segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HISTÓRIA DE UM EMBUSTE BEM PROGRAMADO...


Vamos por partes:
- Os governos de José Sócrates não tiveram os cuidados devidos com a divida pública e a evolução do deficit;
- A crise internacional, que eclodiu em 2007 veio agravar, substancialmente, os desequilíbrios da economia portuguesa.
Dito isto, vejamos a evolução, cronológica, dos acontecimentos, a partir da apresentação do chamado PEC4:
- Governo Sócrates anuncia agravamento dos impostos e reduções nas prestações sociais, no âmbito do chamado PEC4, para o qual obteve o acordo, prévio, da União Europeia;
- Oposição considera inadmissível o aumento da carga fiscal, nomeadamente PSD e CDS, indicando que a solução passava pela redução da despesa pública. PSD e CDS chegaram a avançar que tinham soluções para a redução da despesa pública em mais de mil milhões de Euros;
- PEC4 é chumbado e Sócrates apresenta a demissão;
- Portugal solicita auxílio financeiro à União Europeia e ao FMI,
- Passos Coelho, tal como Paulo Portas, em campanha, reiteram estar contra o aumento dos impostos e das prestações sociais, apostando na redução das "gorduras" do Estado;
- A troika chega a Portugal, para avaliar a situação do País, e depois de reunir com os responsáveis dos principais partidos políticos, apresenta um programa para os próximos 3 anos;
- PSD faz da redução da TSU o principal cavalo de batalha da sua campanha eleitoral e reitera que a solução dos problemas do País passa pela redução da despesa pública;
- PSD ganha as eleições e forma governo, maioritário, com o CDS;
- Governo anuncia congelamento dos salários da função pública, e um imposto extraordinário correspondente a 50% do 13º mês, mas esclarece que o esforço financeiro a realizar será de 1/3 em impostos e 2/3 em cortes na despesa pública;
- Governo anuncia aumento do IVA sobre a factura de electricidade e dos passes sociais;
- Governo anuncia agravamento da taxa de IRS e cortes na deduções fiscais.
Muito mais se poderia dizer, sobretudo se tivermos em atenção os aumentos já anunciados, mas penso que, o que escrevi chega, para justificar a minha conclusão.
Quando reuniu com a troika, o PSD ficou a saber, se é que não conhecia, o estado das contas públicas portuguesas, com excepção do "buraco" da Madeira.
Apesar disso, insistiu em fazer uma campanha em que nunca falou do aumento de impostos, ou da redução das prestações sociais, e deduções fiscais.
Muito menos revelou a intenção, apenas anunciada após a eleição, de tomar medidas que excedem as exigências da troika.
Deste modo, parece legítimo concluir, sem correr o risco de ser injusto, que a vitória eleitoral do PSD se ficou a dever, em muito, a um embuste bem programado...

sábado, 3 de setembro de 2011

PORTUGAL GANHA, MAS NÃO CONVENCE


A selecção portuguesa venceu a de Chipre, por 4-0, mas a exibição foi muito pobre, ao contrário do que o resultado faz supor.
Três dos golos surgiram nos últimos  10 minutos do encontro, apesar de Chipre ter estado em inferioridade numérica durante cerca de uma hora.
De tudo o que se passou, apenas quero realçar que não consigo entender como é possível falar da selecção de Chipre como se fosse uma selecção de topo e tratar esta vitória, que era uma obrigação da equipa, como se de um grande feito se tratasse.
Enfim, coisas da bola e do jornalismo nacional...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DESTA VEZ FOI RICARDO DE CARVALHO...


De tempos a tempos, rebenta uma "bronca" na selecção.
Desta vez foi Ricardo de Carvalho que resolveu bater com a porta, criando mais uma situação embaraçosa, para todos os intervenientes.
Surpreendente, apenas o facto de o incidente ter ocorrido com Ricardo de Carvalho, um jogador de quem poucos esperariam um comportamento menos correcto, atento o seu passado como futebolista profissional.
Mas enquanto for possível que os actos de indisciplina fiquem impunes, como sucedeu na África do Sul, com Deco e Cristiano Ronaldo, nada disto nos deve espantar...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

REDUÇÃO DA DESPESA PÚBLICA: QUE MEDIDAS?


Foi apresentado, pelo Governo, o documento de estratégia orçamental.
Garantia de mais impostos e muita imprecisão, relativamente ás medidas para redução da despesa pública.
Aparentemente, vamos ter que esperar pela apresentação do Orçamento para 2012, para ficarmos a conhecer as medidas que o Governo afirmou poder anunciar até ao final do mês de Agosto.
Para quem dizia estar preparado para governar e saber, perfeitamente, onde cortar, na despesa pública, o resultado não é muito animador...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

E PORQUE NÃO, UM REFERENDO?


Alberto João Jardim já nos habituou a dizer tudo o que lhe vem à cabeça, sabendo que não corre o risco de que lhe venham a pedir contas.
No seu partido, nenhuma liderança se atreve a enfrentá-lo, com receio de que se percam os preciosos votos do PSD-Madeira.
Os diferentes Governos e Presidentes da República tudo lhe aceitaram, e aceitam, em nome não se sabe muito bem de quê.
A verdade é que, se muitas das "graças" de Alberto João não passam disso mesmo, existem posições com as quais não é possível pactuar, sem pôr em causa a autoridade do Estado.
Vem isto a propósito das recentes declarações do Presidente do Governo Regional, a pretexto da Zona Franca da Madeira, reacendendo a hipótese de independência da ilha.
Como de costume, não vi, nem ouvi, reacções ás declarações de Alberto João, mas quero referir que, como português, considero que talvez seja tempo de se fazer um referendo sobre a independência.
Por conta da insularidade, a Madeira vive, há décadas, à conta dos dos continentais, e vai sendo tempo de exigir a Alberto João Jardim que assuma as suas responsabilidades...

EM PENALTIS NOS...DESENTENDEMOS


Quando ainda falta o jogo do FCPorto, para se encerrar a terceira jornada da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, já é possível retirar algumas conclusões, sobre as três principais equipas portuguesas.
O SLBenfica surge bastante mais forte, do que no início da época passada, e alguns dos reforços já demonstraram ser um uma mais-valia.
Os benfiquistas parecem ter motivos para encarar a época com confiança...
O FCPorto iniciou a época como de costume. Sem grande consistência, mas a beneficiar dos favores das arbitragens, algo que se está a tornar uma "tradição", no início de cada campeonato...
O SportingCP começou muito mal, com as novas contratações a tardarem em demonstrar o seu valor.
Para além disso, ao abrir uma guerra com a arbitragem, cuja finalidade não se vislumbra, o Sporting parece mais interessado em desviar as atenções do que em procurar resolver os problemas internos, que transparecem desta "mini-crise".
Não quero, com isto, dizer que o Sporting não tem razão, pelo contrário, tanto mais quando comparemos os critérios com os utilizados nas arbitragens dos jogos do FCPorto.
E devo confessar que, depois das grandes penalidades marcadas, a favor do FCPorto, nos jogos com o Guimarães e o Gil Vicente, temo que se tenha aberto o precedente para tornar a questão dos penaltis num dos grandes temas do futebol luso, até ao final da época.
Oxalá eu me engane...

sábado, 27 de agosto de 2011

"OS MÁIORES", FORAM "ROUBADOS"...


O FCPorto perdeu a supertaça europeia, para o Barcelona.
Adeptos e dirigentes queixam-se do árbitro, logo eles que, após o jogo com o Gil Vicente, classificavam os árbitros como "verdadeiros heróis"...
Excepção feita a esse detalhe, é forçoso reconhecer que o FCPorto tem razão.
Não se admite que a escolha do árbitro designado para apitar a final não tenha recebido o acordo, prévio, do Sr Pinto da Costa.
Um desrespeito inadmissível, contrário ás boas práticas do futebol cá do burgo.
Se tivessem escolhido o árbitro que apitou o jogo com o Gil Vicente, vá que não vá, já que esse está perfeitamente identificado com as regras, métodos e processos que envolvem os jogos do FCPorto...
Com esse, não só teriam sido marcados os dois penaltis, que o FCPorto reclama, como não teria havido expulsões. E o golo do Messi teria sido anulado por fora-de-jogo!
Assim se teria feito justiça, o FCPorto teria ganho o jogo, e sido consagrado como a melhor equipa do mundo, tal como tantas vezes tem sucedido com muita das conquistas obtidas cá no burgo...
É uma vergonha, já não há respeito!
O FCPorto, que jogou de igual para igual com o Barça e num campo lavrado, que prejudicou a exibição da sua superior técnica individual, pode bem queixar-se da UEFA e do árbitro.
O facto de ter andado o tempo todo à procura da bola e não ter criado oportunidades de golo, não tem importância nenhuma, nem retira mérito à sua brilhante exibição.
Pena que correr, tanto tempo, atrás da bola seja frustrante como o caraças...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O MEU BEM-ME-QUER !


Nasceu uma flor no meu jardim.
Nada mais natural, dir-me-ão vocês, que sabem que nos jardins costumam nascer flores.
Só que esta não é uma flor de adorno, não foi plantada, muito menos regada, apenas surgiu, do nada, no meio da relva.
Não sei como se chama, mas sei que parece um malmequer, pelo que decido designá-la como tal.
Um malmequer pequenino, frágil, pétalas de um amarelo vivo, que contrastam com o verde escuro da relva onde surgiu, que os raios solares ajudam a realçar.
Fiquei a admirar o meu malmequer por momentos, seduzido pela sua beleza simples.
Afinal, aquele malmequer, que em breve desaparecerá, por acção da minha jardineira, é bem o espelho do mundo em que vivemos e do ciclo a que se convencionou chamar de ciclo da vida.
Frágil, como todos os bebés, e sem os devidos cuidados depressa desaparecerá, para dar lugar a novos malmequeres e contribuir para enriquecer a terra de onde brotou.
Belo, como tudo o que é pequenino, guarda a frescura e a vitalidade da juventude, mas nunca será considerada uma planta de adorno. Nasceu torto, no local errado, e como diz o ditado, o que nasce torto...
Também assim sucede com a vida de milhões de seres humanos, que nasce torta, em locais e hora errados, uma cruz que irão carregar, na esmagadora maioria dos casos, ao longo de uma vida de sobrevivência, até que o ciclo se complete.
Pena que isso não leve o Homem a usar a sua suprema inteligência para preservar e respeitar a Natureza, e os outros Homens...
Pararmos, por momentos que fosse, para apreciarmos as maravilhosas belezas que a Natureza nos proporciona, quotidianamente, parece estar fora dos nossos propósitos, e é pena, porque aprendíamos mais sobre a Vida.
E tal como sucederá com o meu malmequer, também nós, mais tarde ou mais cedo, iremos ceder o nosso lugar a outros homens, integrando e completando o ciclo.
Pensei em tudo isto e quedei-me a olhar o meu malmequer.
Tive a tentação de o arrancar da relva, para o guardar, mas resisti. Existem situações em que matar plantas e animais pode ser equiparável a um assassinato.
E decidi, também, que não ia contar-lhe as pétalas, como fiz tantas vezes, quando era criança, pois tenho a certeza que, neste caso, depois da reflexão que me proporcionou, este é, seguramente, um Bem-Me-Quer!
O meu Bem-Me-Quer!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O MELHOR FILHO DO MUNDO


O meu filho comemora, hoje, o seu 32º aniversário.
Acontecimentos recentes impedem que este dia possa ser celebrado como eu gostaria, mas confio que melhores dias virão...
Desculpa-me, querido filho, se não consigo escrever mais nada, mas tu sabes bem o que me vai na alma...
Parabéns, Frederico, e Obrigado por tudo.

domingo, 14 de agosto de 2011

ERROS DE ARBITRAGEM E OS FAVORES DO COSTUME


Com a entrada em acção de Sporting e Porto, no campeonato nacional de futebol, surgiram os primeiros problemas com a arbitragem.
O Sporting, voltou com o velho hábito de se queixar das arbitragens, sendo que, se tem razão quanto ao golo mal anulado, "esqueceu-se" que Jeffren deveria ter sido expulso, na primeira parte, por agressão, o que influiu, naturalmente, na subsequente evolução do jogo.
Quanto a um penalti não assinalado, por mão na bola, tudo depende do critério do árbitro, pelo que só teria razão se houvesse diferenças de critério.
Já quanto ao Porto, a conversa é outra.
Olegário Benquerença assinalou grande penalidade, contra o Guimarães, por falta, que existiu, na grande área.
Aparentemente, tudo bem. Só que cabe perguntar o seguinte:
-Quantas faltas semelhantes já foram feitas, na sequência da marcação de cantos, em jogos arbitrados por Benquerença? E quantas grandes penalidades assinalou?
Arrisco-me a dizer que esta é a primeira...
E são estas situações que legitimam que se fale de habilidades de arbitragem...
O Porto lá ganhou mais um jogo, que não merecia, e começa o campeonato com os favores do costume.

sábado, 13 de agosto de 2011

OU ENTRA MOSCA, OU SAI IMPOSTO


O Ministro da Finanças deu mais uma conferência de imprensa original:
Ele fala, os outros ouvem!
Apesar de saber que não teria direito a "abrir o bico", a comunicação social esteve presente, em força.
Afinal, aguardava-se o anúncio de importantes cortes na despesa pública, e este governo não mente. Mentiroso era o outro.
E ficámos a saber que o Governo decidiu limitar a progressão de carreiras nas forças armadas e na GNR, e tivemos direito ao anúncio de mais um aumento, desta vez da taxa do IVA, na electricidade e no gás natural.
Afinal, parece que aquela regra da redução do deficit assente em 2/3 na redução dos gastos do Estado, e 1/3 nos impostos, terá sido "mandada ás malvas" em 2011, uma vez que, face à necessidade de corrigir os desvios orçamentais, "ir ao bolso da rapaziada" assegura resultados mais rápidos.
Ficámos ainda a saber que, o "desvio colossal" de que falava o primeiro ministro é, afinal, proveniente da fraca cobrança de impostos, da acção do "resistente" Alberto João Jardim e de mais prejuízos no BPN, que deram um jeitão, para ajudar a "justificar" a integração dos fundos de pensões da banca na Segurança Social...
Quanto aos senhores da "troika", voltaram a vir dar ordens e a dizer como se faz, dando-se ao luxo de anunciar medidas, em clara usurpação dos seus poderes, que são da responsabilidade do Governo.
Enfim, a coisa promete...
Entretanto, e enquanto escrevia este post, chegou ao meu conhecimento a existência de um movimento, no Facebook, para impedir o Ministro das Finanças de abrir a boca.
É que sempre que ele abre a boca, "ou entra mosca, ou sai imposto"...

JESUS VOLTOU A "LER" MAL O JOGO, E O BENFICA EMPATOU


Para não variar, o Benfica iniciou o campeonato com um empate, num jogo em que esteve a ganhar por 2-0.
Quem viu o jogo, pressentia que o Benfica corria o risco de sofrer o empate, mas Jorge Jesus não se apercebeu.
"Um empate com sabor a derrota", disse o treinador do Benfica no final do jogo, mas nem sequer se deu ao trabalho de esgotar as substituições possíveis, para tentar alterar a situação.
A época está a começar e não quero ser pessimista, mas sou forçado a reconhecer, com base na experiência passada, e no comportamento do treinador, que este empate não augura nada de bom.
E também não gostei, confesso, da fácil "adaptação", e aceitação, do treinador, a mais um resultado desfavorável.
Jesus parece ter gasto toda a ambição no seu primeiro ano, ao serviço do Benfica, e basta compararmos o discurso actual com o de então, para percebermos que a ambição parece ter desaparecido...
Oxalá eu me engane, mas assim "não vamos lá".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O "RESISTENTE"


Se existissem dúvidas quanto ao motivo pelo qual a Madeira deu mais um contributo para o agravamento do deficit, Alberto J Jardim veio esclarecer:
Era preciso resistir!
E resistir, é tudo o que Alberto J Jardim tem feito, desde que chegou ao poder, na Madeira:
Resistir à tentação de gastar "à tripa-forra"!
Infelizmente, nunca conseguiu, sempre gastou o que tem e o que não tem, e os restantes portugueses já se habituaram a suportar os custos dos desmandos despesistas do presidente do Governo Regional, com a complacência dos diferentes governos e presidentes da república.
Até Quando?

BENFICA ABRE O CAMPEONATO NACIONAL DE FUTEBOL


O meu Benfica inicia, hoje, a sua participação no Campeonato Nacional de Futebol 2011/12, defrontando o Gil Vicente, fora de casa.
Do campeonato, que agora se inicia, espero maior competitividade, para bem do futebol português, e um comportamento exemplar, por parte de todos os intervenientes, em matéria de "fair-play". Seria muito bom que assim fosse...
Do meu Benfica espero uma excelente época, a condizer com a qualidade do plantel, indiscutivelmente melhor do que os dos últimos anos, e desejo que seja desta que quebramos o enguiço dos maus resultados no início do campeonato.
Tenho a secreta esperança de que o Benfica possa fazer uma época fantástica.
Aguardemos...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CONTINUEM A MIMAR OS MENINOS...


O actos de vandalismo a que temos assistido, no Reino Unido, têm motivado diferentes comentários e análises.
Curiosamente, na esmagadora maioria dos casos, os analistas tendem a atribuir a culpa à sociedade, porquanto se tem revelado incapaz de garantir emprego e de integrar, adequadamente, os jovens envolvidos.
Eu, que sou menos elaborado e não tenho formação específica em sociologia, acredito que se trata de um caso de falta de educação e formação, com culpas para paizinhos e professores, que não souberam, ou não quiseram, dar umas valentes palmadas nos meninos, no momento próprio.
"De pequenino se torce o pepino", diz o ditado popular, e os actos de vandalismo praticados por estes energúmenos, que demonstram um claro desrespeito por tudo e por todos, são o resultado da falta de uns belos bofetões, no momento adequado.
Liberdade e Democracia, quando não acompanhadas pela necessária Responsabilidade, e Responsabilização, pelos actos de cada um, só pode dar nisto.
Podem as sociedades continuar a mimar os meninos e a ser complacentes com as suas faltas de educação, mas depois não se queixem...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

AGREDIR O ÁRBITRO...


Com o clima que se vive no futebol português, não é de estranhar a recente agressão ao árbitro de futebol, Pedro Proença.
Lamentavelmente, já nem quando estão fora dos relvados os árbitros estão a salvo de alguns energúmenos, que usam o futebol como pretexto para mostrarem o seu lado mais selvático.
Aparentemente, o agressor é um associado do Benfica, pelo que, na qualidade de sócio do Clube, aqui deixo a seguinte sugestão:
1. Que os dirigentes do SLB confirmem se o agressor é, ou não, sócio do Clube;
2. A confirmar-se a notícia, que seja aberto um processo disciplinar, nos termos dos Estatutos do Clube;
3. Que seja aplicado a esse associado um castigo exemplar, de modo a deixar bem claro que estes comportamentos não são toleráveis.
É este o comportamento que gostaria de ver, por parte dos dirigentes do meu Clube...

AGRADEÇO, RECONHECIDO


Quero agradecer as mensagens e os telefonemas recebidos, pedindo desculpa pela eventual demora na resposta.
Espero que compreendam que a disposição nem sempre é a melhor.
Que me perdoem aqueles que gostariam de me visitar, a quem fico grato, mas, se tudo correr bem, como espero, não faltarão oportunidades para nos vermos, num contexto bem mais agradável.
Tanto quanto percebo, as coisas estão a evoluir bem, mas aguardo o final desta primeira fase de tratamentos, em meados de Setembro, para poder ter um diagnóstico médico.
Quanto ao resto, tudo bem.
Aqui deixo um grande abraço para todos, com o meu agradecimento e reconhecimento, fazendo votos para que tudo vos esteja a correr como desejam.

sábado, 16 de julho de 2011

TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS


O presidente Obama veio esclarecer os seus compatriotas, reconhecidamente ignorantes em matéria de geografia, e de tudo o que se passa para além das fronteiras dos Estados Unidos, que o seu país não é a Grécia, nem Portugal.
Os nossos políticos, que já haviam clamado que Portugal não era a Grécia, nem a Irlanda, ficaram, agora, a saber, que também não somos os Estados Unidos. Obrigado, presidente.
Por sua vez, os nossos vizinhos espanhóis, trataram de livrar-se dessa coisa do Iberismo, que a tantos parecia agradar em período de expansão, e desdobram-se em esforços para explicarem que a Espanha não é Portugal. Como se a rapaziada não tivesse aprendido, na escola, o trabalho que nos deu para conservarmos a nossa independência...
Mas enfim, o que importa reter de tudo isto é que, quando a coisa azeda, nada como cada país pôr as barbas de molho e fazer os possíveis por se demarcar dos que estão em sarilhos. Mesmo que isso signifique ajudar a enterrar, ainda mais, o parceiro...
Que somos todos diferentes, como países, é coisa que a maior parte de nós aprendeu no tempo da falecida "quarta classe": diferentes povos, diferentes culturas, diferentes economias e orografias, enfim, países diferentes.
O problema é que, quando se trata de endividamento excessivo, ou de outros agregados macro-económicos, essas diferenças de pouco, ou nada, valem, sobretudo perante os especuladores, e, porque não, as agências de "rating", cujo trabalho é, crescentemente, destinado a servir os interesses específicos de quem lhes paga.
E como, entre outros, o Euro também é um dos alvos desta crise, de nada adianta esquecer os objectivos que presidiram à criação da União Europeia, mandar a solidariedade às malvas e tratar de "enterrar", antecipadamente, o "parceiro" enfraquecido.
Apesar das diferenças, os indicadores económicos e financeiros são todos iguais, e os especuladores sabem disso.
A Itália, a Espanha, a Bélgica e a França que o digam...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

UM EXPLICAÇÃO E UM AGRADECIMENTO


Quando decidi, em Maio, interromper os meus escritos, neste blog, sabia que algo de muito errado se estava a passar com a minha saúde.
Depois de vários exames, o diagnóstico confirmava as minhas piores expectativas: cancro de células de transição.
No mês passado, iniciei um tratamento de quimioterapia, o qual, como devem imaginar, não me deixa com muita vontade de escrever, ou fazer o que quer que seja.
Estou a ser bem acompanhado, do ponto de vista médico, e preparado, psicologicamente, para lidar com a situação.
Afinal, e ao contrário do que somos, muitas vezes, levados a pensar, estas coisas não acontecem só aos outros...
Quero aproveitar para agradecer a todos as mensagens de carinho e Amizade recebidas, pedindo a vossa comprensão para o facto de nem sempre me ser possível responder.
Estou de volta à escrita, ainda que de forma irregular, e peço-vos que aceitem um forte Abraço de Amizade, como sinal do meu reconhecimento.
Ate breve!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ATÉ BREVE!


Os que se dão ao trabalho de ler os meus escritos já terão percebido que escrevo sobre o que me apetece, quando me apetece.
Gosto de escrever, como gosto de ler, de viajar, do sol e do mar, pelo que, mais do que qualquer outra coisa, escrevo para meu prazer.
Não sou um escritor, naturalmente, nem teria a ousadia de me considerar como tal, mas, tal como eles, também tenho os meus momentos, uns mais ou menos inspirados, e outros em que, pura e simplesmente, não me apetece escrever.
Este é um desses momentos, e se escrevo estas linhas é, apenas, para justificar a minha ausência, que poderá, ou não, prolongar-se por algum tempo.
Questões relacionadas com a minha vida privada requerem atenção particular e receio que não me deixem muito tempo, ou disposição, para a escrita.
Sei que não se perde grande coisa, mas deixo a ameaça de voltar, tão brevemente quanto possível.
A todos deixo um grande abraço de reconhecimento,
Até Breve!

sábado, 14 de maio de 2011

SEMI-BREVES...


- O país dos comentadores políticos está em estado de choque.
Afinal, contrariamente ao seu desejo, os resultados das sondagens não só não prenunciam o desastre eleitoral do PS, como também não afastam a possibilidade de os socialistas voltarem a ganhar as eleições.
E por falar em comentadores políticos, vale a pena realçar, por surpreendente, o súbito aparecimento de um elevado número de jornalistas "especialistas" em Economia, sobretudo quando se tenha em consideração que muitos deles não sabem do que falam.
Melhor seria que, para defenderem as suas opções partidárias, porque é disso que se trata, deixassem de utilizar a Economia e as Finanças como pretexto.
Até porque o Povo, como nos lembrou Francisco Salgado Zenha, pode não saber o que quer, mas sabe muito bem o que não quer;
- E por falar em não querer, o PSD não quer o Dr Catroika na campanha e mandou-o a banhos, até ás eleições.
Com este segundo retiro, o primeiro foi o do Dr Fernando Nobre, ficou por desfazer a angustiante dúvida sobre a personalidade que foi a banhos: se o economista que defende a redução da Taxa Social Única em 8%, contra os 4% que constam do programa do PSD, se o putativo ministro das finanças de um eventual governo do Dr Passos Coelho. E estou em crer que a clarificação poderia ser, eleitoralmente, relevante...
A propósito de dúvidas, estou em condições de garantir que, ao referir-se aos pelos das partes baixas, para qualificar as preocupações de alguns jornalistas, o ex-ministro das finanças não estava a citar nenhum artigo, ou alínea, do programa do PSD, para a Saúde.
Assim como posso assegurar, com base em fontes próximas da direcção do partido, que, ao comparar Sócrates a Hitler, o Dr Catroika não estava a fazer "terrorismo político", que o PSD veementemente condena;
- Continuando a falar de desgraças, para não destoar do sentimento dominante, o meu Benfica veio desmentir a notícia que dava como certa a dispensa de Roberto.
E como uma desgraça nunca vem só, após o anúncio da manutenção de Jesus, confirma-se a continuidade de Roberto, que já teria sido convidado, segundo as nossas fontes, para ser o novo rosto da campanha publicitaria do restaurante "O Rei dos Frangos", com início marcado para o próximo mês de Junho, de modo a coincidir como arranque da nova época futebolista.

PS: Pensei em escrever sobre mais umas coisitas, mas por respeito aos representantes da "troika", nova divindade económica e financeira de muitos dos nossos políticos, jornalistas e comentadores, entrei em regime de austeridade, e decidi confinar-me a estes três temas.
Espero que me perdoem...

terça-feira, 10 de maio de 2011

COISAS E LOISAS


Coisas escutava, atentamente, a entrevista do presidente do Benfica, enquanto Loisas acabava de arrumar a cozinha.
Terminada a tarefa, ela sentou-se no sofá e perguntou:
- Então, ele sempre despede o Jesus?
- Não, fica.
- Humm
A entrevista aproximava-se do final e Loisas observava o semblante carregado do marido. Não se conteve:
- Ele disse alguma coisa de novo?
- Não
- Humm
A entrevista terminou passados poucos minutos.
Coisas mantinha um ar carrancudo, sem fazer qualquer comentário.
Loisas, que conhecia bem o significado daquele silêncio, voltou à carga:
- Mas o Jesus disse que vamos ser campeões, para o ano.
- E o presidente acabou de dizer que não se devem prometer campeonatos.
- Começamos mal...
- Pois começamos.
- E ele não disse nada sobre o que se passou esta época?
- Disse que festejaram durante demasiado tempo.
- E quem autorizou os festejos?
- Devo ter sido eu.
- Mais nada?
- Disse que o plantel não era adequado para as ambições do Clube.
- Isso vimos nós, apesar da fortuna gasta em jogadores.
- Claro.
- Então não houve nenhuma novidade?
- Vai passar a delegar menos.
- Menos, mas ele delegava em quem?
- Não sei, no Rui Costa não devia ser, com certeza.
- Então, fica tudo mesma?
- Não, muda alguma coisa, para que tudo fique na mesma
- Entendi.
- Lembras-te daquele programa na televisão, o perdoa-me?
- Claro que sim.
- É mais ou menos o mesmo. Pediu perdão, está resolvido.
- Olha, homem, não penses mais nisso. Vamos para a cama.
- Vamos sim. Burro sou eu que ainda dou atenção a esta gente...

sábado, 7 de maio de 2011

O BENFICA DO MEU DESCONTENTAMENTO


A eliminação do Benfica, no espaço de 15 dias, das finais da Taça de Portugal e da Liga Europa, deixou a nação benfiquista à beira de um ataque de nervos.
No Benfica, mais do que em qualquer outro clube português, a passagem do estado de euforia ao de depressão dá-se muito rapidamente, em função dos resultados, evidenciado uma das principais características do povo de que emana.
Ciente desse paradigma, esforço-me por resistir à tentação de analisar o que se passa no meu Clube em função do meu estado de alma, e é com essa preocupação que escrevo estas linhas.
As condições em que o Benfica foi eliminado da Taça de Portugal e da Liga Europa não podem deixar nenhum benfiquista satisfeito, mas também não me parece razoável que o descontentamento possa ser amplificado pelo facto de uma das derrotas nos ter sido infligida pelo Sporting de Braga.
Independentemente de tudo o resto, a equipa bracarense realizou uma campanha notável, sendo de justiça reconhecer que Domingos Paciência é o grande responsável pelo êxito da equipa minhota.
Já perder com o FCPorto parece ter-se tornado um hábito, que se acentuou desde que, no final da época passada, o treinador do Benfica reclamou um aumento de ordenado, sob pena de ir treinar a equpa do seu amigo Pinto da Costa.
Dizer que as duas eliminações não me causaram uma enorme azia, e um profundo sentimento de frustração, seria fugir à verdade, coisa que me recuso a fazer.
Mas é esse mesmo respeito pela verdade que me obriga a dizer que sou favorável à rescisão do contrato com Jorge Jesus, para que o Benfica possa iniciar um novo ciclo.
E devo reconhecer que, após um período de cepticismo, também eu me converti à ideia de que seria Jorge Jesus o responsável pelo futebol de excelente qualidade que o Benfica praticava na época passada. Apesar de resistindo alguns amigos benfiquistas me fazerem notar que o homem não tinha as qualidades que se apregoava e que o Benfica ganhava porque tinha um lote de jogadores muito superior ao das restantes equipas.
Em defesa dessa sua tese, esses meus amigos realçavam também a renhida disputa do campeonato com o SCBraga, nosso principal adversário, num ano em que o FCPorto demonstrava uma fragilidade pouco habitual.
As saídas de Ramires, Di Maria, e David Luís vieram evidenciar as debilidades do treinador, para não falar do desastrado despedimento de Quim, substituído por um jovem calmeirão que, desde o início, demonstrou não ter qualidade para justificar a sua contratação, e menos ainda o preço da sua transferência.
E com o enfraquecimento do plantel ficaram a nu as insuficiências do treinador: teimosia, falta de humildade, dificuldade em fazer uma adequada leitura do jogo, incapacidade para reagir perante a adversidade, total inabilidade para dosear o esforço dos jogadores mais influentes...
Acresce a tudo isto uma notória alteração no seu comportamento, e no discurso, particularmente evidentes na reverência perante o nosso principal adversário.
Por motivos que desconheço, a verdade é que Jorge Jesus se transfigurou, desde que esteve na iminência de ir treinar o FCPorto.
Visivelmente abatido pela eliminação da Liga Europa, Luís Filipe Vieira acabaria por vir pedir desculpas aos adeptos, e tempo para reflectir, quando havia afirmado, após a eliminação da Taça de Portugal, que os benfiquistas sabem ser reconhecidos, pelo que não estava em causa a continuidade do treinador.
No momento em que a nação benfiquista aguarda, com natural expectativa, que o presidente do Clube lhe dê a conhecer o resultado da sua reflexão, entendi dever suscitar algumas perguntas, cujas respostas deveriam ser relevantes para a decisão:
- Apesar da enorme qualidade do plantel, na época passada, porque não conseguiu o Benfica uma melhor prestação na Taça de Portugal, e na Liga Europa?
- Qual foi o comportamento do treinador nos jogos decisivos, e qual a justificação para que o título de campeão nacional só tivesse sido conseguido na última jornada?
- Que transformações operou o treinador na equipa, em jogos decisivos, e quais as suas consequências?
- Qual o tempo necessário para que Jorge Jesus efectuasse ajustamentos na equipa, sempre que se revelaram erradas as suas opções iniciais?
- A planificação da presente época e a gestão do plantel do Benfica foram as mais adequadas?
- O investimento efectuado no futebol profissional encontrou reflexo na prestação desportiva?
- Por que motivo veio o treinador reclamar de um penalti, não assinalado, no jogo contra o Olhanense, cujo resultado não contava para nada, quando não se insurgiu contra o facto de o segundo golo do FCPorto, no jogo que eliminou o Benfica da Taça de Portugal, ter sido conseguido em clara posição de fora de jogo?
- Que acontecimentos terão estado na origem das alterações no comportamento do actual treinador do Benfica, a ponto de demonstrar resignação ante a derrota, e ser reverente para com o nosso principal adversário?
- Existe alguma semelhança entre o treinador que conhecemos na época passada, e o homem que vimos com as mãos na cabeça, quando ainda faltava meia hora para terminar o jogo que afastou o Benfica da final da Liga Europa?
As respostas a estas perguntas, e outras que ficam por fazer, só podem levar à conclusão de que Jorge Jesus, por acção e omissão, não reúne os requisitos necessários para continuar a ser treinador do Benfica.
A conquista de um campeonato nacional e de duas taças da Liga são parco retorno para o investimento realizado.
E que me perdoe o presidente do meu Clube mas o Benfica deve gratidão, em primeiro lugar, aos seus associados e adeptos, que constituem a sua principal força e a única razão da sua existência.
Os treinadores, como quaisquer outros profissionais, devem ser remunerados, a tempo e horas, para cumprirem os objectivos que lhes são fixados.
E quando se fala de profissionais, gratidão e reconhecimento só fazem sentido na medida em que prestem serviços relevantes, o que está muito longe de ter acontecido com Jorge Jesus, que nem sequer hesitou em utilizar uma oferta de emprego do nosso principal rival para reivindicar um aumento do ordenado.
Quando aos profissionais do Benfica falta a alma e a mística dos benfiquistas, resta-lhes poder aspirar a ver o seu nome citado, sempre que se faz a história do Clube, coisa que nunca acontecerá com muitos associados, a quem o Benfica muito deve, que nada mais reclamam do que o orgulho de poderem dizer que são do Benfica.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

POLÍTICA E COMPROMISSO

António Costa e Rui Rio, presidentes das câmaras municipais de Lisboa e Porto, respectivamente, lamentaram, hoje, que tenha sido necessária uma intervenção externa, para que os principais partidos portugueses chegassem a acordo, quanto ás medidas necessárias para retirar o país da difícil situação em que se encontra.
Esta posição de convergência, muito rara na nossa política, veio realçar uma das principais qualidade dos seus defensores: bom senso!
A política portuguesa sempre se pautou, com poucas e honrosas excepções que só confirmam a regra, por um conjunto de originalidades, das quais a mais relevante reside na total incapacidade dos nossos políticos para estabelecerem acordos de regime.
A menos que algum estrangeiro nos venha dizer o que tem que ser feito, e então descobrimos, como neste caso, que todos defendiam isso há muito tempo, embora fossem incapazes de chegar a um acordo.
Na velha tradição portuguesa, e contrariando um célebre "spot" publicitário da fábrica de bolachas "A Nacional", tudo o que é estrangeiro é bom, pelo que basta a chancela externa para assegurar convergências, até aí inimagináveis.
Na sua originalidade, os políticos portugueses revelam uma gritante incapacidade de diálogo e tolerância, mesmo sobre temas em que estão de acordo, e expressam-se numa linguagem que apenas contribui para acentuar divergências. E esta é uma prática generalizada, sendo muito poucos os que não contribuem para este triste espectáculo.
Os recursos ao FMI, no passado, o acordo agora alcançado, ou aquele célebre estudo sobre a economia portuguesa, encomendado a Porter, que custou uma fortuna, para nos vir dizer aquilo que já sabíamos desde os bancos da faculdade, são exemplos da sua incapacidade para distinguirem o essencial do acessório, e resolverem, entre eles, os problemas nacionais.
São as idiossincrasias da classe política portuguesa...
E não deixa de ser curioso que nós, portugueses, sempre tão críticos para com tudo e todos, aceitemos, com resignação, o insulto, a dissimulação, a calúnia e a mentira, por acção, ou omissão, como se fossem comportamentos inerentes à actividade política. E não são!
Como já aqui escrevi, anteriormente, os comportamentos dos nossos políticos estão a aproximar-se, perigosamente, daqueles que nos "habituámos" a ver nos dirigentes do nosso futebol, com tudo o que isso implica de conflitualidade e falta de civilidade, que se reflectem na degradação da vida política.
E nem o facto de serem cada vez menos respeitados pelos eleitores parece ser suficiente para os fazer arrepiar caminho.
Resta saber, agora que quase todos reconhecem a necessidade de se executarem as medidas acordadas com a "troika", como vão os dirigentes dos nossos principais partidos políticos conseguir um acordo que permita honrar esse compromisso, na próxima legislatura.
Se tivermos em consideração a conflitualidade e falta de respeito reinantes, parece tratar-se de uma missão impossível, tanto mais quanto tenhamos em consideração que se vai seguir uma campanha eleitoral.
Talvez fosse tempo de meditarem sobre as sábias palavras de Winston Churchill:
"Um político converte-se em estadista quando começa a pensar nas próximas gerações, e não nas próximas eleições".

O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO


Que as televisões chamem verdadeiros especialistas para comentarem os principais temas da actualidade, parece-me recomendável.
Neste contexto, faz todo o sentido que a comunicação social recorra ao comentário de gente especializada, para nos esclarecer quanto ás consequências do nosso pedido de ajuda externa.
Assim como me parece lógico que se convidem jornalistas, especializados, para comentarem esse mesmo tema, porquanto lhes incumbe informar, com objectividade e isenção. Sabemos nem sempre é assim, mas isso é um outro tema...
Obrigatório, digo eu, é pedir aos representantes dos partidos políticos que analisem e debatam o tema, contribuindo para ajudar os portugueses nas suas escolhas, com a vantagem de ficar claro que se trata de análises políticas, numa perspectiva partidária.
Mas entregar a análise e o comentário a supostos "especialistas", que não passam de políticos encapotados, só pode ser considerado deplorável, ainda que, reconhecendo que a situação me incomoda, não possa deixar de admitir que é uma opção e um direito que assiste ás televisões privadas,.
O mesmo não posso dizer, naturalmente, no que respeita ao serviço público de televisão, que é pago com o dinheiro dos contribuintes, a quem incumbe garantir a qualidade e isenção da informação prestada.
Mas não é isso que se tem estado a passar, assistindo-se ao triste espectáculo de alguns jovens, a coberto das suas licenciaturas, aproveitarem para fazer política partidária, com o maior despudor, como se de verdadeiros especialistas se tratasse.
E, nos canais públicos de televisão, este comportamento é lastimável!

domingo, 1 de maio de 2011

CELEBRAR O DIA DO TRABALHADOR


Neste período difícil que Portugal atravessa, estou farto da palavra crise, e quando se celebra o Dia do Trabalhador, pensei que seria interessante fazer uma referência ao processo que conduziu à consagração desta data.
Assim, pareceu-me adequado recorrer à Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador), para ilustrar o que pretendo dizer.
Afinal, lembrar a história pode ser uma das melhores formas de homenagear os trabalhadores...

"O principal dia do trabalho

Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA . No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal

Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia. O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-Intersindical (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores). No Algarve, é costume a população fazer pic-nics e são organizadas algumas festas na região.

MULHERES E MÃES


Hoje é Dia da Mãe!
Tudo o que eu possa dizer sobre este dia, consagrado ás Mães, é irrelevante, quando comparado com as homenagens feitas por tanta gente ilustre, mas nem por isso posso deixar de prestar o meu tributo a todas as Mães, com particular destaque para as da minha família.
Lembro e Saúdo as que ainda estão entre nós, e as que já nos deixaram.
De entre as Mães que estão entre nós, e sem desprimor para qualquer outra, cumpre-me prestar duas homenagens especiais:
A primeira, dedicada à Mãe do meu filho, com o meu Eterno Agradecimento, por me ter dado o meu bem mais precioso. Obrigado, Ana!
A segunda, para honrar a minha irmã, grande Amiga e formidável Mãe. Parabéns, Paulinha, este é o teu dia.
Para todas as outras Mães, da família, deixo um enorme beijo, com muita ternura, dizendo-lhes, apenas, que a idade me tem ajudado a valorizar, cada vez mais, a sua difícil tarefa, como Mulheres e Mães. Bem Hajam!
De entre as Mães que já não estão entre nós, mas cuja memória permanece bem viva, com um lugar especial no meu coração, presto especial tributo ás duas Mulheres mais importantes da minha vida:
A minha Querida e Saudosa Mãe, Maria do Carmo, vitima de um trágico acidente de viação, há quase 45 anos.
O seu desaparecimento, precoce, não apaga, ou atenua, a lembrança, quotidiana, de uma extraordinária Mulher que, apesar de não ter tido a possibilidade de ver os seus filhos crescer, nos deixou um legado de integridade, e determinação, que me cumpre saber honrar.
A dor causada pela sua morte, que parece acentuar-se com o andar dos anos, assume particular intensidade nestes momentos, quando se torna impossível não sentir um pouquinho de ciúme por todos aqueles que ainda têm o privilegio de poderem celebrar este dia com as suas Mães.
A segunda homenagem vai, naturalmente, para a minha Querida e Saudosa Avó, Rogelia, que assumiu a difícil tarefa de criar os netos, após o desaparecimento da filha.
Costuma dizer-se que as avós são mães duas vezes, e isso foi, literalmente, o que se passou com a minha Avó, Rogelia. Uma Mulher de armas, e uma Mãe que teve de suportar a dor de assistir à perda de dois filhos, e do marido.
Obrigado, Avó, por tudo o que nos deste!
Por último, e em homenagem a todas as Mulheres e Mães, da família, que já não estão entre nós, direi, apenas, que de todas recolhi ensinamentos, que muito contribuíram para a minha formação, como homem.
Todas recordo, com Saudade, neste dia que lhes é dedicado, e a todas agradeço o Amor e Carinho, que me dedicaram.
A terminar, quero expresssar o meu Apreço e Reconhecimento, a todas as Mulheres e Mães, do mundo, pela sua entrega e dedicação a uma das mais difíceis e nobres tarefas da natureza humana: dar à luz, criar e educar, uma criança.
Um grande Bem Haja para todas.
Apenas uma nota final para referir que, com a imagem escolhida, recordo a padroeira de minha Mãe, e presto homenagem ao Papa João Paulo II, no dia da sua beatificação, cujo pontificado deixou uma marca, indelével, na história mundial.

sábado, 30 de abril de 2011

COISAS E LOISAS


Coisas lia os jornais, e não resistiu:
- Apre, que a chuvada de granizo de ontem, em Lisboa, vai estender-se ao Norte, e ao Centro, do País.
Loisas, entretida com a leitura das revistas, retorquiu:
- Ajuda dos deuses.
- Qual deuses, qual carapuça! Metereologia, isso sim.
- Seja. Ajuda meteorológica.
- Mas que ajuda, mulher de Deus?
- Uma ajuda divina, aos nossos políticos.
- Ora, ora, deixa-te de brincadeiras.
- Brincadeiras nada. Reparaste que as pedras de granizo eram anormalmente grandes?
- E o que quer isso dizer, mulher?
- Ah tu não sabes?
- Eu não.
- Trata-se do contributo divino para a batalha política.
- Tens cada uma...
- Claro que sim. Deus não dorme. Como, por cá, os problemas só se resolver à pedrada, resolveu mandar mais munições.
O Coisas deu uma gargalhada.
- És terrível. Mas, pensando bem, pode ser que tenhas razão, rematou.
Mas Loisas já nem respondeu, de tão enlevada que estava, com o vestido da Kate...

EM "FUTEBOLÊS" NOS DESENTENDEMOS...


Quando era jovem, tinha dificuldade em compreender o progressivo afastamento dos portugueses em relação à política, e aos políticos.
Talvez influenciado pela minha passagem pela política, no longínquo período de 1974/78, aceitava a dificuldade de muitos, incluindo a minha, de se submeterem a uma disciplina partidária, mas considerava inadmissível a crescente indiferença dos portugueses, perante a escolha de quem deveria assumir a governação.
Com o passar dos anos, e quase sem que disso me apercebesse, também eu me comecei a afastar da contenda política, enfadado pela facilidade com que os nossos políticos, na luta pela conquista do voto, sobrepunham os interesses partidários aos dos eleitores, e do país.
Afinal, ainda que imperceptível para muitos de nós, aquilo que se estava a passar, não era mais do que um fenómeno de crescente "futebolização" da vida política, e os resultados estão à vista de todos.
Nem a situação de emergência em que o país se encontra, que obrigou ao pedido de ajuda externa, parece ser suficiente para chamar à razão os nossos políticos, tal é o seu empenho em sobrepor a partidarite, e a caça ao voto, aos interesses de Portugal, e dos portugueses.
E nada parece ser suficiente para travar o enredo quotidiano, entre os que insistem em ignorar os prejuízos que estão a causar a Portugal, e à sua imagem externa.
Como pode alguém manifestar surpresa perante as dúvidas dos finlandeses, quanto ao apoio financeiro a Portugal, quando os nossos dirigentes partidários parecem incapazes de distinguir o essencial do acessório?
Quando, após a confirmação da conquista do campeonato nacional de futebol, alguém decidiu mandar apagar as luzes, no Estádio da Luz, e ligar o sistema de rega, foi o nome do Sport Lisboa e Benfica que foi posto em causa, e não o de quem tomou a decisão. Quem o fez, apesar da transitoriedade do seu cargo, foi incapaz de perceber que estava a macular a história, o prestígio, e a honra, de um Clube centenário, que não lhe pertence, e que lhe deveria merecer maior respeito.
Quando os nossos políticos trocam insultos, insinuações, e acusações, na praça pública, comportam-se como se ignorassem que é a credibilidade, e o bom nome, de Portugal que está em causa, e não o dos seus adversários.
E também eles parecem não entender que, a transitoriedade dos cargos que ocupam não lhes confere quaisquer direitos sobre o País, que têm o dever, e obrigação, de respeitar.
Este tipo de atitudes e comportamentos pode até ajudar a empolgar os mais ferrenhos, mas não deixará de afastar os mais razoáveis, e sensatos, para prejuízo de todos.
Na política, como no futebol, acredito que Portugal merece melhor!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DO PORTO, À REALEZA



Ontem, o FCPorto voltou a passear a sua classe, derrotando o Villareal, por 5-1, num jogo que perdia,por 1-0, ao intervalo, tornando-se o grande favorito para conquistar a Liga Europa.
Benfica e Braga deixaram a decisão para o segundo jogo, pois a vantagem tangencial do Glorioso, por 2-1, deixa tudo em aberto.
Quase garantida, está uma final, inédita, entre equipas portuguesas.
Hoje, o dia será dominado pelo casamento real, de William e Kate, com direito a uma exaustiva cobertura televisiva.
Dom Duarte, apesar da "velha aliança", terá de satisfazer-se com a condição de comentarista da RTP...
No que me diz respeito, não posso deixar de saudar esta pausa, no rol de desgraças informativas que caracterizam o nosso quotidiano, aproveitando para desejar aos noivos as maiores felicidades.
E, goste-se ou não, os ingleses sabem como fazer estas coisas, sendo muito poucos os que conseguirão ficar indiferentes ao evento.
Ausente, mas omnipresente, estará a falecida princesa Diana, de quem a noiva parece ter herdado o estilo.
Se o casamento vai, ou não, salvar a monarquia ingles, isso são outros trocados, mas, seja como for, em homenagem aos meus amigos ingleses, aqui fica a minha real saudação:
"God Bless the Wedding"!
"God Save The Queen"!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

GERAÇÃO À RASCA?


Passo a reproduzir o texto de um email que recebi, que não resisto a partilhar convosco, e cujo autor desconheço, mas a quem quero dar os parabéns, por chamar a nossa atenção para pequenas minudencias, guardadas no baú do tempo.
Direi, apenas, que, apesar de ser possível acrescentar várias outras "maravilhas" daquele tempo, existem motivos para que a minha geração se sinta feliz, quando faz um balanço, global, da evolução portuguesa.
E um bocadinho de decoro, não faria mal a ninguém...

E como éramos felizes com o que tínhamos...

Geração à rasca foi a minha.
Foi uma geração que viveu num país vazio de gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à
saúde, ao ensino e à segurança social.
Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul.
De mulheres com poucos direitos, mas de homens cheios deles.
De grávidas sem assistência e de crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de
44,9%. Hoje é de 3,6%.
Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de
facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães
solteiras porque sim, pais biológicos, etc.
A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.
Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes, em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens, mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados.
Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.
Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época.
Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional, agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os bilhetes esgotaram.
As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de
bebidas, e não só...
O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios.
Éramos a geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.
As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou amigos que estavam por cá.
Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.
As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".
Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza... ...a viagem de ida.
Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os nossos cruzeiros.
Ginásios? Só nas colectividades.
Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.
Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar, não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito.
Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a
preto e branco.
A minha geração sim, viveu à rasca.
Quantas vezes o meu almoço era uma peça de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5
pessoas.
Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais, o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar.
Hoje vão comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para comemorar, tudo pago pelos paizinhos..
Têm brutos carros, Ipad's, Iphones,PC's, .. E tudo em quantidade. Pago
pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!
Tiram cursos só para ter diploma.
Só querem trabalhar começando por cima.

Afinal qual é a geração à rasca?

O BENFICA, E A FINAL DA LIGA EUROPA


Há cerca de um ano atrás, e já depois de o Benfica ter sido eliminado da Liga Europa, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, declarava, confiante, que pretendia ganhar a Liga dos Campeões, este ano.
Ninguém acreditou, naturalmente, mas ficava o registo de um discurso positivo, galvanizador dos jogadores, e dos adeptos.
Transcorrido um ano, e na véspera de iniciar a disputa, com o Sporting de Braga, para o apuramento para a final da Liga Europa, o que vem Jesus dizer-nos:
Que preferia não ter de enfrentar o Braga, e que são todos candidatos ao apuramento.
Que grande motivação, para jogadores, e adeptos...
Com quem preferia Jesus jogar? Com o Arrentela, sem desprimor, para esse simpático clube?
Preferia ter de fazer uma viagem à Rússia, reduzindo o tempo de descanso dos jogadores, que já acusam um enorme desgaste?
Francamente, há qualquer coisa que me escapa, nos comportamentos, e discursos, do treinador do Benfica, e de que não gosto.
O que se passou com Jorge Jesus, que justifique tão radical mudança de atitude, em relação à época passada?
Será que o treinador não sente que o Benfica tem obrigação de conseguir o apuramento?
Como sócio do Benfica, não posso esconder a minha perplexidade...
Desejo, naturalmente, o maior sucesso para o FCPorto, nesta eliminatória, mas não me passa pela cabeça admitir que o meu Benfica não esteja na final...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

NO RESCALDO DE MAIS UM FRACASSO...


"First things first":
Parabéns ao FCPorto, pelo apuramento para a final da taça de Portugal.
Parabéns a André Vilas Boas, pela lição táctica que deu a Jorge Jesus.
Parabéns aos jogadores do Benfica, pelo modo como se bateram, mesmo quando o seu treinador demonstrou ser incapaz de reagir, perante um resultado que afastava a equipa da final.
Prestadas as homenagem, quero partilhar algumas reflexões, a pretexto do que se passou, ontem, no jogo da segunda mão da meia final da taça de Portugal, que o Benfica perdeu, em casa, por 3-1, após ter ganho o primeiro jogo, no Porto, por 2-0.
E quero começar por apresentar o meu pedido de desculpas a Vilas Boas, um jovem treinador que eu não imaginei que pudesse ter a categoria que tem demonstrado.
Não só no campo, mas também fora dele, onde a educação e elegância das suas declarações contrastam com o comportamento das principais figuras do futebol português.
Já em relação a Jorge Jesus, treinador do meu Benfica, vejo-me forçado a reconhecer que o homem não é talhado para os grandes momentos.
Chegada a hora de decidir, o treinador do Benfica vacila, inventa, atemoriza-se, como voltou a ficar demonstrado, no jogo de ontem.
E esta minha convicção, que resulta de uma análise global, aos jogos decisivos, desde que Jesus assumiu o comando do futebol profissional do Benfica, sai reforçada quando o adversário se chama FCPorto.
Nesses jogos, o desastre é total, e Jorge Jesus parece fazer questão de demonstrar o seu medo, não só no modo como escolhe, e organiza, a equipa, como também na deferência para com o adversário, antes e depois do jogo.
Onde anda o Jesus determinado, da época passada, com um discurso confiante, motivador, e moralizador, dos jogadores?
Qual a origem dos repetidos "bloqueios" do treinador do Benfica, e do anormal estado de desorientação que evidencia, sempre que defronta o Porto?
A que se deve tanta deferência para com Pinto da Costa?
Será que é por lhe ter oferecido emprego, no final da época passada?
Ou será que Jesus ainda alimenta o sonho de vir a ser treinador do FCPorto?
O Porto ganhou bem, mas o segundo golo foi irregular.
Porque ignorou Jesus, nas suas declarações, esse facto? Será que teria feito o mesmo se o adversário tivesse sido o Sporting, ou o Braga?
E não posso deixar de estranhar que, Pinto da Costa, que não hesita em achincalhar os seus opositores, mesmo aqueles que com ele trabalharam, como José Couceiro, e tem um ódio de estimação ao Benfica, seja sempre tão pressuroso, na defesa de Jesus.
A menos que se trate de mais uma das suas ironias, pois o treinador do Benfica tem evidentes responsabilidades nos péssimos resultados do Benfica.
Ontem, por exemplo, depois das substituições, e quando restavam poucos minutos para o jogo terminar, foi confrangedor ver Carlos Martins e Fábio Coentrão a pedirem instruções sobre o lugar onde deveriam jogar, a um treinador perdido, sem chama, incapaz de liderar uma reacção.
E por falar nas substituições, ás pinguinhas, guardadas para o final de um jogo em que o Benfica precisava de marcar mais um golo, cabe perguntar o que levou Jesus a esperar pelo minuto 88, para fazer entrar Weldon no jogo?
Enfim, goste-se ou não, a verdade é que o treinador do Benfica entregou a eliminatória ao FCPorto, de forma inexplicável.
Dirão alguns, em sua defesa, que o treinador venceu o campeonato, no ano passado, mas a esses eu relembro que o rival era o Braga, e o sofrimento foi enorme, num ano em que o Porto esteve bastante aquém daquilo que seria de esperar.
E com excepção dessa conquista, Jorge Jesus tem claudicado, sempre, nos momentos decisivos.
E é por isso que, depois desta eliminação, e caso se revele incapaz de conduzir o Benfica à final da Liga Europa, me atrevo a sugerir-lhe que retome a coragem demonstrada no ano passado, ao pedir aumento do ordenado para não ir treinar o FCPorto, e apresente o seu pedido de demissão.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ASSIM NÃO VALE...


Na sua edição de hoje, o jornal Diário Económico divulga os resultados de uma sondagem da Marktest, sob o título "Portugueses apontam Sócrates como maior culpado da crise", em artigo assinado por Francisco Teixeira, que passo a reproduzir:

Uma esmagadora maioria de portugueses (86%) critica a actuação do Governo e do Presidente durante a crise.

A esmagadora maioria dos portugueses considera que o Governo deveria ter reagido mais cedo à pressão insustentável dos mercados financeiros e que o Presidente da República deveria ter sido mais activo ao longo da actual crise financeira. Em ambos os casos, 86% dos portugueses inquiridos pela Marktest dão nota negativa ao comportamento de Sócrates e Cavaco Silva.
Este estudo qualitativo realizado para o Diário Económico e TSF retrata o actual momento que o País atravessa e aponta as soluções políticas que devem sair das próximas eleições.
Entre as personalidades com responsabilidades políticas em Portugal, o primeiro-ministro é apontado como o principal responsável (65%) pela actual crise. E ao contrário do que ainda hoje garante o líder socialista, o PEC IV apresentado pelo Governo não era solução: 67% dos inquiridos garante mesmo que não evitaria um pedido de ajuda externa caso a oposição, a 23 de Março, tivesse viabilizado a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo colocou a votos no Parlamento.

Como primeira constatação, começo por fazer notar que, quem fez o título da notícia optou por poupar Cavaco, ao desagrado dos portugueses, embora isso não seja nada a que não estejamos habituados.
Afinal, bater no suspeito do costume, na actual conjuntura, rende, porque "é fácil, é barato, e dá milhões", para usar o "slogan" publicitário conhecido...
Mas quem se der ao trabalho de ler o corpo da notícia poderá verificar duas coisas:

- O título da notícia está construído para prejudicar a imagem do primeiro ministro;
- Os resultados desta sondagem, ou o que se lhe quiser chamar, não representam absolutamente nada, nem é legítimo que se lhes chame, "estudo qualitativo".

E passo a explicar porquê:

Se a ideia era demonstrar que Sócrates é o culpado pela crise que se vive, então era essa a pergunta que deveria ter sido feita. Eles saberiam dizer, aí sim, sem margem para dúvidas, o que pensam a esse respeito.
E se, por outro lado, a ideia fosse demonstrar que os portugueses não gostam de Sócrates, nada como perguntar-lhes, directamente, sem rodeios. E eles responderiam, simplesmente, sim, ou não.
Em qualquer dos casos, aí sim, poderiam ser retiradas conclusões quanto aos resultados, atendendo à objectividade das perguntas.
Mas perguntar aos portugueses se consideram que a aprovação do PEC IV evitaria o pedido de ajuda externa, sem lhes perguntar, simultâneamente, se sabem o que era o PEC IV, e quais os efeitos das medidas nele previstas, na dívida pública, é, perdoem-me a expressão, "andar a brincar com coisas sérias".
Isto porque, existem fundados motivos para suspeitar que, nem metade dos inquiridos faz a mínima ideia do que era o PEC IV, tem noção do que é a Dívida Pública, ou conhece o que é o Produto Interno Bruto.
E jogar com a ignorância dos portugueses, com a finalidade de influenciar o resto da opinião pública, seja com que objectivo for, é feio, muito feio. Além de ser, éticamente, condenável.
Lembro-me, por exemplo, da enorme celeuma, e discussão, em torno do modo como estava formulada a pergunta sobre aborto, quando da realização do referendo, com o argumento de que as conclusões poderiam não corresponder à vontade dos portugueses.
Pois, meus amigos, este é um caso semelhante, com a única diferença de, neste inquérito, terem sido feitas perguntas, que são verdadeiros abortos, cujas respostas não permitem as conclusões que muitos gostariam.
Assim não vale...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

PARABÉNS, PAI


Se fosses vivo, meu querido Pai, completarias, hoje, mais um aniversário.
Mas, contrariamente ao que era costume, seria um dia triste para ti, com a morte do nosso querido Gonçalves da Silva, cujo funeral terá lugar amanhã. Mas isso tu já deves saber...
Recordar o teu aniversário é, naturalmente, lembrar a mãe, a avó Rogélia, o avô Chico, o tio Carlos Alberto, enfim, todos os que nos eram tão queridos, e já partiram.
Mas a minha costela católica dá-me a ténue esperança de que possam estar todos juntos, celebrando, como nos bons velhos tempos, mais um dia 18 de Abril.
Se assim for, aqui ficam beijos, e abraços, para todos, com o pedido de que se divirtam, como era de costume, e bebam um copo à nossa saúde.
Mas este é o teu dia, meu querido Pai, pelo que tens direito a beijos especiais, daqueles do do tamanho do universo, na certeza de que chegarão até ti, seja qual for a parte dele onde te encontres.
Por cá, não haverá festa. Apenas celebramos muitas recordações, com muita tristeza, e uma enorme saudade.
Até sempre, Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo!

domingo, 17 de abril de 2011

MORREU O GONÇALVES DA SILVA!


Faltavam poucos minutos para as 10 da manhã, quando o telefone tocou.
Do outro lado, o Carlos Manuel, seu filho, dava-me a notícia que eu esperava nunca ter de receber:
- O velhote não aguentou!
O velhote a quem ele se referia, era o pai, Fernando Gonçalves da Silva, o "Gordo", para os amigos.
Um homem bom, um "coração de vaca", como tantos diziam, tamanha era a pureza, e nobreza, do seu carácter.
Um dos raros Homens genuinamente bons, que tive o privilégio de conhecer.
UM GRANDE AMIGO!
Conheci-o como meu primeiro chefe de secção, na banca, na secção do ultramar, do Banco Português do Atlântico, no dia 7 de Março, do ano de 1973, e apesar da forte amizade que o unia ao meu pai, seu colega no Banco, estava longe de imaginar que acabara de conhecer um Homem que me viria a tratar como um filho, até ao final da sua vida.
Apenas foi meu chefe dois anos, até meados do ano de 1975, tempo mais do que suficiente para aprender a admirar-lhe a bondade, lealdade, dignidade, e integridade, bem como o seu imenso prazer em viver a vida.
Fadista nato, e grande admirador de Alfredo Marceneiro, imitava a sua voz, rouca, em fados cuja letra sabia de cor, sendo em seu redor que se animavam as festa de convívio, entre familiares, e amigos, que tinham lugar em minha casa.
Tantos são os episódios vividos em conjunto, e tantas as memórias e recordações, que se torna difícil em escolher um, para ilustrar o Homem de quem vos falo.
Ainda assim, escolho relato-vos um episódio que evidencia a marca distintiva desse Grande Homem, que era o Gordo:
Corria o início de 1974, e os bancários estavam em greve.
As paralisações, que se estendiam por toda a banca, com concentração em volta dos Bancos, começaram por ser, se bem me recordo, de cinco de minutos, depois dez, quinze, e por aí diante, até à meia hora.
Todos os trabalhadores da secção do ultramar aderiram à greve, incluindo o Gordo, naturalmente, que fez questão de nos esclarecer que, apesar de solidário, se via obrigado a abrir as portas do Banco, na Rua de São Nicolau, no horário previsto.
Ao segundo, ou terceiro, dia de paralisação, chegava a ordem, para que ele identificasse todos os funcionários que tinham aderido.
A resposta foi curta, e imediata, e o seu superior hierárquico, homem conhecido, e reconhecido, pela dureza de tratamento, com os subordinados, ao receber a informação de que todos estavam no local de trabalho, à hora indicada, mandou chamá-lo.
Sabia bem, por ser do conhecimento de todos, que a informação que recebera não correspondia à verdade, e pretendia vê-la corrigida.
Mas o Gordo resistiu, estoicamente, sem recear eventuais represálias, e protegeu os seus colaboradores, e amigos, até ao fim.
Estávamos a poucos dias do 25 de Abril, em plena ditadura, e nunca chegámos a saber quais poderiam ter sido as consequências desse seu acto.
Mas acredito que essa sua atitude possa ter contribuído para retardar a sua promoção, na carreira, mesmo em pleno período democrático. Há coisas que nunca se esquecem...
Porém, as memórias de tantas coisas boas que vivemos, juntos, que afluem ao meu cérebro, em catadupa, neste momento de profunda tristeza, são impossíveis de descrever.
De olhos turvos, e ainda a procurar refazer-me do choque, acrescento, apenas, que a Amizade e Admiração, que comecei por sentir por ele, se foi fortalecendo, com o tempo, a ponto de se ter transformado em Amor.
Perdi um segundo pai, e é por isso que escolhi a foto acima, para ilustrar estas linhas.
Ao recordar a memória do meu pai, e do Gordo, o meu profundo desejo é o de que possam estar, agora, em amena cavaqueira, onde quer que estejam, perpetuando os maravilhosos momentos de Amor, e Alegria, que proporcionaram a todos os que lhes eram queridos.
E não resisti a fazer uma adaptação da letra de um dos fados mais conhecidos de Alfredo Marceiro, "O Louco", por eles tantas vezes cantado, em dueto, para lhes dizer o que me vai na alma, neste momento de profunda tristeza:

O lenço que me ofertaram,
tinha um coração no meio,
e agora, que me deixaram,
eu fui-me ao lenço... e guardei-o!

À minha querida Tia Idalina, sua mulher, deixo um longo beijo, e um abraço, muito apertado, do filho que ela não teve, mas adoptou, sempre com imenso amor, e carinho.
Ao Carlos Manuel, seu único filho, e bom amigo, deixo um abraço cúmplice, de quem sabe o que é a angústia, e o sofrimento, na hora da perda de um pai.
Aos restantes familiares, e amigos, quero expressar os meus sentidos pêsames.
Com a morte do Gordo ficámos, todos, muito mais pobres.
ATÉ SEMPRE, AMIGO!

MOURINHO, SÓCRATES, E OUTRAS AFINIDADES...


Tive oportunidade de assistir ao jogo entre o Real Madrid e o Barcelona, e não dei o meu tempo por perdido.
Mourinho voltou a dar razão, uma vez mais, aos que o consideram o melhor treinador do mundo, e conseguiu o "milagre" de empatar, tendo um jogador a menos, nos últimos 40 minutos d0 jogo, com a equipa que muitos consideram, justamente, a melhor equipa do mundo.
O Real Madrid, depois de uma primeira parte em que demonstrou poder vencer o Barcelona, viu-se a perder, por 1-0, por via de uma grande penalidade, justa, mas, com um jogador expulso, não só conseguiu empatar o jogo, como evidenciou uma superioridade que muitos julgavam não estar ao seu alcance.
Mourinho, o "mago" da conquista da Liga dos Campeões, pela Inter de Milão, voltou a passear a sua arte de organizar uma equipa de futebol. E foi bonito de ver!
Curiosamente, depois do jogo, e numa rápida passagem pelo Twitter, deparei-me com artigo, num blog, onde o autor considerava Mourinho e Sócrates como filhos de Maquiavel, mestres da táctica.
E porque achei interessante a comparação, propus-me reflectir um pouco a esse respeito, tentando encontrar semelhanças entre as actividades que ambos exercem, e que mexem com a vida de milhões de portugueses.
Como ponto de partida, despertou a minha atenção o facto de, em matéria de vocabulário, existirem afinidades evidentes: no mundo da política, como no do futebol, é recorrente a utilização de termos como corrupção, manipulação, mentira, fraude, batota, para citar apenas alguns. Sem esquecer outros, como estratégia, ou táctica, de aplicação mais generalizada, e com sentido menos pejorativo.
No futebol, como na política, constatei que, parte dos eleitores optou por se organizar em claques de devotos, com a missão de aplaudir os dirigentes, abafar as críticas, e motivar as hostes, sendo que os eleitos se encarregam de lhes proporcionar as condições para desenvolverem essa actividade.
E observei, também, que, no que respeita ás consequências da prática de actos ilícitos, existe um evidente paralelismo, sendo poucos os "casos" que chegam a tribunal, e muito menos os que resultam em condenação.
A culpa tende a morrer solteira, e, com excepção de um ou outro figurante, é muito baixa a probabilidade de um dirigente ser brindado com uma estadia no chilindró.
Política e futebol, pelo dinheiro, poder, e influência, que movimentam, e lhes são genéticos, congregam interesses da mais diversa ordem, existindo o sentimento, entre muita e boa gente, de que nem todos serão legítimos.
Também a estreita ligação entre a classe dirigente e o sector financeiro, que contribui para a sua eleição, assim como a excessiva influência deste nas decisões, é factor comum ás duas actividades, apesar de não merecer os favores de boa parte do eleitorado.
Assim como não são bem aceites as crescentes transferências de dirigentes, da política para o futebol, e vice-versa, havendo quem sugira que, o à-vontade que demonstram nessas mudanças, é revelador da identidade existente.
Seja como for, a verdade é que, apesar de muitos considerarem que somos induzidos a aceitar, como verdade, tudo o que nos querem impingir, sempre com a preciosa ajuda do marketing, são poucos os que não se resignam ao estafado recurso à figura do inimigo externo, quando se trata de desviar as atenções, de resultados adversos. E esse é outro elemento comum, o que leva alguns maldosos a afirmarem que, quando alguns dirigentes advogam mudanças profundas, o seu verdadeiro objectivo mais não é do que procurar garantir que tudo fica na mesma.
Mas outra afinidade, importante, entre política e futebol, consiste no facto de a crítica raramente ser bem aceite, e de se estimular pouco a participação dos eleitores, excepto quando se trata de eventos destinados ao apoio, ou consagração, dos líderes.
Reparo, agora, que a hora vai adiantada, e a escrita longa, dois excelentes motivos para dar por terminadas estas linhas.
Mas não sem uma nota final: a lembrança de que os portugueses envolvidos na política, e no futebol, constituem amostras, representativas, de um universo mais amplo, que somos todos nós...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

AMIZADE, E DIFERENÇAS DE OPINIÃO


Decerto que, todos os que me concedem o privilégio de ler os meus escritos, já notaram que a política tem ocupado, nos últimos tempos, um lugar de destaque, contra o que é meu hábito.
Sucede que, os acontecimentos recentes, em Portugal, tornaram quase obrigatório que assim fosse, por imperativo de consciência.
Curiosamente, tenho recebido, decerto que com as melhores intenções, alguns reparos, e recomendações, de amigos, incentivando-me a abandonar o tema, sempre com o mesmo argumento:
- Eh pá, não faças isso, não ganhas nada, a não ser inimizades. Ainda por cima pões-te a defender o Sócrates, que está na mó de baixo, e isso não é bem visto junto daqueles que virão a ser Governo.
A todos, sem excepção, respondo do mesmo modo:
Agradecendo o conselho, que registo, mas deixando claro que não é da minha natureza deixar de dizer, ou escrever, o que penso, com receio de poder merecer a discordância, e a crítica, de quem quer que seja.
Até porque nunca compreendi, nem compreendo, que se criem inimizades com base em diferenças de opinião, embora não ignorando que tal acontece, pelo que nada mais posso fazer do que lamentar que assim seja.
Quando escrevo a defender Sócrates, e o seu Governo, faço-o com a convicção de quem pensa ter razão, embora sabendo que muitos não concordam comigo, sempre de forma cordata, e sem ofender quem quer que seja.
Do mesmo modo que, quando falo de algum excesso de autoritarismo de Sócrates, ou de alguma falta de humildade nos seus comportamentos, tenho consciência de que a minha opinião não é partilhada por muitos dos seus seguidores.
Mas respeito as opiniões de todos, e exijo que respeitem as minhas, desde que expressas com a civilidade exigida ás pessoas de bem, sabendo que alguns dos princípios que defendo têm adversários, que me recuso a olhar como inimigos.
Infelizmente, na política, como no futebol, existem demasiados exemplos de radicalização de atitudes, e comportamentos, que sempre considerei inaceitáveis, e tenho procurado combater, ainda que sem grande sucesso.
Mas não tenciono deixar de ser quem sou, para agradar a quem quer que seja, e muito menos com o intuito de poder vir a beneficiar de eventuais favores, que nunca procurei, nem desejo.
Quero poder debater, livremente, e sem quaisquer constrangimentos, política, futebol, economia, religião, ou qualquer outro tema, tendo sempre presente que a linha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros.
Orgulho-me de poder contar, entre os meus amigos, com pessoas que têm, em diversos domínios, opiniões diferentes das minhas, mas cujo carácter, generosidade, e integridade, cimenta uma relação indestrutível.
A todos os que me expressaram a sua preocupação, deixo o meu renovado agradecimento.
Aos que ficam desagradados com o que escrevo, respondo que estão no seu direito, mas que é no livre debate das ideias, e no respeito mútuo, que encontraremos os alicerces para nos tornamos melhores cidadãos.
Aos que partilham ideias próximas das minhas, deixo a garantia de continuar a escrever, fiel aos meus princípios e convicções.
Nunca serei capaz de considerar alguém como inimigo, com base em diferenças de opinião, mas se alguém assim me considerar, por discordar daquilo que escrevo, pode dar por adquirida a certeza de que nunca poderá vir a ser meu amigo.

O SEU A SEU DONO...


Reproduzo, abaixo, o texto da página, da internet, da Agência Financeira. (http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/robert-m-fishman-new-york-times-tvi24-mercados-resgate-fmi/1246431-1730.html#).
Escrito por um académico estrangeiro, talvez este artigo possa merecer a atenção dos portugueses, com a credibilidade acrescida de o seu autor não ser alguém envolvido no ambiente de politiquice prevalecente em Portugal, quando se trata de analisar as causas que motivaram o pedido de ajuda externa, e não só.
Acredito que, quem se der ao trabalho de ler este texto, não dará o seu tempo como perdido, e ficará, certamente, com uma noção bem mais clara sobre o distanciamento entre o debate político nacional, e a realidade.
Sem mais, aqui fica a reprodução.

New York Times: «Portugal não precisava de ajuda»
Artigo de Robert M. Fishman lembra que há quem esteja pior que nós e que os mercados estão a pôr em causa a liberdade política


Afinal, ao que parece Portugal não precisava assim tanto de ajuda. Pelo menos, no «mar da inevitabilidade» da ajuda externa, defendido por um sem número de especialistas, surge uma «ilha» vinda dos EUA. O artigo do New York Times recupera a tese de que Portugal foi vítima dos mercados, lembra que há quem esteja bem pior que nós e ainda tem o «desplante» de afirmar que nos anos 90, Portugal teve uma «performance económica forte».

Robert M. Fishman, professor de sociologia na Universidade de Notre Dame, nos EUA, escreveu aquilo que Mário Soares já tinha dito. A pressão dos mercados deve ser um aviso às democracias. O professor afirma que a crise que começou com os pedidos de ajudada da Grécia e da Irlanda e seguiu um «caminho feio».

O pedido de ajuda de Portugal nada tem a ver com o seu défice. «Portugal teve uma performance económica forte nos anos 90 e estava a gerir a recuperação da recessão global melhor do que muitos países da Europa», escreveu.

Como foi dito há alguns meses, e silenciado cada vez mais com o aperto crescente dos mercados, Portugal ficou «sob pressão injusta e arbitrária de negociantes de obrigações, especuladores e analistas de crédito que, por miopia ou razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo».

Mercados que são um perigo, uma vez que deixados sem regulamentação estas «forças» ameaçam eclipsar a capacidade democrática dos governos (quem sabe mesmo dos EUA) de tomar as suas próprias decisões sobre os impostos.

Para Fishman, a crise em Portugal é completamente diferente da instalada na Grécia e na Irlanda. «Não há uma crise subjacente», defende, salientando que as instituições económicas e políticas não falharam e conseguiram importantes vitórias, antes de sermos submetidos às ondas de ataques dos especuladores.

O resgate que aí vem não irá resgatar Portugal, mas sim empurrá-lo para uma política de austeridade impopular que atinge quem mais precisa. São as bolsas estudantis, as reformas, o combate à pobreza e os salários de funcionários públicos que vão sentir na pele o «resgate».

Para o professor, não é Portugal que está a fazer a crise, até porque a dívida portuguesa está bem abaixo de países como a Itália e o défice tem diminuído «rapidamente» com os esforços do Governo. Fishman aponta ainda que no primeiro trimestre de 2010, Portugal teve uma das melhores taxas de recuperação económica, acompanhando ou mesmo ultrapassando os vizinhos do Sul e até mesmo a Europa Ocidental.

Aliás, se há alguém que não deve ser culpado do estado do país é o primeiro-ministro e os políticos portugueses. A recente crise política nada tem a ver com incompetência portuguesa, mas decorre da normal actividade política democrática, já que a oposição considerou que podia fazer melhor levando o país a eleições.

As razões do ataque a Portugal são então duas. Por um lado, um cepticismo no modelo de economia mista de Portugal. «Os fundamentalistas do mercado detestam as intervenções keynesianas, nas áreas da política de habitação em Portugal - o que evitou uma bolha imobiliária e preservou a disponibilidade de baixo custo de rendas urbanas - a assistência de renda para os pobres. Por outro lado, a falta de perspectiva histórica é outra explicação. O crescimento do país nos anos 90 levou a uma melhoria nos padrões de vida e a uma taxa de desemprego das mais baixas da Europa.

Para Fishman, os ataques dos mercados condicionam não só a recuperação económica de Portugal, mas também a sua liberdade política. Se o 25 de Abril foi um ponto de partida para uma «onda democratização que varreu o mundo», para o autor, a entrada do FMI em Portugal, em 2011, pode ser o início de uma onda de invasão da democracia, sendo que as próximas vítimas poderão ser a Espanha, a Itália, ou a Bélgica.

A PRETEXTO DE UM GRANDE SUSTO...


Foi excelente, para o futebol português, que Benfica, Braga, e Porto, tenham conseguido o apuramento para as meias-finais da Liga Europa. Aqui ficam os meus parabéns!
Mas se o Porto aproveitou para passear a sua classe, em Moscovo, voltando a golear o Spartak, para Benfica, e Braga, foi dia de aflição.
Contudo, o feito do Braga é tanto mais meritório quanto se tenha em consideração a expulsão de Paulo César, quando faltava mais de uma hora para o fim do jogo, e a escassa vantagem que lhe dava o empate, a um golo, no jogo da primeira mão.
Incompreensivelmente, ou talvez não, nem os três golos que tinha de vantagem foram suficientes para livrar o Benfica, e os benfiquistas, de um tremendo susto, ao estar a perder, por 2-0, quando eram decorridos, apenas, 25 minutos de jogo.
Como benfiquista, e treinador de bancada, tenho dificuldade em entender várias das opções de Jorge Jesus, cuja "criatividade" tende a aumentar quando disputa jogos importantes, e tentarei explicar, sucintamente, o que quero dizer:
1. A utilização de César Peixoto, que não faz parte, normalmente, da equipa base do Benfica, não só não costuma ser bem sucedida, como é reveladora dos receios do treinador, com reflexo nos índices de confiança da equipa.
Foi assim, por exemplo, nos jogos contra o FCPorto, que se saldaram por derrotas, em que desarrumou a equipa para encaixar Peixoto, e poderia ter sido assim ontem, não fora o golo de Luisão, num "timing" perfeito, já que Peixoto não tem condições para desempenhar o lugar que é de Pablo Aimar.
César Peixoto, que não é responsável pelas decisões do treinador, esforça-se por corresponder, com as limitações que se lhe conhecem, mas acaba por ser, várias vezes, o alvo da ira de muitos adeptos, injustamente.
2. As frequentes mudanças no centro da defesa não contribuem para dar tranquilidade aos jogadores, com reflexo na quantidade de golos sofridos, deixando a impressão de que o treinador não sabe quem escolher para parceiro de Luisão, e ficando claro que nenhum deles lhe merece particular confiança.
Sidney, Fábio Faria, e Jardel, são tudo menos defesas tranquilos, e confiantes, como fica evidenciado sempre que o Benfica sofre a pressão do adversário, com a agravante de saberem que não podem confiar em Roberto, para emendar um eventual erro.
As trocas de bola, na defesa, terminam, demasiadas vezes, com uma charutada de Luisão, sendo evidente que a equipa sai muito menos vezes, para o ataque, com a bola dominada, em contraste com o que sucedia na época passada.
Ainda no sector defensivo, parece claro que Fábio Coentrão rende muito mais na posição de defesa lateral, do que no meio campo, ou mesmo a extremo. A sua capacidade para criar desequilíbrios, no apoio ao ataque, fica muito prejudicada quando o treinador o elege para outras funções, mas Jesus não parece convencido disso.
Já no lado direito da defesa, e quando Maxi Pereira está menos bem, como aconteceu ontem, o Benfica não dispõe de um substituto à altura. E as adaptações de Jesus, como foi o caso da recente utilização de Ailton, evidenciam o que pensa sobre jogadores como Luís Filipe, sendo legítimo perguntar porque decidiu conservá-lo no plantel.
Na baliza, Roberto, apesar de algumas boas defesas, não tem condições, nem categoria, para ser o titular. Com evidentes deficiências no posicionamento, e péssimo a sair dos postes, nem a elevada estatura ajuda o guarda-redes do Benfica no desempenho da sua função, chegando a ser chocante a sua incapacidade para se impor, como deveria, na pequena área. Isto sem entrar em consideração com os regulares franguinhos, responsáveis pelo afastamento, precoce, do Benfica, da luta pela conquista do campeonato nacional.
A intranquilidade da defesa do Benfica começa, a meu ver, com a presença de Roberto, e nem a necessidade de justificar o dinheiro gasto na sua contratação deveria impedir o treinador do Benfica de dar oportunidade a Júlio César, ou a Moreira.
3. Do meio do campo para a frente, se é verdade que Saviola não atravessa um bom momento, não é menos verdade que o argentino rende muito mais quando joga com Pablo Aimar, mas Jesus, nas suas escolhas, parece empenhado em provar o contrário, nem sequer me parecendo válido o argumento de que a equipa perde capacidade de marcação, com os dois em campo.
Já Óscar Cardozo é, a meu ver, um caso perdido, sempre que a bola não lhe chega, redondinha, ao pé esquerdo. É lento, trapalhão, com pouca mobilidade, e cabeceia mal, pelo que tenho dificuldade em perceber a sua utilização, em jogos em que o Benfica adopta maiores cautelas defensivas.
Além de que deve ser frustrante, para Kardec, e Weldon, verificarem que não são opção, ante a comprovada ineficácia do paraguaio.
Eis, pois, de forma sucinta, o que me preocupa, e não entendo, nas as opções de Jorge Jesus.
Decerto que muitos não estarão de acordo comigo, mas também nisso reside a beleza do futebol, um jogo de regras simples, fáceis de entender, que propicia aos adeptos a tentação, fácil, de serem treinadores de bancada.
Desejo, naturalmente, que o meu Benfica vença a Liga Europa, mas temo que a criatividade de Jorge Jesus possa contribuir, como aconteceu ontem, para aumentar os sobressaltos, nessa caminhada.
Oxalá eu esteja enganado...