deixasse passar em claro o facto de um partido democrático ter aprovado, em congresso, uma lei que impede os seus militantes de criticar os dirigentes durante os 60 dias que antecedem um acto eleitoral.
Choca-me, confesso, que tenha sido Pedro Santana Lopes, por quem tenho simpatia pessoal e considero um democrata convicto, a fazer semelhante proposta, mas choca-me mais ainda que os militantes possam ter aprovado semelhante disparate, que a todos devia envergonhar, que não honra a história do partido.
E não resisti a pensar que, no momento da aprovação, Francisco Sá Carneiro deve ter dado uma volta no túmulo...

domingo, 14 de março de 2010

REFLEXÃO



Uma excelente mensagem do Dalai Lama, que merece reflexão...

sábado, 13 de março de 2010

A PRETEXTO DO CONGRESSO DO PSD...


Começou mais um Congresso do PSD ou, como diz Pedro Santana Lopes, do PPD/PSD.
A abrir, Rui Machete afastou logo a possibilidade de se encurtar a sua duração, colocando um ponto final na polémica das últimas 24 horas. A montanha parira um rato!
A decisão deixa mais tempo para a exaltação das virtudes do partido, para desancar o governo e o primeiro-ministro, para os jantares e almoços dos delegados, e dá aos candidatos a líderes mais tempo de exposição mediática, tudo justificando a aprovação por aclamação.
É assim em todos os partidos e em todos os países democráticos.
Os candidatos à liderança justificarão a candidatura com as preocupações com o futuro do país, dos portugueses, da integridade e da ética na política, enfim, um conjunto de bons princípios mas que escondem o que realmente os move: o Poder.
O que não deixa de ser estranho, na medida em que o poder é a essência da política e o que distingue a boa da má apenas depende da utilização que se lhe dá.
Na política, como no futebol, o objectivo é ganhar e convém não esquecer que só ganhando se consegue fazer obra...
Dir-me ão alguns que a política é mais nobre e altruísta do que o futebol, mas atrevo-me a contrapor que a finalidade é basicamente a mesma, ou seja, conquistar o poder e utilizá-lo ao serviço de pessoas e grupos, com o cuidado de evitar exageros que possam levar ao seu afastamento...
Existe nos chamados "partidos de poder" uma forte correlação entre o designado interesse nacional e dos cidadãos e a vontade de conquista e permanência no poder, sendo que muitas das suas práticas estão subordinadas à concretização desse objectivo. Esta é uma regra que, a meu ver, não tem excepção, em Portugal.
Já nos restantes partidos, como demonstrou o exemplo do PRD, é outro o objectivo, sendo tudo muito bonito até chegarem "lá", mas "depois é que são elas"...
Ferreira Leite, embora bem intencionada, teve uma liderança fraca, um género de Constâncio do PSD, sendo curioso que tenha conquistado o poder interno com um discurso baseado na credibilização da política e saia dizendo exactamente a mesma coisa....para consumo interno!
A defesa da ética e da integridade são insuficientes em política e Ferreira Leite nunca demonstrou uma verdadeira vontade de conquistar o poder pelo poder, Isso foi-lhe fatal.
Fez-me lembrar alguns presidentes de clubes de futebol, que fazem grandes declarações de ética no desporto, clamam pela verdade desportiva, mas não ganham nada. Um belo dia começam a ser vaiados pelos adeptos e acabam por sair pela porta dos fundos, embora acompanhados de grandes discursos e homenagens. enaltecendo o seu comportamento, até por parte daqueles que mais contribuíram para a sua queda...
Uma vez afastados, conseguem a unanimidade e o respeito, pelos princípios que defendiam, porquanto nós, portugueses, nos honramos de respeitar a memória dos mortos...




sexta-feira, 12 de março de 2010

QUEM RI NO FIM...

O Nando Farmacêutico acordara de bom humor.
A manhã de sol, aliada ao empate do seu Sporting, na véspera, ante o Atlético de Madrid, contribuíam para a boa disposição que evidenciava.
Dirigiu-se ao Café Central, desta vez com a certeza de que não teria de se submeter às bicadas do Manecas Barbeiro, já que o Benfica empatara, em casa, com o Marselha, resultado que não estava nas previsões do benfiquistas...
-Ora muito bom dia para todos, disse o Nando, mal entrou no Café Central.
-Bom Dia Nando, respondeu-lhe o Silva. Já vi que estás muito bem disposto.
-É verdade, ó Silva. Com este sol maravilhoso e o empate do meu Sporting em Madrid, só podia estar bem disposto. O Manecas já cá esteve?
-Ainda não, mas não deve tardar. Queres um cafézinho?
-Claro que sim. Vou passar os olhos pelos jornais, enquanto espero pela chegada do Manecas.
O Manecas não demorou a chegar dirigindo-se, depois de cumprimentar os presentes, para a mesa onde se sentara o Nando.
-Bom dia lagartão. Deves estar ufano com o resultado de ontem. Não foi nada mau. Nem parecia o Sporting! disparou o Manecas, não resistindo à bicada do costume.
-É claro que estou ufano sim e tenho bons motivos para isso. Já vocês borraram a pintura no último minuto. Achavam que era o Paços de Ferreira, mas enganaram-se. E não vai ser fácil ganhares lá em Marselha.
-Lá isso é verdade, o nosso resultado não foi grande coisa. Mas o Jesus vai encontrar a fórmula mágica para passarmos a eliminatória.
-Estás cheio de confiança, ó Manecas. Vê lá mas é se o Jesus encontra a fórmula para ganhares ao Nacional da Madeira, ou ainda vês o campeonato por um canudo, zombou o Nando.
-Lagartinho, deixa-te de conversa fiada. Ainda tens a lata de falar dos jogos do campeonato, quando estás a lutar para o quarto lugar? Vocês é que têm que se pôr a pau, ou este ano não ganham nadinha, ripostou o Manecas.
-Brinca, brinca, mas com tanta confiança ainda correm o risco de não ganharem nada. Aguardemos...
-Pois podes aguardar á vontade, mas aguarda sentado, para não te cansares...
E levantaram-se para irem á sua vida, sendo que desta vez foi o Nando quem pagou os cafés.
Já na saída, antes de se separarem, o Manecas Barbeiro não resistiu:
-Ó Nando, olha que no futebol, como na vida, quem ri no fim ri melhor!
E alargou o passo para nem ter de ouvir a resposta...

quinta-feira, 11 de março de 2010

POR CAUSA DAS TOSSES...

O Monas Picheleiro entrara no Café Central com um ar macambúzio.
A pesada derrota sofrida pelo seu clube, o FCPorto, face ao Arsenal, em Londres, afastando-o da Liga dos Campeões, tivera um efeito demolidor no seu estado de espírito.
-Vom dia, amigo Silba.
-Bom dia Monas. Estás em baixo homem.
-Bocê nem me diga nada, carago. Num é caso para menos. Bocê num acha? Atão num é que aqueles caraças resolberam andar a dormir, logo num jogo daqueles? queixou-se o Monas.
-Deixa lá isso homem. Essas coisas acontecem a todos. É só um jogo de futebol, não te amofines por isso que ele há coisas bem mais importantes na vida...
-Tá bem ó Silba, até que eu entendo o que bocê diz, mas lá que custa muito, custa, carago...
Enquanto a conversa decorria, o Manecas Barbeiro tinha entrado no Central, sorrateiramente,
colocando-se ao lado do Monas, junto ao balcão.
-Bom dia meus senhores. Tudo bem?
-Bom Dia Manecas, tudo bem sim, embora aqui o Monas esteja um bocado em baixo.
-Ai que canudo, só me faltaba este "lampião"...
-Bom dia para ti também, ó Monas, respondeu-lhe, sarcástico, o Manecas.
-Vom dia, desculpa. Mas é que já estaba a imaginar o que aí bem...
-Mas aconteceu alguma coisa? Estás com algum problema? ripostou o Manecas, sem conseguir esconder um sorriso maroto, enquanto piscava o olho ao Silva.
-Olha-me este macacão...Bocê já biu isto, ó Silba? Danadinho pra me amolar o juízo com a derrota de ontem e a fazer-se de nobas...
-Eu? Amolar-te o juízo por causa disso? Nem pensar! Tu até sabes que eu torço sempre por todos os clubes portugueses em jogos internacionais, para que é que estás praí com essa conversa?
-Vem, lá isso é berdade, sim senhor, tenho que admitir. É que pensei que me ias chatear com isso, ó Manecas, e eu já estou em vrasa. Sabes como é...
-Claro que sei, ó Monas, mas por uma questão de princípio, nunca te faria uma coisa dessas.
-Tu? Num fazias? Fazias lá agora...Tás sempre a aprobeitar para dares a vicada...
-Sabes como é, nós, as águias, somos assim, mas nunca em jogos internacionais e quando a tareia é muito grande, como a de ontem...
-Olha agora... Num querem lá ber este...Agora birou santo!
-Santo? Eu? Nada disso, que santo eu sei que não sou. Sou é homem de bons princípios...
-Tá vem tá...
-E o meu pai ensinou-me que é feio bater em mortos, exclamou o Manecas, soltando uma gargalhada.
-Ah meu "lampião" duma figa... Eu savia que num eras homem para te conter. Eu é que sou parbo em ir na tua conbersa...
-Deixa lá isso, homem, estava a brincar. Eu sei que custa quando as coisas correm assim tão mal. Também já nos aconteceu...
Fez-se silêncio, durante uns segundos, com os dois relembrando algumas cabazadas que os seus clubes tinham levado...
-Bem, meus senhores, vou indo, que se faz tarde, disse o Manecas, interrompendo o silêncio, para alívio do Monas.
-Desta já eu me safei, pensou. E o "lampião" até que nem se portou mal desta bez...
O Manecas despediu-se, dirigiu-se para a porta e parou. Voltando-se para trás, disparou:
-Ó Monas, queres ir ver o Glorioso lá a casa, para aprenderes como é que se joga á bola? A propósito, eu não gostei que vocês perdessem, mas já que teve de ser, ainda bem que levaram cinco, que é por causa das tosses...
E desapareceu, para nem dar a possibilidade ao Monas de soltar a sua ira...

segunda-feira, 8 de março de 2010

A TRIBUTAÇÃO DAS MAIS-VALIAS EM BOLSA


Conhecem-se agora as principais linhas do PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento, cuja discussão deve ocupar uma boa parte da agenda económica nacional nos próximos dias.
Muitos e eminentes economistas irão pronunciar-se sobre o documento apresentado, pelo que não faz sentido que um simples licenciado em gestão, pelo antigo ISE, se atreva a dar palpites sobre o Programa.
Quero apenas partilhar a minha opinião, a propósito da tributação das mais-valias bolsistas.
Tendo o Estado necessidade de se financiar, parece-me legítimo que tribute os ganhos gerados em Bolsa, tal como faz com outras mais-valias, sendo certo que o nível de tributação deve ter em conta o que se passa nos outros países europeus.
O Governo anunciou que o Estado vai passar a tributar as mais-valias bolsistas á taxa de 20%, em linha com a média europeia, sendo natural que se assista a uma retracção por parte dos investidores, antes que sobrevenha a normalidade.
Até aqui, nada de surpreendente.
O que eu não entendo é porque é que os nossos Governos, e não apenas este, insistem em tributar as mais-valias bolsistas, cuja determinação é complicada, até para os contribuintes, quando dispõem de um meio bem mais expedito e eficaz para atingirem o mesmo objectivo.
Bastava onerar todas as transacções de compra em Bolsa com uma taxa, imaginemos 0,5 por mil, montante que seria retido na fonte, para atingirem o efeito pretendido, de forma bem mais rápida e simples.
Se tomarmos por base o mês de Janeiro, e considerarmos apenas as operações no mercado secundário "a contado", cujo volume transaccionado foi ligeiramente superior a 13.000 milhões de euros, podemos admitir que metade desse montante correspondeu a compras, ou seja, € 6,5 mil milhões, Se a esse montante aplicarmos uma taxa de 0,5 por mil, chegamos a € 3, 25 milhões, que seria o valor da receita a arrecadar pelo Estado nesse mês.
Numa conta "de merceeiro", multiplicando os € 3,25 milhões pelos 12 meses do ano, verifica-se que a adopção deste método permitiria ao Estado arrecadar € 39 milhões, só no mercado "a contado", e o raciocínio deve ser alargado ás transacções fora de Bolsa, de derivados e do mercado obrigacionista, chegando-se a valores substancialmente superiores.
Não dispondo de dados relativos ás receitas do Estado com mais-valias bolsistas, atrevo-me a sugerir que o encaixe gerado pelo método proposto superaria, amplamente, aquele que o Estado irá obter pela via do actual sistema, mesmo com a aplicação da taxa de 20%.
Acrescento, apenas, que a taxa a aplicar poderia ser bem superior á que consta do meu exemplo, mas o objectivo é reflectir sobre a metodologia e nada mais do que isso.
Dir-me-ão alguns que a minha sugestão tem a desvantagem de tributar todos os investidores, independentemente das mais-valias geradas pelas operações que realizam, enquanto os ganhos bolsistas continuariam a não ser tributados.
Concedo isso, mas quando o objectivo é aumentar a receita fiscal e se conhecem as dificuldades em apurar e tributar o resultado destas operações, pergunto-me se não faria sentido privilegiar os aspectos práticos em detrimento das questões ideológicas/sociais, minimizando o risco de deslocalização dos investimentos por via do sistema fiscal.
Afinal, são muito poucos os portugueses com dinheiro para investir em Bolsa, pelo que talvez esta medida acabasse por não se revelar tão injusta quanto isso...









CONSELHOS PARA UMA BOA RELAÇÃO...


Neste Dia Internacional da Mulher são muitas as mensagens que recebi, relacionadas com o tema.
Uma delas, que me fez rir a bom rir, reproduz um e-mail de Arnaldo Jabor, cineasta e escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro, em 1940, onde o autor faz apelo ás mulheres "inteligentes".
Jabor dá a sua "receita" para que as mulheres possam entender, definitivamente, os homens brasileiros, particularmente os baianos, num texto carregado de humor que lhe deve ter valido, digo eu, vários insultos e o epíteto de "machista"...
Sem fazer qualquer juízo de valor, que não faria nenhum sentido, passo a reproduzir o texto recebido, permitindo-me sugerir que a sua leitura seja acompanhada de uma boa dose de inteligência e sentido de humor.

Entendendo definitivamente os homens
Uma visão real
(Arnaldo Jabor)

Foi lendo um monte de besteiras que as mulheres escrevem em livros sobre o 'universo masculino', que resolvi escrever esse e-mail.
Não tenho objetivo de 'revelar' os segredos dos homens, mas amigos, me desculpem. Não se trata de quebrar nosso código de ética. Isso vai ajudar as mulheres a entenderem os homens e, enfim,
pararem de tentar nos mudar com métodos ineficazes.
Vou começar de sola.
Se não estiver preparada nem continue a ler.
E digo com segurança: o que escrevo aqui se aplica a 99,9% dos homens baianos e brasileiros (sem medo de errar).
1º Não existe homem fiel. Vc já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade.
Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens.
Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel (ou porque está apaixonado, (algo que não dura muito tempo - no máximo alguns meses - nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo. (Isso vai se voltar contra vc).
A única exceção é crente extremamente convicto.
Se vc quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas aguente as outras consequências.
2º- O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo.
A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia, não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma bunda.
A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.
3º- A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário.
O cara que fica cercado, sem trair é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça.
Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes.
Se quiser alguém que pense como vc, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um viado enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social.
Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, tá tudo no cérebro).
A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho.
O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vem de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada, etc., mas nunca vai vir se não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão.
Se vc cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido na empresa. O cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela) vc vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente.
(Vai ser um cara sem ambição e sem futuro).
4º- Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta.
Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira, etc... nada disso vai adiantar.
É lógico que quanto mais largada vc for, menor a vontade do homem de ficar com vc e maior as chances do divórcio.
Se ser perfeita adiantasse Julia Roberts não tinha casado três vezes.
Até Gisele Bunchen foi largada por Di Caprio, não é vc que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha).
O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, troca de olhares).
Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento.
Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.
5º- Se vc busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles não existem nesse conceito que vc imagina.
Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa (e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares, etc saberem).
Só, e somente só, um amigo ou outro DELE deve saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual.
Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar.
As traições do homem perfeito geralmente são numa escapolida numa boite, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela),ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade.
O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas.
Isso remete ao próximo tópico.
6º- ESSE TÓPICO NÃO É PARA AS ESPOSAS - É PARA AS SOLTEIRAS OU AMANTES: Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de homem não gosta de mulher fácil.
Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo.
Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra. A demanda é muito maior do que a procura. O mercado ta cheio de mulher gostosa.
O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro.
O fato de vc não ligar para o homem e ele gostar de vc não quer dizer que foi por vc se fazer de difícil, mas sim por vc não representar ameaça para ele. Ele vai ficar com tanta simpatia por vc que vc pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai começar ELE a te procurar.
Se ele não te procurar era porque ele só queria aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse de stand by.
Não vá se vingar, vc só piora a situação e não lucra nada com isso.
Não se sinta usada, vc também fez uso do corpo dele - faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.
7º- 90% dos homens não querem nada sério. Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento.
Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre).
Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado e dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer doce só agrava a situação, estamos em 2007 e não em 1957.
Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.
8º- Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o seguinte:
Tente achar o homem perfeito do 5º item, dê espaço para ele. Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona de casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa.
Nada de sufocos, de 'conversar sobre a relação', de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco, etc.
Vc pode até criar 'muros' para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir.
A última dica:
9º- Se vc está revoltada por este e-mail, aqui vai um conselho:
Vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado. Se revoltar quanto ao que está escrito não vai resolver nada em sua vida.
Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se vc é dessas, boa sorte!). Mas tudo é a pura verdade.
Seu marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com vc, mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico.
O homem que vc deve buscar para ser feliz é o homem perfeito do item 5º.
Diferente disso ou é crente, ou viado ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres).
O que vc procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que vc pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que vc nunca vai encontrar.
Espero ter ajudado em alguma coisa.
Agora, depois de tudo isso dito, cadê a coragem de mandar este e-mail para minha mulher??

(Arnaldo Jabor)

ESCUTAS...


O meu amigo José Ribeiro da Silva enviou-me, através de correio electrónico, o texto que passo a reproduzir, escrito por Eduardo Carvalho Campos, que não tenho o prazer de conhecer, nem faço ideia quem seja.
Na mensagem que me enviou, o Ribeiro da Silva não fazia qualquer comentário, tal como eu aqui não farei, talvez para que pudesse concentrar-me na leitura do texto e reflectir sobre a bondade do que está escrito...
Faço apenas notar que, no texto que me foi enviado não consta o ponto5, por omissão ou erro de numeração, pelo que o reproduzo tal como o recebi.
Escutai bem

Cheguei a Portugal no dia 25 de Janeiro e de cá saio no dia 23 de Fevereiro.
Neste mês vi pessoas que parece terem descoberto recentemente o princípio da legalidade e que, ao mesmo tempo, insurgiram-se contra uma “verdade” que apelidaram de formal mal a sindicância dos requisitos legais de forma se tornou um óbice a determinados intentos.
Vi recém aprendizes do princípio da proporcionalidade, muitos que apenas o sabem nominativamente invocar e ainda nem imaginam a densidade, complexidade e profundidade que esse princípio encerra, a concluir que o interesse público do conhecimento das “escutas” deve prevalecer sobre o interesse privado e individual dos “escutados”.
Li quem distinguiu o desconhecido interesse público da consabida privacidade, como se houvesse certeza dogmática, como se todos não soubéssemos o que ambos são na mesma medida em que também não há consenso.
Vi o “diz que disse no restaurante tal” quase a ser objecto de uma coluna séria de análise política e, como não o foi, vi o seu autor “pintar a manta” na Comissão Parlamentar de Ética, em plena Assembleia da República e na cara dos deputados.
Ouvi os anúncios da divulgação das escutas de uns e de outros, mas depois percebi que as escutas esfumaram-se nos comentários, nas anotações e nas legendas.
Li que “miúdos” que ganham milhões pagos por nós para fazerem com o nosso dinheiro sabe Deus o quê gastaram os nossos parcos Euros para saneamentos numa televisão privada e, quando o conseguiram, deitaram “fogo de artifício” (“fogo-preso!”) ao telemóvel.
Li que os mesmos e outros “miúdos” vociferaram ao telemóvel, parece que jocosa e alarvemente, milionários contratos publicitários misturados com subsídios de desemprego, uns e outros pagos por nós, e seguem governando-nos.
Vi entrevistas em que o vedetismo do entrevistador era tal que a sua opinião se sobrepunha à do entrevistado, em que se pedia explicitações sobre a fundamentação de decisões judiciais mas se interrompia e confrontava amiúde com a opinião contrária, a do senso comum, como se se pedisse ao mais alto magistrado judicial do Estado que fundamentasse as suas decisões, não em termos de Direito, mas de senso comum.
Li, muitas vezes com deleite mas sempre com humildade didáctica, os mais finos rendilhados jurídicos sobre a validade ou invalidade das “escutas”, das casuais e das determinadas, sobre a legitimidade, a licitude e a competência, sobre a unicidade ou multiplicidade de processos, sobre a obrigatoriedade de abertura de inquérito ou a adequação de autuação administrativa, sobre os despachos, a sua feitura, remessa, envio e transporte, sobre a recepção, registo, tramitação, sobre tudo.
Vi os mais altos representantes do povo albergarem-se em decisões judiciais decerto justas mas revogadas por outras igualmente justas de instâncias judiciais superiores, camuflarem-se no cenário da suspeita gerada, municiarem o seu discurso com a palavra “mentira” e dispararem à queima-roupa nas suas locuções.
Vi, ouvi e li isto tudo em 29 dias e preciso de voltar rápida e sumariamente a terreno sólido.
1. O direito à privacidade nas telecomunicações é um direito fundamental fundador da carta dos direitos, liberdades e garantias, imposto a todos, cujos conteúdo, significado e efectividade requerem maior protecção com a crescente capacidade tecnológica.
2. A restrição dos direitos fundamentais para efeitos criminais tem consagração constitucional expressa e qualquer restrição só pode acontecer nos casos previstos na lei formal.
3. As leis penais e processuais penais são o ultimo ratio do ordenamento jurídico do Estado e vinculam os operadores com os princípios da legalidade, da tipicidade, da taxatividade dos elementos-tipo das suas normas, da não retroactividade, da presunção de inocência, da intervenção mínima, da proporcionalidade e proibição do excesso, entre tantos outros.
4. As leis processuais penais e os requisitos de forma são garantias de legitimidade dos meios e das provas e são exigências incontornáveis para a admissibilidade da validade intrínseca dos factos sob apuramento.
6. Não existe previsão legal para a restrição do direito à privacidade nas telecomunicações em favor de um superior interesse público que lhe deva prevalecer.
7. Escutas que não tenham sido ordenadas ou executadas com estrito respeito pelos comandos legais penais e processuais penais (ou noutra legislação avulsa), ou cuja gravação regularmente ordenada tenha sido revogada por decisão de instância judicial superior, não apenas são nulas e realmente devem ser destruídas, mas devem tornar-se inexistentes, cuja divulgação é proibida mas também é proibida a tomada do seu conhecimento.
8. A gravação de telecomunicações para fins de publicidade da actividade política e transparência administrativa são ilegais, inconstitucionais e ilegítimas. Do mesmo modo o são para fins de concretização do direito à informação de todos e da liberdade de imprensa.
9. O sistema judicial tem o dever de preservar e garantir a inacessibilidade às gravações decretadas nulas ou inaproveitáveis para fins criminais para que foram efectuadas, mormente tratando-se de comunicações de altos responsáveis do Estado, sendo este o mais ponderoso interesse público que dentro da legalidade deve ser ponderado. Não se pode pedir que o sistema judicial fundamente publicamente as suas decisões para assim se conhecer o que é proibido revelar.
10. A ponderação dos dois direitos fundamentais – direito à privacidade nas telecomunicações de uma pessoa, por um lado, e direito à informação (liberdade e acesso à informação, liberdade de imprensa, participação) de todos, por outro –, à luz da concordância prática e através do princípio da proporcionalidade, é uma ponderação feita em concreto.
11. Em concreto, o direito à informação de todos não seria satisfeito apenas com a restrição do direito à privacidade da pessoa gravada, seria satisfeito também com a cumplicidade e prevaricação do Estado de Direito no cometimento de um crime, nem que fosse, no actual estado do segredo de justiça, o contributo para a violação do segredo de justiça e a negligência do dever de zelo na preservação da informação.
12. Não há diferença entre gravação de telecomunicações e busca domiciliária: aceitar-se-ia que uma intrusão física ilegal no domicílio de alguém pudesse ser meio ou prova admissível para o que quer que fosse? Poderíamos querer saber quem lá estava, e a fazer e a falar o quê, mas tínhamos esse direito? E se houvesse testemunhos e registos do interior do domicílio recolhidos com a intrusão física violadora da privacidade domiciliária, poderíamos exigir o conhecimento para satisfação do interesse público? Qual o limite desta linha de pensamento? A tortura? E porquê? Factos sacados por tortura podem depois ser valorados, só porque são conhecidos e jamais podem ser ignorados?
13. Não é admissível a valorização do direito à informação em termos de sacrificar, não apenas o direito à privacidade da pessoa, não só a contenção e previsibilidade das normas penais e processuais penais, mas ainda a própria juridicidade de actuação do Estado e a confiança na legalidade. A ponderação de um alegado interesse público que surge através de uma actuação ilegal é inaceitável à luz da Lei e do Direito.
14. Negar a juridicidade, retirar a legalidade ao Estado de Direito é um preço alto demais para conhecermos as escutas.
15. O resto parece conversa.
Reposicionei-me: perante todos os que estão no tabuleiro presto homenagem ao Carvalho Araújo: “Jogador, joga os teus ases, mas vê lá o que fazes…”
Eduardo Carvalho Campos