segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O AMIGO DA ONÇA



Há dias, a propósito de um assunto que não vem ao caso, dei comigo a pensar:
Afinal, aquele fulano é um belo amigo da onça!
Mais tarde, e porque esta era uma expressão que o meu pai usava algumas vezes para caracterizar alguns "amigos", dei comigo a interrogar-me sobre qual teria sido a origem da expressão e fui, naturalmente, ver o que me dizia a Wikipédia sobre o assunto.
Pela originalidade e pela graça, admitindo que alguns de vocês, tal como sucedia comigo, possam desconhecer a origem da expressão, aqui partilho o resultado da minha busca.
Até porque, apesar de a expressão já não ser utilizada com tanta frequência como outrora, os amigos da onça não desapareceram, bem pelo contrário, e continua a ser recomendável que tenhamos cuidado com eles...

O Amigo da Onça
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Amigo da Onça é um personagem criado por Péricles de Andrade Maranhão (14 de agosto de 1924 - 31 de dezembro de 1961) e publicado pela primeira vez na revista O Cruzeiro em 23 de outubro de 1943.
Satírico, irônico e crítico de costumes, o Amigo da Onça aparece em diversas ocasiões desmascarando seus interlocutores ou colocando-os nas mais embaraçosas situações.

A criação

O famoso personagem foi criado pelo cartunista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão, em 1943, e publicado de 23 de outubro de 1943 a 3 de fevereiro de 1962. Os diretores da revista O Cruzeiro queriam criar um personagem fixo e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota.

“Dois caçadores conversam em seu acampamento:
— O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
— Ora, dava um tiro nela.
— Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
— Bom, então eu matava ela com meu facão.
— E se você estivesse sem o facão?
— Apanhava um pedaço de pau.
— E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
— Subiria na árvore mais próxima!
— E se não tivesse nenhuma árvore?
— Sairia correndo.
— E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
— Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”

Após a morte do autor, em 1962, o personagem continuou sendo publicado, desenhado pelo cartunista Carlos Estevão, até 1972[1].

Expressão popular

Amigo da onça também é uma expressão popular, originada deste personagem de quadrinhos (ou banda desenhada).

Referências

↑ Carlos Estevão - Biografia

domingo, 12 de setembro de 2010

À MESA, NO PETER'S...


Propício sentia-se particularmente bem disposto. Uma boa disposição que tinha muito que ver com a situação de vantagem em que se encontrava o seu FC Porto, perante os mais directos adversários, no campeonato nacional de futebol, coisa que já não sucedia há muito tempo e que nem ele acreditaria, se alguém lho tivesse ousado sugerir, no início da prova.
Foi o primeiro a chegar ao Peter's, e tomava o seu café com um sorriso nos lábios, assistindo à chegada dos seus amigos.
Benigno foi o primeiro, e antecipando qualquer piada de Propício, disparou:
-Bom dia, Propício. Parabéns! Imagino que estejas de papo cheio...
-Bom dia Benigno. Obrigado.De papo cheio não estou, mas que sabe muito bem estar em primeiro, com uma boa vantagem sobre os adversários, é verdade. Ontem foi o teu Braga, acontece...
-Sim, mas tem cuidado, não embandeires em arco que ainda é cedo...
Entretanto, Segundo tinha-se abeirado da mesa:
-Ora muito bom dia. Imagino que futebol seja o tema da conversa...
Propício, sorriu, respondendo-lhe:
-Bom dia Segundo, imaginas muito bem, para teu desgosto. O teu Sporting voltou a encostar, mas também não é nada a que não estejas habituado...
-Olha, nem quero falar disso. até porque, confesso, me irrita a situação que se vive no Sporting. Prefiro falar de outras coisas...
Entretanto, chegara Benedito, de rosto carregado, bem demonstrativo de que a sua disposição não era a melhor:
-Bom dia, meus senhores. Como já percebi que o tema é futebol, e para que não fiquem dúvidas, começo por dizer que estou furioso e sem disposição para grandes conversas.
Aqui o Propício deve estar radiante, e tem motivos para isso, mas eu não.
Mas acrescento que não vale a pena começarem as comemorações, como se já tivessem ganho o campeonato, como fez o Vilas Boas, no final do jogo de ontem, porque a procissão ainda vai no adro...
-Ora muito bom dia para ti, também, ripostou Propício. Muito bem, excelente entrada. Acabaste de fazer jus à tese de que o ataque é a melhor defesa.
Mas eu poupo-te e declaro a minha disponibilidade para mudar de tema, se isso puder contribuir para melhorar a tua disposição...
-Que simpatia, muito obrigado. Só que quando a esmola é muita, o pobre desconfia, e quer-me parecer que estás a querer evitar que eu fale da pouca vergonha que têm sido as arbitragens, que muito têm a ajudado o teu clube a ganhar avanço sobre os concorrentes.
E, sem se deter, acrescentou:
-Não que eu desculpe tudo o que se está a passar no Benfica com as arbitragens, mas também não sou ingénuo e já percebi que, nessa matéria, vocês começaram cedo, e bem, este ano.
-Já cá faltavam as arbitragens, atirou Propício.
-Não te faças de anjinho, porque te tenho na conta de um homem sério, e sabes bem que, neste início de campeonato, o Benfica tem sido muito prejudicado pelas arbitragens, o mesmo não se podendo dizer do teu clube. Bem pelo contrário...
-Isso mesmo, agora queixa-te das arbitragens que vais no bom caminho.
Não fales do Roberto, do César Peixoto, do erros do Jesus, que não vale a pena, ironizou Propício.
Benigno, que percebeu que a conversa estava a tomar um rumo que em nada contribuiria para a um clima de boa disposição entre eles, interveio:
-Bem, amigos, chega de bola. O que me dizem à aprovação, pelo Governo da República, da proposta do Governo Regional para alteração do valor das tarifas promocionais, das viagens para o Continente, para valores inferiores a cem euros?
-Ora aí está uma boa notícia, reagiu Segundo, coisa rara nos dias que correm. Resta ver o que dirá a União Europeia, que tem a última palavra, sobre o assunto...
E lá continuaram à conversa, em torno das medidas necessárias para assegurar uma maior aproximação entre os Açores e o Continente, e melhorar as condições de vida da população do arquipélago...

sábado, 11 de setembro de 2010

SIMPLESMENTE...PESSOA



"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia,
das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe...
nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos...
até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa



"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
Mas na intensidade com que acontecem
Por isso existem momentos inesquecíveis,
Coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"

Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O JORNALISMO DO MEU DESCONTENTAMENTO...


Custa-me dizê-lo, mas ver um telejornal, ou ler um jornal, português, está a tornar-se uma tarefa cada vez mais pesada.
Não contabilizei, mas atrevo-me a dizer que, a esmagadora maioria das notícias estão relacionadas com desastres, catástrofes, queixas, reclamações, enfim, desgraças da mais diversa ordem...
Estou consciente que as desgraças e as notícias polémicas vendem mais do que as outras, mas deveria existir um limite para o sensacionalismo e para a exploração da desgraça alheia.
Ou talvez seja eu que estou com uma menor predisposição para lidar com aquilo que parece ser a prática jornalística, normal, dos nossos dias...
Pela via das dúvidas, e porque a área do jornalismo sempre me foi particularmente apelativa, resolvi tentar melhorar os meus conhecimentos nessa matéria.
Assim sendo, acabei de adquirir o volume II do livro, Teorias do Jornalismo, publicado pelo professor Nelson Traquina, numa primeira tentativa para conhecer melhor as motivações de quem escreve.
Infelizmente, o primeiro volume não estava disponível, mas não deixarei de o adquirir, logo que o encontre.
Das minhas conclusões, após a leitura deste volume II, prometo dar-vos, aqui, a devida nota.
Quem sabe mudo a minha opinião...