sábado, 6 de março de 2010

E SE MARINHO PINTO TIVER RAZÃO ?


Para quem não saiba, Marinho Pinto é o Bastonário da Ordem dos Advogados em Portugal.
Frontal, polémico, o bastonário não hesita em expressar as suas opiniões, mesmo sabendo de antemão que elas não são "politicamente correctas".
Num país onde parecer se tornou mais importante do que ser e a crítica só é bem aceite desde que não dirigida a algumas vacas sagradas, dos mais diversos sectores, frise-se, a postura de Marinho Pinto é uma lufada de ar fresco.
Concorde-se, ou não, com as suas opiniões, a verdade é que raramente deixam de merecer uma reflexão...
Desta vez, para escândalo do Conselho Superior de Magistratura e da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Marinho Pinto veio declarar que uma boa parte do poder judicial quer derrubar o primeiro-ministro, fazendo uma chamada de atenção para o discurso de oposição de alguns magistrados, e para a violação do segredo de justiça que está a alimentar a fogueira mediática contra José Sócrates.
Dizer, como fez o Conselho Superior de Magistratura, que as declarações do bastonário não assumem "dignidade institucional" para serem apreciadas, não me parece, com o devido respeito, nem apropriado, nem aceitável.
O bastonário não se refugiou em meias palavras e fez uma acusação grave, goste-se, ou não, do estilo utilizado, fazendo eco do que pensa uma parte significativa dos portugueses, digo eu.
E importa saber o que pensa o Conselho Superior de Magistratura a esse respeito.
Refugiar-se na forma, em detrimento do conteúdo, para não expressar a sua posição a respeito de um tema que está a corroer a vida política e a pôr em causa a magistratura portuguesa, parece-me uma posição mais compatível com a de um advogado, que me perdoem estes, do que com a de um juiz, o que não deixa de ser curioso...
E idêntico raciocínio é, aliás, aplicável á posição assumida pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses, que se apressou a repudiar as declarações do bastonário, numa atitude corporativa que, embora expectável, não deixa de ser inaceitável.
Devo, aliás, acrescentar que, nunca entendi o motivo da existência desta associação no quadro do movimento sindical português, e várias vezes me tenho interrogado se, ao abrigo da mesma lógica, não nos arriscamos a vir a ter uma Associação Sindical dos Deputados Portugueses...
A existir, e existem claro indícios de que isso possa estar a acontecer, como afirmou Marinho Pinto, a promiscuidade entre o poder judicial e o poder político precisa de ser investigada, a bem da democracia portuguesa, pelo que a política de avestruz adoptada pela magistratura é inaceitável.
Porque admito a possibilidade de serem muitos mais os portugueses que acreditam na tese defendida pelo bastonário do que os que acham que não existe liberdade de imprensa em Portugal, considero que seria interessante conhecermos a opinião do Parlamento, e dos diferentes grupos parlamentares, a este respeito...

DO MAU TEMPO AO NOVO TREINADOR DO SPORTING...



Era sábado, e a manhã surgira soalheira, apesar de as previsões da meteorologia anteciparem chuva para o resto do dia.
O Manecas Barbeiro levantara-se cedo, dera uma olhadela pela casa, para ver se a chuvada da noite anterior não causara estragos, e dirigiu-se ao Café Central para tomar o pequeno almoço, para não incomodar a mulher que tivera uma noite pouco tranquila.
-Bom dia Silva, sabe bem este solzinho depois de tanto cinzento e chuva;
-É verdade Manecas, até parece que a disposição é outra. Ficamos mais alegres;
-Com certeza. Mas parece que é sol de pouca dura, pois as previsões não são animadoras. Deram nas notícias que vamos ter mais chuva até quarta-feira;
-Pois é Manecas, também vi na televisão. Até parece que o São Pedro está zangado connosco, brincou o Silva. Mas não se perde tudo. Assim as pessoas passam mais tempo no café e isso ajuda o negócio, acrescentou;
-Ó homem, você é terrível, sempre a pensar no negócio e no dinheirinho;
-Pudera, se eu não me preocupar, ninguém o faz por mim;
-É verdade, também tem razão, aquiesceu o Manecas pensando que também não era mau para a sua barbearia...;
E enquanto o Silva orientava o empregado na limpeza do balcão, o Manecas entreteve-se a folhear os jornais desportivos.
-Ora muito vom dia para boceses, exclamou o Monas Picheleiro, assomando-se á porta de entrada;
-Ora muito bom dia, "morcão", tens andado fugido. Deve ser por causa do atraso no campeonato, atirou logo o Manecas, referindo-se á má classificação do Porto;
-E prontos, lá começa o "lampião". Bocê já biu isto ó Silba? Num ganham nada há quatro anos, e agora que bão á frente, ninguém os cala. Dê-me mas é um cafézinho, rápido, para ber se bou travalhar e me libro deste melga, apressou-se o Monas, que quando ficava nervoso trocava, ainda mais, os b pelos v;
-Avie lá o homem, ó Silva, que ele ainda tem que ir dar a táctica ao Jesualdo para ver se consegue ficar em segundo lugar, e pode deixar que eu pago. Temos de ser solidários com os que sofrem, acrescentou em tom de chacota;
-Pois que seja, já num se perde tudo. Mas bai vrincando bai, enquanto podes, olha que o campeonato ainda não acavou. É melhor que bocês se cuidem, que o Vraga ainda bos pode preparar uma surpresa, advertiu o Monas, visivelmente interessado em mudar o rumo da conversa;
-Preocupem-se vocês com o Braga, ou nem vão á Liga dos Campeões, o que, diga-se de passagem, até nem seria surpresa nenhuma. Cá para mim, ficam em terceiro que já não é nada mau, provocou o Manecas;
Só que o Monas já estava de saída, e cruzando-se com o Nando, aproveitou:
-Olhem, fiquem vem que eu tenho mais que fazer. O Nando que te ature, disparou, para o Manecas, enquanto apressava o passo. Mas ainda ouviu mais uma alfinetada do Manecas:
-Já viste ó Nando, o "morcão" pirou-se para não falar da tareia que vocês lhes deram. Mas cá a malta agradece, que somos gente de agradecer. O café pago eu, ó Silva.
-Ó Manecas, com o Benfica a ganhar assim, e tu a pagares dessa maneira, não ganhas para os gastos, brincou o Silva;
-Deixe lá, que é por uma boa causa. E além disso, como diz o nosso padre Manuel, temos de ser solidários com os mais desfavorecidos, zombou o Manecas;
-Prontos, já começou a conversa fiada. Ainda bem que tenho a mulher á espera, que não estou com paciência para as bazófias deste "lampião", atirou o Nando;
-Olha só, ó Silva, aqui o "lagarto" também está com pressa, como o outro. Este é para não falar do anúncio do novo treinador. Não podem ganhar dois jogos seguidos sem aparecer logo uma confusão. Da outra vez andaram á "pera", agora é o treinador, a esta distância do fim da época. Coitados!
-E que tens tu a ver com isso, meu "lampião" de uma figa, preocupa-te mas é com o Braga que ainda perdes o campeonato, disparou o Nando, para evitar mais conversas;
-Eu sei, eu sei, não queres falar do assunto, é o que é. Mas ouvi dizer que vocês se anteciparam, porque o homem era para ir para o Porto. Olha, vocês que são tão amigos podiam dividir o treinador, o que é que achas? Sempre poupavam nos ordenados, alfinetou o Manecas;
-Já vi que queres conversa, é o que é, mas hoje eu não tenho tempo para te aturar.
Até logo, meus senhores, tenham um bom resto de dia, atirou o Nando, despedindo-se.
E lá se foi, pensando para com os seus botões:
-Mas que raio é que havia de dar na cabeça daquela gente para deixar que se fale da contratação do treinador, quando ainda há tanta coisa em jogo?
Parece que tanta chuva está a fazer mal aos dirigentes...


sexta-feira, 5 de março de 2010

MODERNICES...



Com votos de um bom fim de semana para todos, aqui fica mais uma anedota de salão:

Um informático está numa ilha deserta há anos, depois de um naufrágio.
Certo dia avista um ponto brilhante no horizonte e começa a segui-lo com o olhar.
"Não é um navio", pensa o nosso herói.
E o ponto aproxima-se, aproxima-se.
"Não é uma barcaça".
E cada vez o vulto estava mais perto!
"Não é uma jangada!?!...
"E eis que das águas emerge uma Mulher, com fato de mergulho!
Ela dirige-se a ele e pergunta:
- Há quanto tempo não fumas um cigarro?
- Há dez anos! - responde o náufrago espantado.
Ela abre um bolso interior do seu fato impermeável e dá-lhe um cigarro.
- Mas que bem que isto me está a saber! - diz ele.
- Há quanto tempo não bebes um whisky?
- Há pelo menos dez anos!!! - responde o nosso náufrago, ainda meio atarantado.
Então ela abre outro bolso interior, tira uma garrafinha de whisky e dá-lha!
O homem bebe tudo de um trago, ainda descrente com o que lhe estava a acontecer, mas muito, muito feliz!
Então a Mulher começa a baixar o fecho principal do fato e pergunta-lhe:
- E há quanto tempo é que não te divertes a sério?...
Aí, o nosso homem grita, louco de felicidade:
- EPÁ!!! Tu não me digas que tens aí um portátil?!...

terça-feira, 2 de março de 2010

RICARDO ARAÚJO PEREIRA


Partilho com Ricardo Araújo Pereira o benfiquismo, o amor ao Glorioso SLB.
Admiro o seu talento humorístico mas não me identifico com as suas opiniões políticas, a avaliar pelo conteúdo de algumas das suas crónicas, que tive oportunidade de ler.
A crónica sob o título "O sexto sentido de Estado", publicada por Ricardo Araújo Pereira, na revista Visão, constitui uma importante reflexão sobre um tema que está a dominar a actualidade política portuguesa, o que faz com que eu me atreva a reproduzi-la aqui, sem mais comentários.


Portugal tem um governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se
Quando, na semana passada, o PS desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura ao Governo, a política portuguesa ficou subitamente mais difícil de compreender. Os nossos políticos, que são pessoas bastante lineares, curiosamente produzem uma política muito complexa. Resumindo, o que se passa é isto: neste momento, Portugal tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se. O primeiro-ministro deseja controlar os jornais, mas não consegue evitar que os jornais o descontrolem. E acusa os jornalistas de fazerem jornalismo de buraco de fechadura quando a porta está, na verdade, escancarada.
Façamos uma história breve do que tem sido o Governo de Portugal nos últimos anos. Primeiro, Durão Barroso saiu, porque foi chamado pela Comissão Europeia. Sócrates não sai mesmo que lhe chamem tudo. Pelo meio, Santana também saiu, mas contra a sua vontade. Um sai porque quer, o outro sai sem querer e o último não sai nem que toda a gente queira. Antes de Durão, já Guterres saíra, porque tinha coisas combinadas e o Governo do País atrapalhava-lhe a agenda. Dos últimos quatro primeiros-ministros, só 50% quis manter-se no lugar, facto que imediatamente os torna suspeitos.
O actual Governo está mergulhado em escândalos de vários tipos. Quem pode fazê-lo cair é o grupo parlamentar do PSD onde se encontra, por exemplo, António Preto, mergulhado em escândalos de vários tipos. Ou o Presidente da República, Cavaco Silva, cujos amigos e membros dos seus anteriores governos se encontram envolvidos em escândalos de vários tipos. O eleitor está em casa um pouco confuso, e com razão: é difícil optar entre tantos escândalos. Qual dos envolvidos em escândalos é o mais indicado para livrar o País destes escândalos? Eis uma questão difícil.
Bom, sou capaz de me ter deixado levar pelo ambiente de suspeição que temos vivido. Vistas friamente, as acusações ao primeiro-ministro acabam por ser frágeis. É difícil sustentar que Sócrates quer acabar com a comunicação social quando verificamos que foi ele quem mais fez, nos últimos tempos, pela leitura de jornais. Para sermos justos, teremos de reconhecer que Sócrates acabou com os jornais, sim, mas nas bancas. Acabou com eles porque, por sua causa, a edição esgotou-se e teve de se fazer outra.
Quem, no meio de tudo isto, poderá conduzir o País? Quem nunca esteve envolvido num caso obscuro, nunca teve cargos de responsabilidade em governos desastrosos, nunca recebeu dinheiro de Manuel Godinho? É possível que exista alguém que corresponda a este perfil, mas terá certamente menos de 10 anos. E colocar um menor de 10 anos no Governo do País poderá ter consequências trágicas: o País ficaria de certeza sem rumo, com o desemprego elevadíssimo, e manietado por uma crise profunda. Nem quero imaginar o que poderia acontecer.