Cetra era o escudo usado pelos Lusitanos. Este é o meu cetra, para defesa das minhas opiniões e evitar que a memória se perca...
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
QUE SEMANA...
Felizmente que esta semana está a terminar.
Existem períodos assim, cansativos, aborrecidos, problemáticos, mas é a vida...
Nem tive vontade de escrever, confesso, apesar da passagem dos 70 anos sobre o início da Segunda Guerra Mundial, da abertura, oficial, da campanha eleitoral, ou da, excelente, vitória do meu Benfica, por 8-1, frente ao Setúbal.
É tempo de ter uma pausa para descanso, e reflexão, até porque é na dificuldades que mais se aprende...
Haja Saúde !
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A FAMÍLIA E A ÉTICA...
Já se percebeu que, uma parte do debate político, nesta campanha eleitoral, se fará em torno das questões da família.
Segundo a Drª Ferreira Leite, "diluíram-se pilares da sociedade como a família e o casamento, para impor a vontade da lei, onde deveria prevalecer a liberdade individual".
O chumbo presidencial da lei das uniões de facto, bem como a argumentação que lhe esteve subjacente, terá constituído, seguramente, um incentivo para fazer do tema uma boa arma eleitoral, mas não me parece avisado tratar este assunto pela via do "slogan".
A questão é séria demais para ser tratada como um mero instrumento do jogo político.
Que, "a família é a célula básica da nossa estrutura social", como refere a Drª Ferreira Leite, não me parece que mereça contestação, mas é fundamental que se precise bem de que conceito de família estamos a falar...
Tradicionalmente, foi em nome do conceito de família, que maridos agrediram as mulheres, sem que estas pudessem defender-se, que pais maltrataram filhos, sem qualquer protecção destes, que se mantiveram casamentos "estáveis", porque as mulheres não tinham assegurada a sua independência económica, em caso de divórcio, que filhos tiveram de conviver com um péssimo ambiente familiar, porque o divórcio penalizava, socialmente, a mulher...
Se, por um lado, é pena que os casamentos não possam durar a vida toda, como sucedeu com o meu, não é menos verdade que é preferível uma separação, civilizada, o que nem sempre acontece, infelizmente, á manutenção de um casamento que se extinguiu, porque desapareceu o amor que lhe esteve subjacente, e muitas vezes, porque não dizê-lo, o respeito que sempre é devido entre duas pessoas.
Os filhos, normalmente utilizados como instrumento de argumentação, em debates deste tipo, e pouco mais do que joguetes, na guerra entre os "paizinhos", merecem maior respeito.
Ninguém contesta que, o ideal seria que todos os casamentos correspondessem a uma vida plena de harmonia, com respeito, mútuo, de todos os membros do agegado familiar, só que, infelizmente, todos sabemos que isso não acontece.
De nada serve ignorarmos a realidade, antes é nossa obrigação tratarmos este tema com o respeito que a sua importância, e complexidade, merecem.
Quando as relações se quebram, não há santos, nem inocentes, a não ser as crianças, essas sim, merecedoras de todos os cuidados, para que o seu sofrimento seja o menor possível.
Mas a questão da família vai, quer queiramos quer não, muito para além da família tradicional.
A união de facto, seja entre pessoas de sexos diferentes, seja entre pessoas do mesmo sexo, existe, e como tal precisa de ser regulada, assegurando direitos, e deveres, ás partes.
As uniões de facto precisam de um quadro legal adequado, que proteja os interesses das partes, quer se tratem de uniões entre pessoas de sexo diferente, de mais fácil reconhecimento, por parte dos mais conservadores, ou de pessoas do mesmo sexo.
Quero deixar claro que sou contra a adopção, por parte de casais homosexuais, porque entendo que, para o bom equilíbrio da criança, ela necessita de um pai e de uma mãe.
Assim como entendo mal esta insistência dos homossexuais em ver reconhecido o casamento entre eles, que me parece ser uma forma de contestação social, mais do que uma aspiração legítima, desde que a lei regule, adequadamente, os seus direitos e deveres.
Tratar um assunto tão sério, e tão delicado, na base do "slogan", pode dar votos, mas não é sério.
E é por isso que entendo que, em nome do respeito que todos os cidadãos devem merecer aos políticos, se não quiserem tratar este tema com a profundidade, e seriedade, exigíveis, se abstenham de o transformar em arma de arremesso eleitoral.
Se o não fizerem, podem ser eleitoralmente compensados, mas não terão autoridade moral para falarem de Ética...
DIFERENTE...
O jornal i publica, hoje, a sua edição número 100.É um marco simbólico, para um jornal que, apesar de recente, parece estar a fazer um percurso que lhe permitirá afirmar-se como publicação de referência.
A entrevista que Martim Avillez Figueiredo, director do jornal, concede a Mário Crespo merece ser lida com atenção, sendo de destacar, por me parecer verdadeira, a sua afirmação de que "Fazemos um jornal para quem se cansou de ler os outros".
Eu, que já não dispenso a sua leitura, não posso senão desejar a toda a equipa as maiores felicidades para o futuro, esperando que possam continuar a proporcionar-nos excelentes momentos de leitura, como sucedeu ao longo destas 100 edições.
Faço votos para que atinjam, rápidamente, a venda, em banca, dos 12000 exemplares necessários ao equilíbrio financeiro do jornal, e que mantenham viva essa ideia tão simples, e tão verdadeira, de que "ninguém paga para ler o que já sabe".
Os leitores agradecem !
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
EU, PECADOR, ME CONFESSO

Eminência
Eu, humilde português, saloio de Sintra, benfiquista e divorciado, venho perante Vossa Eminência, na qualidade de cardeal desta arquidiocese, que é Portugal, pedir a sua bênção e confessar os seguintes pecados:
- Não contribuí com o meu voto para a eleição de Vossa Eminência, pecado que, sendo gravíssimo, espero que possa, um dia, vir a ser-me relevado;
- Sempre entendi as funções de Vossa Eminência como as de um árbitro, pelo que não aceito que Vossa Eminência cubra, com o seu manto protector, nenhum dos candidatos á substituição do actual patriarca ;
-Tenho convicções religiosas, ainda que não seja praticante, mas preservo a religiosa liberdade de apoiar todos os princípios, e clérigos, com que me identifique, mesmo quando oriundos de outras doutrinas;
- Apesar da maldade, desnecessária, que lhe fez o nosso patriarca, a propósito do Estatuto dos Açores, e de tudo o que se tem dito, e escrito, acerca do homem, louvo-lhe o seu desejo reformista e a sua tenacidade;
- Não sei se o nosso patriarca completou os estudos, no seminário, com a ajuda de algum professor, nem isso me interessa, e considero inconcebível que a comunicação social desta arquidiocese insista em tentar envolver o cardeal num caso ilícito, sem que existam indícios, ou provas, enquanto é tão pouco assertiva relativamente a outros casos, já dados como provados, envolvendo outros clérigos...;
- Não me pareceu muito católica a posição de Vossa Eminência, com aquela coisa da falta de espaço no jipe, tanto mais que, no passado, o cardeal Soares precisou de um muito maior, e considero excessiva a posição de Vossa Eminência em matéria de vetos, apesar de o nosso patriarca, e a conferência episcopal, se terem colocado, muitas vezes, a jeito...;
- Vivo no permanente pecado de acreditar que o Estado deve ter intervenção reguladora na economia, e assumir a sua função social, sendo insensível ás "virtudes" do liberalismo económico, professado por outras igrejas...;
Para além de todos estes pecados, e afins, que não adianta enumerar, até porque a confissão já vai longa, e Vossa Eminência tem muitos fiéis para atender, preciso acrescentar que, tal como o pároco Moita Flores, não apoiarei a candidatura, a patriarca, da presbítera Manuela, o que me colocará, acredito, em pecado mortal, perante Vossa Eminência, e a sua igreja.
Venho, pois, rogar a indulgência de Vossa Eminência e solicitar que me indique, na volta do correio, quantas Ave-marias e Pai-nossos deverei rezar, para poder aspirar a que não me fique interdito, eternamente, o Reino dos Céus.
Peço-lhe que aceite, Eminência, os respeitos deste pecador incorrigível.
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