quinta-feira, 7 de abril de 2011

VOCÊ NÃO CUIDA DA SUA IMAGEM?


O burburinho, em torno das imagens de Sócrates, na TVI, quando ele pede a um colaborador para ver como resultava melhor, a sua imagem televisiva, é de um ridículo extraordinário.
E não deixa de ser curioso que, gente tão vaidosa, ou mais, do que ele, se tenha aprestado a criticar o primeiro-ministro.
Mas eu pergunto: Conhecem alguém que vá à televisão, e não se preocupe com a imagem?
É que eu não conheço nenhum, e conheço muita gente que já lá foi.
Esta sanha contra José Sócrates começa, a meu ver, a ser ridícula, de tanto diabolizarem o homem.
Que não se goste dele, que não se aprove a sua governação, que se seja seu adversário político, tudo bem.
Mas insultar, ofender, e tentar enxovalhar o primeiro-ministro, a propósito de tudo, e de nada, não só não é sério, como não enobrece quem o faz...
E é caso para perguntar: Você não cuida da sua imagem?
Se não cuida, é mau sinal...

terça-feira, 5 de abril de 2011

O "SHOW" TEM QUE CONTINUAR...


Confesso-me sem paciência para ler, ou ouvir, mais notícias sobre a situação no Médio Oriente.
Charles Chaplin comparou, um dia, a vida a uma enorme peça de teatro, que não permite ensaios. E eu acrescento que, com a globalização, a peça passou a desenrolar-se num teatro gigantesco, com cada vez menos actores principais, mas muito mais figurantes, e um público de centenas de milhões.
O guião resulta de uma co-autoria entre os principais dramaturgos ocidentais, sendo a encenação ajustada ás audiências, mas com todos os actos a terminarem de forma semelhante, favorecendo os interesses dos patrocinadores.
Os actores principais, como seria de esperar, concentram todas as atenções, e conhecedores da sua força não hesitam em ignorar, ou distorcer, o guião, a seu belo prazer, para defesa dos seus interesses.
Afinal, nesta enorme peça de teatro, como na selva, é o mais forte quem continua a ditar as leis.
Os figurantes, a quem é dado a conhecer o guião, mas vedada a possibilidade de influenciar o desfecho, acabam por se submeter ás exigências dos encenadores, e participar na representação, assegurando, deste modo, um papel nos próximos actos, e o direito à presença em palco, enquanto as primeiras figuras agradecem os aplausos.
Ou seja, garantem um lugar na fotografia, o que é escassa consolação para quem aceita hipotecar a dignidade.
Do outro lado, numa imensa plateia, está o público, na sua maioria seduzido pelo brilho das estrelas, e pela imagem que delas projectam os meios de comunicação social.
Alguns espectadores, rebeldes, contorcem-se nas cadeiras, esperneiam, havendo, até, quem ouse uma ou outra vaia, mas nada com força suficiente para impedir a exibição da peça. Nem a polícia dos costumes o permitiria, naturalmente.
Todos assistem à representação na esperança de um final feliz, como lhes foi vendido, todavia o que lhes oferecem é uma enorme tragédia, normalmente de péssima qualidade.
Mas "show" tem que continuar...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

PORTO CAMPEÃO


O Futebol Clube do Porto voltou a sagrar-se campeão nacional, de futebol, conquistando o seu 25º título.
Até aqui, nada de novo, pois o avanço pontual sobre o Benfica, segundo classificado, desde há muito que augurava essa possibilidade.
A conquista, com sabor a mel, para os dragões, e a fel, para todos os benfiquistas, foi garantida no estádio da Luz, com a vitória do Porto, por 2-1, o que lhe permitiu manter a invencibilidade no campeonato.
Por mais que nos custe, aos benfiquistas, há que reconhecer que se trata de uma conquista merecida, o que nem sempre foi o caso, num passado recente, e só nos resta dar os parabéns aos nossos adversários.
Infelizmente, não parece ter sido esse o entendimento dos responsáveis do Benfica, ao mandarem desligar a luz eléctrica, e accionar o sistema de rega, quando os jogadores do Porto ainda comemoravam a vitória.
Foi um comportamento leviano, como demonstram as declarações do subintendente da PSP, Costa Ramos, responsável pela segurança no estádio, e uma enorme falta de respeito, para com o adversário, que em nada dignificam os responsáveis pela decisão.
Já aqui escrevi, por diversas vezes, sobre a influência das atitudes dos dirigentes dos clubes no comportamento das claques, e nos actos de vandalismo, e selvajaria, por elas praticados, e aquilo que penso aplica-se aos dirigentes de todos os clubes, sem excepção.
Como benfiquista, só posso lamentar que os dirigentes do meu clube respondam, "à letra", aos responsáveis do Porto, porquanto lhes critico o método, e o estilo, com particular destaque para Pinto da Costa.
Adoptar uma política de "olho por olho, dente por dente", como parecem ter decidido os dirigentes do meu clube, pode ser muito popular, junto de alguns sectores benfiquistas, mas apenas contribui para o aumento da violência, verbal, e física. E nem o Sport Lisboa e Benfica, como se tem visto, nem o futebol português, têm nada a ganhar com esse tipo de comportamentos.
Não é demais realçar que, se anos houve em que as conquistas do Porto foram alvo, legitimamente, de contestação, este não é, seguramente, o caso, e o Benfica apenas pode queixar-se de si próprio.
O Porto é um justo vencedor, e merece os parabéns por esta conquista.
Ao Benfica recomenda-se que reveja o "filme" desta época, para evitar cometer os mesmos erros, no futuro.
Sugiro que comece pela baliza, reconhecendo que a fortuna gasta na contratação de Roberto foi um erro, já que a ele se devem muitos dos pontos perdidos no início do campeonato.
E para terminar o que começou, brindou-nos com um monumental "frango", logo no início do jogo, que acabaria por ser determinante no resultado, e na antecipação da conquista do título.
Mas também Jorge Jesus, com tendência para "inventar", normalmente mal, quando se trata de jogos importantes, deve reflectir sobre a responsabilidade que lhe cabe, neste insucesso. Até porque o Benfica ainda tem a possibilidade de conquistar a Liga Europa, e será bom que não repita os erros do passado...
Dito isto, convém lembrarmos que o Benfica está na final da Taça da Liga, e tem todas as condições para chegar à final da Taça de Portugal.
Ainda há, portanto, muita coisa para conquistar, esta época, e ganhar a Liga Europa permitiria ajudar a atenuar este desaire...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ATÉ QUANDO?...


Mais uma “guerrilha” entre Benfica e Porto, desta vez a propósito da entrada do material das claques, no recinto desportivo.
Comunicado para cá, comunicado para lá, e o caldo entornado, como de costume.
Claro que o Porto, que deu o mote, tem, formalmente, razão, quando fala da legalização das claques do Benfica, uma verdadeira dor de cabeça, que vai ter de ser resolvida, mais tarde ou mais cedo.
Mas não é menos verdade que o Porto aproveitou mais esta situação para criar um novo conflito, desnecessário, entre os dois clubes, tanto mais que adoptou um comportamento idêntico, no jogo da primeira volta.
É mais um episódio, lamentável, a juntar aos antecedentes que todos conhecemos, e pelo caminho que as coisas estão a levar, não é difícil prever que, um destes dias, a violência vai resultar em tragédia.
Depois, virão os lamentos, e recriminações, do costume, mas talvez tenha de ser assim mesmo, para as autoridades se disporem a tomar medidas drásticas, e os dirigentes perceberem que não podem continuar a contribuir, directa ou indirectamente, para o clima de crispação, e violência, que se vive nos estádios, e fora deles.
E também seria bom que a imprensa desportiva deixasse de se limitar a reproduzir as declarações dos dirigentes, ou a dar a conhecer estas situações, sem assumir uma posição crítica. Para defesa do futebol português, que é quem, em última instância, dá emprego a esses profissionais.
No passado, os responsáveis do Porto, com Pinto da Costa à cabeça, têm sabido gerir muito bem estes conflitos, mesmo quando não são provocados por eles, o que nem é o caso, para deles tirarem proveito. Espero, como benfiquista, que desta vez possa ser diferente…
Seja como for, parece-me inegável que estão criadas, infelizmente, as condições para que voltem a surgir problemas, antes, durante, ou depois do jogo, e os dirigentes dos dois clubes não poderão declarar-se inocentes, o que é lamentável.
E é pena, porque o futebol português tinha muito a ganhar com uma rivalidade, saudável, entre os dois clubes, e com a cooperação entre ambos, visando as muitas reformas que é necessário fazer.