sábado, 7 de novembro de 2009

"O CRIME" DE SER GORDO



Longe vão os tempos em que um pacato cidadão podia viver a sua vida em paz, sem que o Estado o "obrigasse" a ser saudável, segundo parâmetros pré-definidos.
Hoje, a cedência aos interesses de diversos grupos de pressão está na moda, e é em nome da nossa saúde que são aprovadas diversas proibições, algumas delas totalmente inaceitáveis, em democracia.
Desta vez, a notícia chega-nos de Inglaterra, e está reproduzida no jornal i, com uma criança recém-nascida retirada aos pais, porque a mãe cometeu o "crime" de ser obesa.
E não deixa de ser curioso que, até a terminologia se adaptou aos novos tempos...
Já não há pessoas gordas, agora só existem obesos.
Resolvido o problema dos fumadores, pela via de legislações absurdas, de um fundamentalismo indigno de países democráticos, é agora a vez dos gordos, perdão, dos obesos.
E eles que se cuidem...
Proponho, pois, que seja dada a conhecer, a todos os cidadãos, a relação peso/altura, máxima, que os pais terão de ter, para que possam procriar, sem correrem o risco de que lhes seja retirada a custódia dos seus filhos.
Tanto mais que, as autoridades espanholas já tiveram um comportamento semelhante, como nos conta o jornal i, e a coisa corre o risco de alastrar, já que noutros países, como Portugal, essa possibilidade está, legalmente, consagrada.
E eu acredito que a complacência das opiniões públicas, e publicadas, para com as diversas manifestações de fundamentalismo, em nome na nossa saúde, representa um sério risco para os nossos direitos, enquanto cidadãos...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PORTUGAL

Um dos mais importantes guias turísticos do mundo, o "Lonely Planet's Best in Travel 2010" recomendou uma visita a Portugal, que incluiu entre os 10 principais destinos de visita obrigatória.
Entre várias referências positivas, com realce para a gastronomia e os vinhos, o guia refere Portugal como um destino apelativo, inovador na oferta e apostado na modernidade.
Num momento em que as manchetes são dominadas por notícias deprimentes, é reconfortante ver Portugal citado pelos melhores motivos...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

NO DENTISTA...


Ontem foi dia de dentista. Um sofrimento...
Tenho a felicidade de ter um excelente dentista, sempre preocupado em minimizar a dor associada ao tratamento.
Só que não é possível evitar a dor ligada á injecção da anestesia, o momento mais difícil da minha visita.
Não é a broca, nem o som que produz, um "zeeeee...", que se transforma num enervante "zimmm...", que me atormenta, mas sim o momento da aplicação da anestesia.
O contacto da agulha com a gengiva, deixa-me sempre nervoso, e faço os possíveis por pensar em tudo, menos nisso, enquanto fecho os olhos e cerro as mãos contra o braço da cadeira.
Admito que possa ser absurdo, até porque a dor é, perfeitamente, suportável, mas é superior a mim...
Mas o motivo deste escrito, tem a ver com o que me aconteceu no fim da consulta, depois de uma hora e meia de boca aberta, quanto eu já respirava de alívio, e procurava assegurar-me de que a metade da boca anestesiada continuava no seu lugar...
O Dr Alexandre, surpreendentemente, virou-se para mim e atirou:
Perdoe-me o que lhe vou dizer, mas o seu comportamento durante a consulta, não é de homem, mas de mulher !
Estranhei, e perguntei:
Como assim, doutor ?
Ao que ele retorquiu:
É que vc tem um comportamento impecável. e suporta o tratamento sem reclamação ou queixume, coisa que os homens, em regra, não fazem.
As mulheres aguentam melhor a dor e são, em geral, as melhores pacientes, daí a minha afirmação.
Agradeci, enquanto levava a mão á parte da cara anestesiada...
Sorri, e fiquei a pensar que nunca o meu ego se sentira tão satisfeito por uma comparação com o sexo oposto.
E dirigi-me á farmácia, para comprar o analgésico que me receitou...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O CRUCIFIXO


Começo com uma declaração de interesse:
Sou agnóstico, em matéria de convicção religiosa, ainda que tenha sido educado segundo os princípios da religião católica, o que era absolutamente normal no meu tempo.
Talvez por isso me sinta á vontade para dizer que, considero incompreensível que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tenha condenado o estado italiano por violação da liberdade religiosa.
Em causa estava a queixa de uma mãe italiana, pelo facto de a escola que a sua filha frequentava exibir um crucifixo na sala de aula, coisa que o governo italiano considerou natural, e o tribunal agora condenou.
Em Portugal, existe, desde 2005, uma lei que proíbe a exibição de símbolos religiosos nas escolas públicas, mas não é difícil imaginarmos que não esteja a ser cumprida, sobretudo nas escolas do interior do país, onde a presença da igreja católica é mais acentuada.
A minha geração estudou com o crucifixo na sala de aula, que se tornou uma tradição, e nem por isso nos tornámos católicos, apesar da existência de uma disciplina de Religião e Moral, de frequência obrigatória, essa sim, sem nenhum sentido.
A presença de um crucifixo, nas escolas públicas, pode não ser politicamente correcta, mas tenho a certeza que não faz mal a ninguém...