quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

TRISTE...


O meu País é um País triste !
Porque as pessoas são tristes, porque os dirigentes são tristes, porque até os poetas são tristes, e chatos...
O clima de tristeza e de depressão que se vive em Portugal, maior do que o habitual, acentua a nossa tendência para o conformismo, o alheamento, o fado, entendido no seu pior sentido...
Portugal atravessa um período difícil, é verdade, económica e socialmente, mas continuamos a ser um dos países onde melhor se vive, no mundo. Apesar das enormes dívida externa e despesa pública...
Basta olhar o que se passa no mundo, para percebermos que somos privilegiados, embora isso não seja motivo para sentirmos que podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades, bem pelo contrário...
Somos um país democrático, respeitador dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, e isso deveria bastar para que, aliados á nossa capacidade criativa e de trabalho, o futuro do País pudesse ser encarado com optimismo.
Mas, infelizmente, não é assim !
A luta partidária transforma os nossos políticos em pouco mais do que comentadores de futebol, e esse espírito alastra aos cidadãos, que replicam as opiniões dos seus líderes em discussões que em nada diferem das discussões futebolísticas...
A política, tal como o futebol, é um jogo, só que no jogo político as repercussões extravasam, amplamente, um rectângulo relvado...
E quando leio os jornais, e vejo televisão, só posso sentir uma profunda tristeza pelo estado em que se encontra o meu País...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

HAITI...


Era com imagens como esta que o Haiti se apresentava ao mundo turístico, evidentemente, antes da tragédia que se abateu sobre o país.
No momento em que escrevo este "post" chove, copiosamente, em Lisboa, e não consigo ignorar que muitos não possuem, sequer, um abrigo, num país europeu, como é o meu...
Nós, europeus, ou melhor, ocidentais, que tivemos a felicidade de nascer em países ricos, ou que souberam enriquecer á custa de países pobres, aprendemos, rápidamente, que "paga" ser solidário com os mais desfavorecidos, num contexto de "realpolitik", para usar um palavrão muito em voga, na política internacional...
Neste momento em que a tragédia que se abateu sobre o Haiti concentra as atenções de todos os meios de comunicação social, nem sempre pelos melhores motivos, quero deixar, bem clara, a minha posição:
- Total solidariedade para com as vítimas desta tragégia, os seus familiares, e o povo haitiano;
- O meu reconhecimento, ainda que de "barriga cheia", para com todos os homens, e Estados, de boa vontade, que se disponibilizaram para ajudar a minimizar os efeitos desta tragédia, sem nada pretenderem em troca;
- O meu mais veemente repúdio pela exploração da tragédia e da miséria humana, seja qual for a contrapartida que lhe esteja subjacente, ou os benefícios que dela pretendam tirar...

sábado, 9 de janeiro de 2010

A ÁRVORE...



Pela sua actualidade, e genialidade, não resisto a publicar este texto, que me fizeram chegar por correio electrónico.
Divirtam-se, reflictam e...bom fim de semana

É crónica do Luis Fernando Veríssimo, filho do Eurico Veríssimo, que publica semanalmente na folha de S. Paulo, a não perder...

Árvore Genealógica - Luiz Fernando Veríssimo

- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea.
Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá ! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
- Por quê ?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar ?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como ?
- Veruska...
- Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe !!!...
- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...
- Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska ?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem ?
- Da Bel.
- Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito.E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas..
- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que.. ?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f...

(Luiz Fernando Veríssimo )

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

LEGITIMIDADE...

Não deixa de ser curioso que, alguns partidos, em véspera de votações sobre temas controversos, se aprestem a vir reafirmar que a Assembleia da República tem legitimidade para decidir sobre os temas em debate.
Foi assim quando da questão do aborto, e repete-se, agora, a propósito do casamento homossexual, com o Partido Comunista Português a vir reiterar aquilo que todos sabemos.
Só que, a questão, agora, como antes, não é a de se saber se o Parlamento Português tem legitimidade, legal, para aprovar a lei, pois ela é inequívoca, mas sim de se avaliar, atenta a delicadeza do tema, e a sua natureza fracturante, se não seria avisado que os portugueses fossem chamados a pronunciar-se, em referendo, sobre essa questão.
Mais do que discutir a legitimidade do Parlamento para aprovar as leis, importa discutir se, é legítimo que os portugueses não sejam chamados a pronunciar-se sobre um tema desta importância, e, a ser assim, faz todo o sentido que nos questionemos sobre a utilidade da figura do referendo.
A menos que, a figura do referendo tenha sido instituída para ser utilizada, apenas, quando se sabe que a matéria a referendar tem assegurado, á partida, o apoio da maioria da população, evitando-se a consulta popular sempre que se suspeitar que o resultado pode não ser o pretendido...
Se um tema desta importância, num país maioritariamente católico, puder ser aprovado entre quatro paredes, ainda que paredes parlamentares, a legitimidade, formal, da decisão, não poderá ser questionada, mas a qualidade da democracia, que todos os partidos dizem defender, essa, sairá, claramente, afectada.
Como socialista, quero acreditar que os deputados da bancada do PS acabarão por viabilizar o referendo, no respeito pelos portugueses, numa matéria que está muito longe de ser consensual, até entre os militantes do partido...