domingo, 23 de janeiro de 2011

DEPOIS ADMIRAM-SE...


Em dia de eleições presidenciais, em Portugal, e face a um nível de participação muito baixo, alguns políticos optam por culpar os eleitores, ao mesmo tempo que apelam à sua participação.
E que tal começarem a olhar para a qualidade da actividade que exercem, e para os seus resultados?
É sempre difícil ser juiz em causa própria, mas cego maior do que o que não vê, é aquele que não quer ver.
Se é verdade que votar é um direito, não votar também o é, e o exercício desse direito tem de ser motivado, não com slogans e frases feitas, vazios de conteúdo, mas através da prática política, quotidiana.
Ou será que os políticos portugueses ainda acreditam que podem continuar a tratar os eleitores como se fossem débeis mentais, por muito mais tempo, sem que isso tenha consequências?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

VAI DAR CAVACO...


Chegados ao final da campanha eleitoral, para a primeira volta, que levará à escolha do novo presidente da república portuguesa, parece-me legítimo que se questione o resultado dos debates entre os candidatos, bem como as respectivas campanhas.
Do meu ponto de vista, nada de significativo, ou seja, mais do mesmo.
Para os que apreciam a chicana política, e admito que sejam bastantes, a polémica em torno do envolvimento do candidato Cavaco Silva com algumas figuras do chamado "caso BPN" deve ter-lhes proporcionado alguns momentos de diversão, mas não terá, a meu ver, consequências eleitorais significativas.
Além de que não se trata de algo verdadeiramente novo, porquanto o tema da compra e venda de acções da SLN já tinha sido comentado, ainda que com um tratamento mediático bem diferente daquele que foi concedido aos casos que, pretensamente, envolviam José Sócrates.
Como diz o povo, "mais vale cair em graça do que ser engraçado", e as coisas são como são...
Até a compra da nova casa de férias de Cavaco Silva, e algumas irregularidades no seu licenciamento, não mereceriam qualquer destaque especial, não fora o facto de ter sido adquirida ao senhor Fantasias, colaborador próximo do ex-presidente do BPN.
Mas os portugueses também conheciam o caso da marquise e o resultado foi o que conhecemos...
Enfim, muita fantasia e especulação em torno das ligações do actual presidente ao "caso BPN", mas nenhuma evidência da existência de factos que o desqualifiquem para o exercício do cargo.
Mais interessante, e a carecer de melhor explicação, terá sido o aviso para o perigo de uma subida das taxas de juro, em caso de necessidade de uma segunda volta, e para os custos adicionais que a mesma acarretaria.
Teria sido bom que o candidato tivesse explicado melhor o que queria dizer, mas não acredito que Cavaco Silva tivesse intenção de advogar quaisquer limitações à democracia.
Apenas lhe dava jeito que o assunto ficasse resolvido desde já, e tratou de arranjar umas justificações de última hora. Não foi feliz.
Já Manuel Alegre, que também não nos brindou com nenhuma ideia nova, acabará por pagar a factura da sua primeira candidatura, contra o seu ex-amigo Mário Soares, e do constante ziguezaguear entre o PS e o Bloco de Esquerda, facto que muitos militantes do PS não esquecem.
Cá se fazem, cá se pagam...
Fernando Nobre, que passou boa parte da campanha a justificar porque se candidatou, esteve aquém das expectativas, não trazendo nada de novo ao debate, e deveria te-lo feito.
Fica a "originalidade" de ter sido uma candidatura sem suporte partidário, apesar de apoiada, para não dizer incentivada, por Mário Soares, e pelos soaristas.
Soares que, a meu ver, também será um perdedor nestas eleições, ainda que indirectamente...
Enfim, tudo junto e ponderado, é razoável admitir a reeleição de Cavaco Silva, logo na primeira volta, como indicam as sondagens, o que me parece ser a melhor escolha, de entre as alternativas existentes, para o país.
É que, além de acreditar que Cavaco fará tudo o que estiver ao seu alcance para preservar a estabilidade política, estou, também, convicto de que, após provar o travo amargo da suspeita, relativamente ao seu envolvimento no "caso BPN", não lhe será tão fácil assobiar para o lado, quando o alvo voltar a ser José Sócrates.
Aguardemos, pois, as cenas dos próximos capítulos...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DEPOIS DE PRONTO...



Depois de um período de ausência, pareceu-me tempo de retomar a escrita.
Enquanto os portugueses, numa conjuntura adversa, se preparam para nova eleição presidencial, com a mais do que provável reeleição de Cavaco Silva, as hostes partidárias concentram-se na maximização do aproveitamento político da crise e na estratégia a seguir, após a eleição.
Dizer, como tantas vezes sucede, que "cada povo tem o governo que merece", para apoucar o Executivo, e os portugueses que o elegeram, é pecar por defeito, pelo que me atrevo a sugerir a substituição dessa expressão por "cada povo tem os líderes, e os políticos, que merece". Seria mais adequada, por mais abrangente, e descreveria melhor o estado de desconfiança, descrença e apatia que parece assolar o país.
Mas seja uma, ou outra, a expressão utilizada, a verdade é que, em ambas, somos nós, os portugueses, quem fica muito mal no retrato.
Mas um povo que conta com uma significativa percentagem de saudosistas do passado, que parecem ter esquecido tudo o que de bom foi conseguido desde a restauração da democracia, e foi muito, não pode aspirar, digo eu, a ficar bem na fotografia, seja ela a cores, ou a preto e branco.
Gerir e tomar decisões implica, excepto para alguns iluminados, cometer erros. E o factor distintivo entre os mais e menos capazes reside, justamente, na capacidade de aprender com o erro e evitar a sua repetição, embora este pareça ser um princípio que poucos portugueses estão dispostos a aceitar, e é pena.
Diz o povo que "a necessidade aguça o engenho", mas as nossas elites parecem empenhadas em desmenti-lo, dado que as necessidades têm vindo a aumentar, sem que, com elas, tenham surgiram soluções engenhosas, para a resolução dos problemas que afectam o país...
Quem ouve e lê o que diz a maioria dos nossos líderes, aos mais diversos níveis, fica com a impressão que, tal como o professor Cavaco Silva, eles "nunca se enganam e raramente têm dúvidas", estando de posse das soluções para todos os problemas. Contudo, ou não as apresentam, ou, quando o fazem, é muito raro encontrar-se um traço inovador, que as credibilize como alternativa ás soluções adoptadas.
Em regra, a critica centra-se mais na forma, do que no conteúdo, isto quando o discurso não tem objectivos meramente ideológicos, ou eleitorais...
Embora apontando vários erros aos governos chefiados por José Sócrates, e é sempre possível apontar vários erros a qualquer governo, ficaria de mal comigo se não admitisse que admiro a coragem e a tenacidade do primeiro-ministro português, apesar de saber que se trata de um reconhecimento politicamente incorrecto, sobretudo num momento em que malhar no chefe do executivo parece ser o principal desporto nacional.
Ainda assim, sinto que esse reconhecimento lhe é devido, num momento difícil para o país, e para o governo, sobretudo no início de um ano que muitos apostam vir a ser o último da era Sócrates, por tudo o que de bom foi feito, e pelo esforço reformista de que já deu provas.
Como diria o meu querido, e falecido, pai, utilizando uma expressão herdada do meu avô, e que retrata o meu sentimento para com aqueles que, nunca apresentando alternativas, estão sempre prontos para criticar a obra feita, ou a sugerir que era óbvia, e não apresentava qualquer dificuldade, "depois de feito, é um instantinho".
Votos de um Feliz Ano de 2011 para todos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A MINHA MENSAGEM DE ANO NOVO


De mansinho, como quem não quer a coisa, o ano de 2011 chegou e instalou-se.
Terminado o mês da boa vontade, em que todos desejam Saúde, Sorte, Paz, Amor, Felicidade, "et caetera" e tal, a conhecidos e desconhecidos, temos pela frente onze meses em que tudo voltará a ser como dantes, com amigos, conhecidos, desconhecidos, inimigos, intrigas, fofocas, muito escárnio e muito maldizer. Enfim, o costume...
Segundo muitos, este será o ano em que Portugal vai ter de pedir ajuda ao FMI, Cavaco será reeleito Presidente da Republica Portuguesa e o Parlamento será dissolvido, o que, para inicio de ano, não está nada mal...
Mas eu, que fugi da chuva e do frio, e entrei no novo ano na praia, estou cheio de energia, e encaro 2011 com moderado optimismo.
Acredito que Portugal não terá de recorrer ao FMI, que o Parlamento não será dissolvido, a menos que as coisas corram mesmo muito mal, em termos do controlo da despesa pública, e que Cavaco será eleito na primeira volta.
Assim sendo, e no que à política diz respeito, antevejo um 2011 com muita politiquice, com a classe política, sem excepção, a tratar os cidadãos eleitores como se fossem débeis mentais, ou seja, uma política de continuidade...
Na economia, e na linha do que nos tem vindo a ser anunciado, vai ser o apertar do cinto, para quem não tem cinto, ou já o aperta no ultimo furo, porque apesar das queixas e lamurias de boa parte da nossa classe média, é ela que alimenta a nossa gigantesca economia paralela...
E se muitos dos que se queixam cumprissem com as suas obrigações, a dívida pública não teria, seguramente, a dimensão que lhe conhecemos.
Mas a rapaziada cá do burgo é assim mesmo, e enquanto os tribunais, e a administração pública, continuarem a funcionar como funcionam, resta-nos ir cantando e rindo, ainda que levados, levados sim...
Já na bola, outro dos grandes desígnios nacionais, o ano de 2011 promete muitas alterações, para que tudo fique na mesma, como muito bem ilustra a novela em torno das eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.
O Porto, que tratou de se acautelar em 2010, deverá ser campeão e o meu Benfica prepara-se para regressar ao "para o ano é que é", que deve ser a frase mais ouvida lá para os lados da segunda circular, nas últimas décadas...
Quanto ao resto, será, em 2011, a vidinha do costume, com as habituais queixas dos agricultores, dos pescadores, dos funcionários públicos, dos professores, dos profissionais de saúde, dos polícias, dos militares, dos juízes, dos banqueiros, dos pequenos, médios e grandes empresários, dos sindicatos, dos reformados, dos pobres, dos remediados, dos ricos, enfim, todos a ralhar, e todos a ter razão, numa casa onde o pão não abunda e o que existe está muito mal distribuído...
Por isso, meus caros, amigos e inimigos, conhecidos e desconhecidos, a minha mensagem de Ano Novo é simples, e muito curta:
Votos de muita saudinha para vocês todos, que o custo dos medicamentos está pela hora da morte!
E se, feitas as contas, no final de 2011, ainda sobrarem uns trocados, não os joguem na lotaria, ou no euromilhões, que essa coisa de ser rico deve ser uma enorme maçada...