quinta-feira, 5 de maio de 2011

POLÍTICA E COMPROMISSO

António Costa e Rui Rio, presidentes das câmaras municipais de Lisboa e Porto, respectivamente, lamentaram, hoje, que tenha sido necessária uma intervenção externa, para que os principais partidos portugueses chegassem a acordo, quanto ás medidas necessárias para retirar o país da difícil situação em que se encontra.
Esta posição de convergência, muito rara na nossa política, veio realçar uma das principais qualidade dos seus defensores: bom senso!
A política portuguesa sempre se pautou, com poucas e honrosas excepções que só confirmam a regra, por um conjunto de originalidades, das quais a mais relevante reside na total incapacidade dos nossos políticos para estabelecerem acordos de regime.
A menos que algum estrangeiro nos venha dizer o que tem que ser feito, e então descobrimos, como neste caso, que todos defendiam isso há muito tempo, embora fossem incapazes de chegar a um acordo.
Na velha tradição portuguesa, e contrariando um célebre "spot" publicitário da fábrica de bolachas "A Nacional", tudo o que é estrangeiro é bom, pelo que basta a chancela externa para assegurar convergências, até aí inimagináveis.
Na sua originalidade, os políticos portugueses revelam uma gritante incapacidade de diálogo e tolerância, mesmo sobre temas em que estão de acordo, e expressam-se numa linguagem que apenas contribui para acentuar divergências. E esta é uma prática generalizada, sendo muito poucos os que não contribuem para este triste espectáculo.
Os recursos ao FMI, no passado, o acordo agora alcançado, ou aquele célebre estudo sobre a economia portuguesa, encomendado a Porter, que custou uma fortuna, para nos vir dizer aquilo que já sabíamos desde os bancos da faculdade, são exemplos da sua incapacidade para distinguirem o essencial do acessório, e resolverem, entre eles, os problemas nacionais.
São as idiossincrasias da classe política portuguesa...
E não deixa de ser curioso que nós, portugueses, sempre tão críticos para com tudo e todos, aceitemos, com resignação, o insulto, a dissimulação, a calúnia e a mentira, por acção, ou omissão, como se fossem comportamentos inerentes à actividade política. E não são!
Como já aqui escrevi, anteriormente, os comportamentos dos nossos políticos estão a aproximar-se, perigosamente, daqueles que nos "habituámos" a ver nos dirigentes do nosso futebol, com tudo o que isso implica de conflitualidade e falta de civilidade, que se reflectem na degradação da vida política.
E nem o facto de serem cada vez menos respeitados pelos eleitores parece ser suficiente para os fazer arrepiar caminho.
Resta saber, agora que quase todos reconhecem a necessidade de se executarem as medidas acordadas com a "troika", como vão os dirigentes dos nossos principais partidos políticos conseguir um acordo que permita honrar esse compromisso, na próxima legislatura.
Se tivermos em consideração a conflitualidade e falta de respeito reinantes, parece tratar-se de uma missão impossível, tanto mais quanto tenhamos em consideração que se vai seguir uma campanha eleitoral.
Talvez fosse tempo de meditarem sobre as sábias palavras de Winston Churchill:
"Um político converte-se em estadista quando começa a pensar nas próximas gerações, e não nas próximas eleições".

O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO


Que as televisões chamem verdadeiros especialistas para comentarem os principais temas da actualidade, parece-me recomendável.
Neste contexto, faz todo o sentido que a comunicação social recorra ao comentário de gente especializada, para nos esclarecer quanto ás consequências do nosso pedido de ajuda externa.
Assim como me parece lógico que se convidem jornalistas, especializados, para comentarem esse mesmo tema, porquanto lhes incumbe informar, com objectividade e isenção. Sabemos nem sempre é assim, mas isso é um outro tema...
Obrigatório, digo eu, é pedir aos representantes dos partidos políticos que analisem e debatam o tema, contribuindo para ajudar os portugueses nas suas escolhas, com a vantagem de ficar claro que se trata de análises políticas, numa perspectiva partidária.
Mas entregar a análise e o comentário a supostos "especialistas", que não passam de políticos encapotados, só pode ser considerado deplorável, ainda que, reconhecendo que a situação me incomoda, não possa deixar de admitir que é uma opção e um direito que assiste ás televisões privadas,.
O mesmo não posso dizer, naturalmente, no que respeita ao serviço público de televisão, que é pago com o dinheiro dos contribuintes, a quem incumbe garantir a qualidade e isenção da informação prestada.
Mas não é isso que se tem estado a passar, assistindo-se ao triste espectáculo de alguns jovens, a coberto das suas licenciaturas, aproveitarem para fazer política partidária, com o maior despudor, como se de verdadeiros especialistas se tratasse.
E, nos canais públicos de televisão, este comportamento é lastimável!

domingo, 1 de maio de 2011

CELEBRAR O DIA DO TRABALHADOR


Neste período difícil que Portugal atravessa, estou farto da palavra crise, e quando se celebra o Dia do Trabalhador, pensei que seria interessante fazer uma referência ao processo que conduziu à consagração desta data.
Assim, pareceu-me adequado recorrer à Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador), para ilustrar o que pretendo dizer.
Afinal, lembrar a história pode ser uma das melhores formas de homenagear os trabalhadores...

"O principal dia do trabalho

Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA . No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal

Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia. O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-Intersindical (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores). No Algarve, é costume a população fazer pic-nics e são organizadas algumas festas na região.

MULHERES E MÃES


Hoje é Dia da Mãe!
Tudo o que eu possa dizer sobre este dia, consagrado ás Mães, é irrelevante, quando comparado com as homenagens feitas por tanta gente ilustre, mas nem por isso posso deixar de prestar o meu tributo a todas as Mães, com particular destaque para as da minha família.
Lembro e Saúdo as que ainda estão entre nós, e as que já nos deixaram.
De entre as Mães que estão entre nós, e sem desprimor para qualquer outra, cumpre-me prestar duas homenagens especiais:
A primeira, dedicada à Mãe do meu filho, com o meu Eterno Agradecimento, por me ter dado o meu bem mais precioso. Obrigado, Ana!
A segunda, para honrar a minha irmã, grande Amiga e formidável Mãe. Parabéns, Paulinha, este é o teu dia.
Para todas as outras Mães, da família, deixo um enorme beijo, com muita ternura, dizendo-lhes, apenas, que a idade me tem ajudado a valorizar, cada vez mais, a sua difícil tarefa, como Mulheres e Mães. Bem Hajam!
De entre as Mães que já não estão entre nós, mas cuja memória permanece bem viva, com um lugar especial no meu coração, presto especial tributo ás duas Mulheres mais importantes da minha vida:
A minha Querida e Saudosa Mãe, Maria do Carmo, vitima de um trágico acidente de viação, há quase 45 anos.
O seu desaparecimento, precoce, não apaga, ou atenua, a lembrança, quotidiana, de uma extraordinária Mulher que, apesar de não ter tido a possibilidade de ver os seus filhos crescer, nos deixou um legado de integridade, e determinação, que me cumpre saber honrar.
A dor causada pela sua morte, que parece acentuar-se com o andar dos anos, assume particular intensidade nestes momentos, quando se torna impossível não sentir um pouquinho de ciúme por todos aqueles que ainda têm o privilegio de poderem celebrar este dia com as suas Mães.
A segunda homenagem vai, naturalmente, para a minha Querida e Saudosa Avó, Rogelia, que assumiu a difícil tarefa de criar os netos, após o desaparecimento da filha.
Costuma dizer-se que as avós são mães duas vezes, e isso foi, literalmente, o que se passou com a minha Avó, Rogelia. Uma Mulher de armas, e uma Mãe que teve de suportar a dor de assistir à perda de dois filhos, e do marido.
Obrigado, Avó, por tudo o que nos deste!
Por último, e em homenagem a todas as Mulheres e Mães, da família, que já não estão entre nós, direi, apenas, que de todas recolhi ensinamentos, que muito contribuíram para a minha formação, como homem.
Todas recordo, com Saudade, neste dia que lhes é dedicado, e a todas agradeço o Amor e Carinho, que me dedicaram.
A terminar, quero expresssar o meu Apreço e Reconhecimento, a todas as Mulheres e Mães, do mundo, pela sua entrega e dedicação a uma das mais difíceis e nobres tarefas da natureza humana: dar à luz, criar e educar, uma criança.
Um grande Bem Haja para todas.
Apenas uma nota final para referir que, com a imagem escolhida, recordo a padroeira de minha Mãe, e presto homenagem ao Papa João Paulo II, no dia da sua beatificação, cujo pontificado deixou uma marca, indelével, na história mundial.