sábado, 18 de julho de 2009

CONVERSAS DE CAFÉ


Pouca passava das quatro da tarde e eu almoçava, tranquilamente, á beira mar.
A voz de uma criança, com uns 6 a 7 anos, retirou-me dos meus pensamentos:
- Mãe, quando chegar á praia, dou logo um mergulho !
-Nem pensar, responde a jovem senhora, ainda não fizeste a digestão ! Só ás cinco horas !
-Mas mãe....
Não consegui ouvir o resto, mas veio-me á lembrança a minha juventude.
Em minha casa, em Albufeira, onde, regularmente, passávamos férias, existiam duas regras sacramentais:
-Os "meninos", incluindo a minha irmã, tinham que dormir a sesta;
-Banho, só passadas 3 horas, contadas a partir do final da refeição.
E se a minha avó, Rogélia, que nos acompanhava a maior parte do tempo, era rígida no seu cumprimento...!
Cresci, e ganhei o hábito de, nos dias de calor, dar "um mergulhinho", após acabar de comer, embora sempre com o cuidado de, antes, passar água no corpo, devagar, para evitar um choque térmico.
Agora, ao escrever este apontamento, é que me dei conta de que nunca perguntei a nenhum médico se esta prática é, ou não, perigosa, mas a verdade é que nunca tive nenhum problema com isso, e espero nunca vir a ter.
Não sei se a minha avó tinha razão, ou a mãe desta criança, mas não me parece natural que, em dias de calor intenso, como o de hoje, se leve uma criança para a praia a horas em que ela não pode tomar banho. Ou estar exposta ao sol...
Ter de ficar debaixo do toldo, ou do chapéu de sol, com um calor dos diabos, o mar ali ao lado, e sem poder molhar os pés, é sacrifício demasiado para um adulto, quanto mais para uma criança...
E é essa uma das memórias que eu guardo, de parte das minhas tardes de Verão em Albufeira...
Bem melhor seria que, após o "soninho" da tarde, a criança ficasse em casa, lendo, ou ouvindo ler, um livro, até chegar a hora em que pudesse disfrutar da praia, e do sol, na sua plenitude.
Sei bem que, na praia, as crianças "chateiam" menos os paizinhos, do que quando fechadas em casa, e que, para os paizinhos, é mais agradável estar na praia do que em casa, a brincar com o filhinho, ou a ler-lhe um livro.
Só que, as crianças não merecem ser sujeitas a certos sacrifícios e também ninguém disse que é fácil ser Pai...
Não sei se tenho, ou não, razão, no modo como avalio o comportamento de muitos adultos, nesta matéria, mas aqui fica a minha opinião, a título de "conversa de café", evocando memórias da minha juventude...

LIEDSON...E A SELECÇÃO NACIONAL

O interesse manifestado por Liedson, junto da Federação Portuguesa de Futebol, em representar a selecção nacional, veio reabrir a discussão em torno da presença, ou não, de estrangeiros, na equipa das quinas.
Salvo melhor opinião, reabrir o debate, nos termos em que está a ser feito, não faz sentido, porquanto existem precedentes, casos Deco e Pepe, e a qualidade futebolística do jogador não o coloca, longe disso, em situação de inferioridade comparativa, tanto mais que, joga numa posição em que a selecção é, claramente, deficitária de bons valores.
Quero esclarecer que estive contra a chamada de Deco à selecção nacional, não pelo seu, indiscutível, valor futebolístico, mas porque entendi, e entendo, que á equipa das quinas só devem ser chamados jogadores portugueses, ou aqueles que, tendo nascido noutras paragens, vieram residir para Portugal, e se tornaram portugueses, quando muito jovens.
E permitam-me que, em reforço da minha posição, evoque as, frequentes, afirmações de Deco, nas quais fica clara a sua nacionalidade brasileira, pretendendo, como é natural, terminar a carreira no seu país, no clube que o lançou para o futebol, o Corinthians.
E para que não restem dúvidas, num momento em que o preconceito contra os brasileiros atinge, a meu ver, um nível incompreensível, quero deixar claro que, prefiro que a abertura se faça a atletas de origem brasileira, pelas afinidades, culturais, e linguísticas, do que a atletas que, embora de ascendência portuguesa, nunca jogaram em Portugal, nada conhecem sobre o país, e nem sequer sabem falar português.
Por mim, atentos os precedentes, Liedson poderá representar a selecção nacional, mas isso não significa que não deva haver um debate, sério, quanto aos futuros critérios de escolha.
Um pouco "á nossa maneira", a chamada de Deco e Pepe á Selecção tiveram, a meu ver, como único critério, o "jeitinho que davam", em determinada ocasião, e o mesmo parece acontecer agora, relativamente ao "levezinho".
Só que a representação da Selecção Nacional é demasiado séria, para poder estar ao sabor de critérios "oportunistas".
Cabe á Federação Portuguesa de Futebol esclarecer, de forma cabal, quais os critérios que terão de ser cumpridos, que não só o da "simples" nacionalização, para que um jogador possa representar Portugal.
É que, a meu ver, não basta ser português, é preciso sentir-se português, e se concordarmos com o princípio, teremos mais de meio caminho andado na resolução do problema...

PLATINI E A PRIMA "GEORGINA"...


Para as pessoas da minha geração, ficou célebre aquela rábula do Raúl Solnado, em que ele se referia á sua "prima Georgina", que tinha "a mania de dizer coisas...".
Com o devido respeito, Michel Platini, com as suas, frequentes, críticas à política de contratações do Real Madrid, com destaque para a de Cristiano Ronaldo, começa a assemelhar-se á prima Georgina...
Em primeiro lugar, porque é totalmente descabida a afirmação de que, se Cristiano custou 92 milhões, ele custaria 93, mas, "presunção e água benta, cada um toma a que quer"...
Depois, porque na qualidade de presidente da UEFA, se está preocupado com "os gastos, faraónicos, que inflacionam o mercado", tem mais é que apresentar medidas que contrariem essa tendência, e conseguir a sua aprovação nos órgãos competentes.
Finalmente, porque é o próprio Platini quem afirma que, "não há clubes que inspirem grande preocupação", apesar de, mais de metade dos clubes europeus, registarem prejuízos...
Não sendo uma originalidade, no meio futebolístico, esta mania de os dirigentes "mandarem recados" e "dizerem coisas", em vez de apresentarem propostas e soluções, como lhes compete, é, ela sim, preocupante, para todos aqueles que gostam de futebol, e estão preocupados com a evolução do jogo, e do negócio.
Vai sendo tempo de os dirigentes se concentrarem em cumprir as funções para que foram eleitos, lá como cá, e deixarem de querer imitar "a prima Georgina"...
Até porque, Raúl Solnado, um fantástico humorista e um excelente Homem, fez isso de forma inegualável !

ACREDITE SE QUISER...


Confesso que fiquei pasmado com a notícia, a ponto de ter procurado a confirmação, mas é mesmo verdade:
Os nova direcção da União de Leiria foi eleita com 23, repito, 23 votos, num total de 26 votantes !
Tratando-se de um clube que regressou, este ano, á primeira Liga do futebol profissional, esta falta de entusiasmo não augura nada de bom...
Não sei qual era o universo, potencial, de votantes, mas este número é ridículamente baixo, tanto mais que os integrantes das listas também votaram...
Existem turmas de alunos onde a eleição do "chefe de turma" conta com maior participação...!
E ainda há quem se admire com o facto de alguns clubes portugueses deixarem de pagar salários, pouco tempo depois de iniciados os campeonatos...