sexta-feira, 30 de abril de 2010

COMPATIBILIDADE DIFÍCIL...


No contexto da crise financeira que se abateu sobre as economias mais frágeis da Europa, nomeadamente, a grega, a portuguesa e a espanhola, muitos economistas e comentadores de política económica têm especulado sobre um possível abandono do Euro, por parte desses países.
Mais do que saber quem tem, ou terá, ou não, razão, é importante que tenhamos em consideração os argumentos utilizados para tentarmos perceber o que o futuro nos pode reservar.
É nesse contexto que me permito transcrever o artigo publicado por Paul Krugman, economista que ganhou o prémio Nobel da Economia em 2008, publicado ontem no The New York Times e que chama a atenção para algumas contradições subjacentes à criação do Euro.

A Catastrophe Delayed

I was rereading the spectacularly mistimed Jonung and Drea paper mocking American economists who were skeptical about the euro, and went back to what I wrote in 1998. Here’s how I described the ugly American critique:

Here’s how the story has been told: a year or two or three after the introduction of the euro, a recession develops in part – but only part – of Europe. This creates a conflict of interest between countries with weak economies and populist governments – read Italy, or Spain, or anyway someone from Europe’s slovenly south – and those with strong economies and a steely-eyed commitment to disciplined economic policy – read Germany. The weak economies want low interest rates, and wouldn’t mind a bit of inflation; but Germany is dead set on maintaining price stability at all cost. Nor can Europe deal with “asymmetric shocks” the way the United States does, by transferring workers from depressed areas to prosperous ones: Europeans are reluctant to move even within their countries, let alone across the many language barriers. The result is a ferocious political argument, and perhaps a financial crisis, as markets start to discount the bonds of weaker European governments.

Make that a decade or so rather than a year or two, and not too far off. To be sure, in that article I went on to predict big near-term trouble that, in fact, didn’t turn out nearly as badly as predicted. But the point is that something like the current crisis has always been an obvious danger — one that the architects of the euro chose to brush off.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

HOMENAGEM


Morreu João Morais, antigo defesa direito do Sporting Clube de Portugal, que ficou célebre pelo golo marcado, de canto directo, ao MTK , que permitiu ao seu clube conquistar a Taça das Taças, em 1964.
Aqui fica esta lembrança e a minha singela homenagem, pelo seu contributo para mais um momento glorioso do futebol nacional.
Que descanse em paz!


terça-feira, 27 de abril de 2010

CAMPEÃO NO DRAGÃO...


Foi no passado domingo, quando passavam 36 anos sobre a revolução dos cravos, que restaurou as liberdades fundamentais em Portugal e deu início a um conturbado processo de descolonização.
O Benfica vencera o Olhanense, no sábado, por uns contundentes 5-0 e o Braga despachara a Naval sem quaisquer dúvidas.
Os adeptos portistas viam esfumar-se as hipóteses de estarem presentes na próxima edição da Liga dos Campeões, o que acentuava, naturalmente, a sua animosidade contra o Glorioso SLB.
Era o final da tarde e grande parte dos homens da aldeia tinham afluído ao Café Central, como era de costume nos dias de feriado.
Manecas Barbeiro tinha reflectida no rosto a felicidade que lhe inundava a alma, pois o seu Benfica estava a um ponto de ser campeão nacional, com dois jogos para terminar o campeonato, e conversava com os seu amigo Monas Picheleiro, adepto do Futebol Clube do Porto.
-Ó Monas, afinal vocês reclamam de quê? É que eu não entendo. Vocês estão a 5 pontos do Braga, a 11 pontos do Benfica, nem sequer vão à Liga dos Campeões e desculpam-se com o quê?
-Ó Manecas, num benhas cum cumbersas não. A ausência do Hulk fez uma grande diferença. Fomos muito prejudicados.
-Ah sim? Então uma equipa que quer ser campeã nacional estava dependente de um jogador?
E será que alguma equipa dependente de um só jogador pode aspirar a ser campeã ?
Eu sei que vocês não gostam que se fale disso, mas estão a 11 pontos do Benfica. Onze!!
Estão a reclamar de quê? Vocês têm é mau perder, é o que é!
-Bem Manecas, eu num quero discutir, num adianta, rendeu-se o Monas Picheleiro. Bão ser campeões dos "túneis" é o que é, atirou o Monas em tom provocador.
-Dos Túneis, das Circulares, das Avenidas e da Circunvalação. E também campeões nacionais, de preferência com uma vitória no estádio do dragão.
-Isso bamos a ber...
-Pois cuida-te Monas, que nós já encomendámos as mangueiras para apagar, definitivamente, as chamas do dragão...
Vocês, este ano, não foram mais do que os dragões dos desenhos animados e por mais que isso vos custe vão ver a Liga Europa por um canudo...
-Por um canudo? Ainda num terminou o campeonato...
-Vai ser por um canudo mesmo, já que é o Braga que vai ficar em segundo lugar. Ou será que já não te lembras da expressão "ver Braga por um canudo"...
-Olha Manecas, bou-me embora. Prontos. Acabou-se a cumbersa!
-Vai Monas, vai, que a coisa não está fácil para os teus lados. E eu, se fosse a ti, nem ligava a televisão no domingo, para não passares pela humilhação de veres o Benfica ser campeão no estádio do dragão.
-Tá bem Manecas, tá bem, respondeu-lhe o Monas, enquanto se dirigia para a saída.
Mas não resistiu a pensar:
-Na berdade, eles merecem ser campeões...

GREVE INJUSTA...


Sir Bertrand Russell
, filósofo e político liberal do século passado, defendia a existência de guerras justas, quando analisadas na perspectiva do provocado, ou invadido.
Ao ouvir as notícias e diversas declarações sobre a greve dos transportes que paralisa Lisboa, não resisti à analogia com o princípio defendido por Russell.
A greve, direito inalienável dos trabalhadores, pode ser, tal como a guerra, justa ou injusta, dependendo da perspectiva em que nos colocamos e da situação económica da empresa, ou do país.
Que os trabalhadores e sindicatos, numa sociedade como a portuguesa, aproveitem os períodos de crescimento económico para conseguirem uma distribuição mais equitativa da riqueza, entre os factores de produção, parece-me inteiramente justo.
Mas que o façam num período em que a economia se encontra estagnada, sem que alguém possa dizer quando se retomará o crescimento, e com os preços da dívida do país nos mercados internacionais sujeitos a uma intensa pressão, não me parece justo.
E a injustiça é ainda maior quando se trata de greves em empresas públicas, deficitárias, cujos prejuízos são suportados pelos contribuintes.
Por isso entendo que os trabalhadores e sindicatos dos transportes colectivos escolheram um péssimo momento para provocarem enormes prejuízos à economia e aos utentes.
É de justiça reconhecermos que a distribuição da riqueza em Portugal se caracteriza pela existência de enormes desigualdades e que se torna necessário tomar medidas tendentes à sua melhoria.
Mas aproveitar um momento de crise profunda, nacional e internacional, para promover greves e debilitar, ainda mais, a nossa economia é profundamente injusto para com os portugueses.
Pena que os sindicatos e os trabalhadores envolvidos não tenham ponderado esse aspecto...