quarta-feira, 18 de novembro de 2009

AMIZADES



Dizia-me, há tempos, um amigo, que me acha teimoso, demasiado senhor da minha opinião, que falo demais, e acabo por pagar por isso...
A propósito de alguns acontecimentos, recentes, dei comigo a pensar nessa nossa conversa, não podendo deixar de reconhecer a razão que lhe assiste.
Na verdade, tenho os defeitos que esse amigo me apontou, e mais alguns, que, generosamente, não referiu, sendo que, agora, ao lembrar essa nossa conversa, dei comigo a pensar sobre o que é legítimo esperarmos de um amigo:
Que nos defenda, em público, e nos critique, em privado, ou o contrário ?
Que seja leal, honesto, frontal,e crítico, no melhor sentido do termo, ou que, pelo contrário, nos diga o que sabe que gostamos de ouvir, ainda que pense o contrário?
Sempre fico agradecido aos meus amigos, por todas as suas críticas, justas, mesmo quando não estou de acordo com elas.
Só que, aceitar as críticas é uma coisa, e agir em conformidade é outra, bem diferente, pelo que sei que vou continuar a ser falador, ás vezes demais, teimoso, e opinativo, sem receio de que as minhas opiniões possam desagradar, desde que esteja convicto da razão que me assiste.
Sei o que é ser bafejado pelo sucesso, e pelo insucesso, e aprendi, sempre, mais com este do que com aquele...
E como sou orgulhoso, raramente me arrependi do que fiz, nem mesmo das asneiras, que sei que irei continuar a fazer, neste processo de aprendizagem, permanente, que é a vida.
Numa introspecção, benevolente, direi que as minhas qualidades superam os meus defeitos, mas aceito que outros assim não pensem.
Afinal, como diz o ditado, "presunção e água benta, cada um toma a que quer..."
E eu tenho a presunção, e o orgulho, de ser escravo das minhas amizades, dispensando, contudo, todas as que se inspiram nos ares de Peniche...








A LUTA...

A comunicação social diz-nos que o sr dr Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, acha que a suspensão da avaliação dos professores é fundamental, e se declara pronto para a luta.
Como não sou muito dotado, intelectualmente, e não só, dei comigo a pensar sobre o que pretende, de facto, o sr dr Mário Nogueira .
Um regime sem avaliação dos professores ?
Um sistema educativo onde a culpa pelos maus resultados morra, sempre, solteira ?
Uma carreira profissional para os professores, segundo a qual, independentemente dos resultados, a evolução na carreira seja garantida ?
Apresentou a Fenprof algum modelo alternativo ?
Não conheço o sr professor Mário Nogueira, a não ser pelas suas intervenções televisivas, que me fazem agradecer a Deus, sempre, o facto de o meu filho não estar em idade escolar !
O que fazia o sr dr Nogueira antes de ser sindicalista ?
Era bom professor ?
Reconhecido na sua escola ?
O que o levou a dirigente sindical ? A sua capacidade de liderança, como professor, ou a sua ligação ao partido comunista ?
Ao defender a suspensão do modelo de avaliação, o que propõe o dr Nogueira em troca ? Nada ?
A luta para a qual se diz preparado, tem como finalidade o quê ?
Melhor sistema educativo ?
Melhores professores?
Ou vida mais facilitada para alguns, que admito sejam bastantes, dos professores que representa, e pouco, ou nada, fazem, em prol da educação dos seus alunos ?
Ou será que se trata, apenas, de uma questão política, que pouco, ou nada, tem a ver com os verdadeiros interesses da classe que, supostamente, representa, e muito menos, com os interesses dos alunos ?
Do alto dos meus 55 anos, atrevo-me a dizer que, a melhor coisa deste sistema são, apesar de tudo, os alunos, que conseguem aprender alguma coisa num sistema onde todos parecem preocupados em defender, apenas, os seus próprios interesses...
Felizmente que, hoje, ao contrário do meu tempo, a aprendizagem, e o conhecimento, estão ao alcance de todos, através da internet, e qualquer aluno, aplicado, pode, até, dispensar a qualidade interpretativa do professor, quando exista, para preparar um exame final.
Confesso que me cansam os drs Nogueiras deste mundo, que ainda não entenderam, ou não dão disso provas, que as fronteiras do conhecimento ultrapassaram, há muito, as salas de aula.
Os professores dos nosso tempo terão de ter capacidades diferentes das que eram requeridas há uma dezena de anos, como os sindicalistas de hoje precisam de se adaptar ao mundo em que vivem...
É por isso que a avaliação dos educadores da juventude portuguesa não pode ser suspensa e que os dirigentes sindicais actuais, com mentalidade passadista, estão condenados ao insucesso.
Por mais que estejam preparados para a luta...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

AINDA O TABAQUINHO...



A imagem, acima, foi retirada da revista Veja, edição de 8 de Abril de 2009, e ilustra bem o destino que alguns governos dão aos impostos cobrados sobre o tabaco.
Ontem, na página do jornal Sol, na internet, podia ler-se:

"(...)O projecto de directiva prevê um aumento da taxa mínima sobre o tabaco que deve ser aplicada na UE, anunciou hoje a presidência sueca da União, actualmente em exercício.
«É muito mais do que uma questão fiscal, é também uma questão se saúde pública», afirmou o comissário europeu para os Assuntos Fiscais, Laslo Kovacs, em conferência de imprensa.
Actualmente, os impostos sobre o tabaco (sobre o consumo) devem representar pelo menos 57 por cento do preço do maço de 20 cigarros e pelo menos 64 euros por mil cigarros.
Espera-se agora aumentar o imposto para os 60 por cento do preço do maço e para os 90 euros por mil cigarros, até 2014.
O compromisso autoriza um período de transição até 1 de Janeiro de 2018(...)".

Fumador, assumido, e não arrependido, sinto-me "confortado" por este meu hábito, decretado como anti-social, estar a contribuir para financiar a saúde de terceiros, muitos deles, provavelmente, ferrenhos opositores do cigarrinho...
E mais "confortado" fico quando sou informado, pelo senhor comissário europeu, que o novo agravamento fiscal, é uma questão de saúde pública...
A saúde pública defende-se pelo preço ? É uma teoria curiosa...
Porque não ilegalizam o consumo do tabaco, já que, a acreditar nos novos arautos da defesa da saúde pública, é causa de todos os males de que padece o ser humano ?
Aí sim, ficava defendida a saúde pública ! E, já agora, aproveitavam para liberalizar as drogas leves, como muitos defendem...
Só que o aumento do preço pode, até, ser mais do que uma questão fiscal, mas o dinheirinho dá um jeitão...
Mas se a preocupação é com a saúde pública, porque não aprova a comunidade uma directiva que aumente, na mesma proporção, imposto/preço de venda, os impostos sobre as empresas cuja actividade liberta dióxido de carbono, e metano, principais causadores do efeito de estufa ?
Ou será que este não é um dos principais problemas de saúde pública, e não só, de que o mundo padece ?
Limitar direitos individuais é, sempre, mais fácil, do que mexer com interesses de grupos económicos, mesmo quando se trata de defender a saúde pública...
Os impostos que já pago, pelos dois maços de cigarros que consumo, diariamente, deixam-me de consciência tranquila, quanto á minha contribuição para a defesa da saúde pública, cobrindo, amplamente, quaisquer encargos que eu possa vir a causar ao sistema, público, de saúde, tanto mais que contribuo para um sistema privado.
Será que os senhores comissários, e os grupos de pressão anti-tabaco, podem dizer o mesmo ?
Tenho sérias dúvidas...

PS: Como a pecuária é responsável por 16% da poluição mundial, e o gado bovino, e ovino, pela produção de gás metano, porque não criam os senhores comissários, um imposto sobre as vacas, e ovelhas ?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

INCOERÊNCIAS...


Com a transformação do futebol num dos maiores negócios do mundo, é cada vez maior o número de pessoas que defende o recurso ás imagens televisivas, como auxiliares das equipas de arbitragem, para defesa da verdade desportiva.
É uma prática aceite noutros desportos, com sucesso, pelo que se torna difícil entender a resistência da FIFA, ao recurso á tecnologia...
Ingénuamente, tenho admitido que a própria FIFA acredita na sua"versão oficial", segundo a qual o recurso ás imagens acabaria por provocar vários tempos mortos, reduzindo a beleza do jogo.
Ainda que, ninguém, de boa fé, possa aceitar que os resultados desportivos sejam desvirtuados, por erros de arbitragem, com as consequências que todos conhecemos, quando existem meios para o evitar, tenho-me esforçado para acreditar que, por detrás da recusa, não estão razões que a razão desconhece...
Mas as minhas dúvidas aumentaram, substancialmente, quando, pela primeira vez, assisti a um "tempo técnico", durante um jogo de futebol, decidido pelo árbitro, devido ao calor, para os jogadores, e equipa de arbitragem, se refrescarem.
Foi uma paragem de dois minutos, a meio da primeira parte do jogo entre o Fluminense e o Palmeiras, no domingo passado, que foi compensada, no fim do tempo regulamentar, e que, para minha surpresa, é autorizada pela FIFA.
Não que me pareça uma má ideia, pelo contrário, mas como aceitar que um jogo possa ser interrompido para os intervenientes se refrescarem, e recusar uma pausa, bem menor, para garantir que uma decisão do árbitro não fere a verdade desportiva ?
Ou será que, para os senhores da FIFA, existem, mesmo, razões que a razão desconhece...?