quinta-feira, 17 de junho de 2010

SÃO CALOS...



Um destes dias, em mais um esforço para arrumar as pilhas de livros que se espalham pela casa, esforço sempre inacabado, deparei-me com um exemplar do livro "Anedotas-contribuição para um estudo", da autoria de A. Machado Guerreiro, editado pala Editorial Império, em 1986.
Trata-se de uma herança do meu saudoso pai, da maior utilidade em momentos de crise e depressão, como aquele que atravessa a sociedade portuguesa.
Afinal, digo eu, rir é sempre o melhor remédio.
E para os que procuram conhecer, através da leitura da palma da mão, o seu destino, aqui reproduzo uma anedota, que me parece adequada.

Cigana:
-Vejo na palma da sua mão, uma vida cheia de altos e baixos.
Cliente:
-Não ligue, isso são os calos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CONSELHOS COMUNITÁRIOS...



Portugal aprovou medidas de austeridade que representam "o progresso adequado, no sentido de corrigir o deficit excessivo", visando o objectivo de atingir o numero mágico de 3% até 2013. Quem o diz é a Comissão Europeia, pela boca do já tristemente célebre comissário Olli Rehn, o tal que se esqueceu de fazer a diferença entre as situações económicas de Espanha e Portugal e da necessidade de reformas no regime de Segurança Social...
Acrescentou, no entanto, que o Orçamento Geral do Estado, de Portugal, para 2011, deverá conter medidas de austeridade adicionais que permitam a redução do deficit para 4,6% do PIB.
E pediu a especificação dessas medidas, como se até agora e com excepção da derrapagem ocorrida, face à crise internacional que a todos afectou, Portugal não tivesse sido um dos países que mais se esforçou para atingir o tal número mágico dos 3%.
Devo dizer que me irrita a sobranceria do comissário Rehn, mesmo sabendo que se trata apenas de um porta-voz da Comissão, um digno representante da forma desastrada como a União Europeia tem lidado com o problema da dívida dos países que a integram.
Cada economista sua sentença e perante opiniões tão diversas, de economistas tão distintos e reputados, sobre o modo de resolver o problema, não me atrevo, sequer, a opinar sobre as medidas a adoptar.
Mas o que ninguém me explica e eu gostava muito de perceber, é o modo como se chegou a esse número mágico de 3% e qual o critério científico que conduziu à sua determinação.
Se, em vez dos 3%, fossem 4%, qual era o problema? E as consequências?
E porquê esta necessidade de fazer o ajustamento até 2013? Até 2015 não dava? Quais as consequências, num caso e no outro?
A aplicação de medidas recessivas, excessivas, numa conjuntura económica desfavorável, não poderá conduzir à morte do doente, que se pretende, supostamente, curar?
O argumento da defesa do Euro e da sua cotação, dificilmente pode ser utilizado como justificação, pois o seu enfraquecimento favorece as exportações europeias e convém lembrar que o Euro já valeu cerca de 85 cêntimos do dólar, sem que tenha ocorrido qualquer desastre...
É certo que existem, neste momento, dificuldades para alguns Estados se financiarem nos mercados internacionais, mas a União Europeia teve as maiores responsabilidades no agravar da actual crise financeira, por omissão e transmissão aos mercados dos sinais errados...
A crise financeira estendeu-se, como seria natural, aos sistemas bancários dos países mais fragilizados, sendo que os bancos portugueses e espanhóis sentem sérias dificuldades para se refinanciarem no mercado interbancário.
Os seus congéneres europeus preferem colocar o seu dinheiro nos Bancos Centrais, a facultar-lhes o financiamento de que necessitam.
Enquanto isso, o Banco Central Europeu lá vai disponibilizando alguns fundos, mas exigindo a entrega de títulos como colateral desses empréstimos.
A avaliar pelas notícias que chegam de Bruxelas, sob o comando do eixo franco-alemão, a solução poderá passar por um governo económico Comunitário, tão do agrado do presidente Sarkosy mas que não tem merecido o apoio da chanceler Merkel. E como não podia deixar de ser, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu disputam, entre si, o controlo desse novo "governo".
A verdade é que, até que se encontre uma adequada solução para o problema, não se entende porque motivo a Caixa Geral de Depósitos não surge a financiar-se junto do Banco Central Europeu, com a garantia do Estado Português, assegurando aos restantes bancos portugueses a liquidez necessária ao seu normal funcionamento, assim aliviando a pressão a que se encontram sujeitos, com as consequências que se conhecem.
E se do ponto de vista económico e financeiro a coisa está preta, temos de reconhecer que a política e os políticos europeus não têm dado um bom contributo para que esta crise seja ultrapassada, rapidamente...

O MUNDIAL 2010



Terminada a primeira ronda do Mundial de Futebol 2010, não existem motivos para celebrar a qualidade do futebol praticado.
Das selecções consideradas favoritas, apenas a Alemanha ganhou de forma categórica, embora contra uma selecção que, se fosse vivo, o meu avô Chico apelidaria de "nabos de Navarone"...
Espanha e Inglaterra foram, a meu ver, as principais decepções e se querem ser candidatas ao título terão de produzir futebol de muito melhor qualidade.
À primeira vista, não há "papões", com as sempre favoritas Argentina e o Brasil a terem exibições discretas, embora ganhando os respectivos jogos, como lhes competia.
Discreta foi também a exibição de Portugal, à qual faltou garra, ousadia e espírito de sacrifício, apesar da elevada qualidade da selecção da Costa do Marfim, que surpreendeu pela organização, coisa rara nas equipas africanas.
Naturalmente que eu torço para que Portugal e Brasil possam passar à fase seguinte e com a derrota da selecção espanhola, ficar em segundo lugar no grupo até pode nem ser assim tão mau.
Mas a Portugal pede-se mais garra e ousadia, nas próximas partidas, e ao Brasil que ganhe o próximo jogo, sem sofrer golos.
Aguardemos...

sábado, 12 de junho de 2010

PORTUGAL, A CEE E O DIA DOS NAMORADOS



Passou um quarto de século desde que Portugal aderiu à CEE, que depois veio a tornar-se Comunidade Europeia.
Pelo caminho caiu o E, de Económica, supostamente porque a Comunidade passaria a ter um âmbito mais abrangente, o que veio a suceder, embora ainda haja quem critique o facto de, face à inexistência de uma visão económica comum e aproveitando o primado da política, se ter entregue ao tempo a resolução das contradições existentes.
O certo é que o C acabaria por dar lugar ao U e a Comunidade passou a designar-se União Europeia...
Curiosamente, neste mesmo dia, no Brasil, celebra-se o dia dos namorados, que também já foi comemorado nesta data em Portugal, mas acabaria por ser transferido para o dia 14 de Fevereiro. Deve ter sido para ficar mais próximo do Carnaval, digo eu, que esta coisa de namorar pede é muita festa e boa disposição.
Ora sucede que foi há 25 anos que Portugal pôs fim a um longo período de namoro com a CEE, culminando num ansiado matrimónio. Ansiado, da nossa parte, claro está, porque esta coisa de os ricos admitirem os pobrezinhos no seu seio tem sempre muito que se lhe diga...
Mas concentremo-nos no matrimónio, cujo aniversário hoje celebramos.
O noivo, pobre, embora honrado e com antepassados gloriosos, acabara por cair na penúria, perdidas as ricas propriedades e fontes de rendimento que possuía no estrangeiro...
Ela, de boas famílias, da melhor estirpe europeia, acumulava fortuna proveniente das mais diversas origens, passeando a sua riqueza e influência pelos melhores salões mundiais.
Não foi um namoro fácil, até porque os pais da noiva insistiam em colocar o noivo em pé de igualdade com um fidalgo espanhol, rico e poderoso, que também manifestara a pretensão de integrar a família, o que acabaria por acontecer.
Mas lá casaram, jurando amor e fidelidade, apesar dos insistentes rumores sobre a instabilidade emocional da noiva, mais propensa a venalidades do que ás razões do coração...
Os pais da noiva, fazendo jus ao ditado popular de que "mais vale prevenir do que remediar", insistiram num casamento com separação total de bens, como veio a suceder, alegando que o generoso dote da sua filha era mais do que suficiente para garantir uma desafogada vida em comum e que o noivo, se quisesse chegar ao seu nível, teria que fazer pela vida.
Tudo corria ás mil maravilhas, no início, como é frequente nos casamentos, com a mulher a presentear, generosamente, o marido e a facilitar-lhe a ascensão social.
Um fundosinho perdido aqui, um subsidiosinho acolá, tudo na maior das harmonias e a bem da felicidade do casal.
O marido, por sua vez, vivia encantado, desfrutando do convívio da melhor sociedade da época e trajando as melhores indumentárias, graças à generosa contribuição do dote da mulher, pouco fazendo para aumentar os seus rendimentos.
Só que, como tantas vezes sucede nos casamentos, ultrapassado o encantamento inicial, começaram a vir ao de cima as dificuldades da vida em comum, passando cada um dos membros do casal a detectar, no outro, defeitos até aí desconhecidos, ou simplesmente ignorados.
Nos casamentos comuns, é a questão da pasta de dentes, que ele aperta no lugar errado, da tampa da sanita, que ele nunca levanta antes de urinar, daquele ronco nocturno, que antes lembrava a Ode à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven, e depois se tornou num insuportável grunhido, a ponto de obrigar a esposa a dormir na sala.
Já nas uniões que envolvem as elites, como foi o caso, é frequente serem os gastos excessivos, o incumprimento das regras de etiqueta, o acentuar das diferenças de educação, ou as infidelidades, a estarem na origem das primeiras brigas.
O resto é coisa de pobre...
Claro que toda a regra tem excepção, mas afirmam amigos íntimos que, a partir dos finais da década de 90, a esposa começou a dar-se a intimidades com um primo americano, um liberal com grande ascendente sobre o seu agregado familiar, ao mesmo tempo que agraciava com alguns favores uns fidalgos, de origem prussiana, acabados de entrar na família.
O agregado familiar da esposa, entretanto, engrandecia e enriquecia a olhos vistos, beneficiando do derrube dos muros existentes nas suas propriedades, acelerando a globalização dos seus negócios.
Mas não paravam de chamar a atenção da esposa para os gastos excessivos do marido, lembrando-lhe que não estavam dispostos a sustentar os seus devaneios, até porque os pequenos negócios de que ele era proprietário não tinham nenhum valor estratégico para eles.
Só que o marido já se habituara a um nível de vida que não dispensava a generosa contribuição da mulher e nem o exemplo de humildade vindo de um extravagante cunhado grego, a quem foi imposto que passasse a viver de acordo com seu o rendimento familiar, o convencia de que iria ter que mudar de rumo.
Tanto mais que os filhos do casal se haviam habituado a receber, do pai, generosas mesadas e apesar dos seus frequentes pedidos de contenção teimavam em insistir na tecla dos direitos adquiridos...
A coisa complicou-se muito e conta quem esteve presente nos últimos jantares de família, oferecidos pelos pais da noiva, que tem sido frequentemente aflorada a questão de um possível divórcio, ainda que em surdina, que todos desejam evitar.
Mas não deixa de ser sintomático que a mulher tenha impedido o marido de passar cheques, sem obter a sua prévia aprovação, e exigido controlar o orçamento familiar. Tudo numa tentativa para salvar o casamento.
E com o recente agravamento das tensões entre os ramos francês e alemão da família, o primeiro com maiores afinidades com o marido e um dos grandes patrocinadores do casamento, existem razões para que se tema pelo futuro da união e pela coesão da família da noiva, cuja desagregação só poderia conduzir a uma tragédia de enormes proporções...
O certo é que já passaram 25 anos e as Bodas de Prata, mesmo de um casamento em perigo, são sempre motivo de celebração. Mas que a união já viveu melhores dias, disso não restam dúvidas.
E como "enquanto o pau vai e vem,folgam as costas", a família do noivo vai aproveitando para festejar os santos populares, talvez confiando que Santo António, o santo casamenteiro, se encarregará de fazer o milagre de manter a União...