segunda-feira, 28 de março de 2011

DO MAL, O MENOS!


Ser alvo de uma tentativa de assalto é uma situação estranha, e difícil de explicar.
Lembro-me de ter lido, em tempos, a notícia de que um rapaz morreu, esfaqueado, por ter resistido a quem lhe tentou roubar a mochila, e de ter considerado incompreensível a reacção do moço.
Na altura, prometi, a mim mesmo, que nunca reagiria perante situação semelhante, e estava firmemente convencido de que assim seria.
Tanto mais que, valha a verdade, coragem e valentia nunca constaram dos meus principais atributos, tendo sido, sempre, mais dado a ser o primeiro a fugir, quando me cheirava a violência.
Sucede que, ontem, domingo, dia 27 de Março, fui alvo de uma tentativa de assalto, com o objectivo de me roubarem um fio, em ouro, que pertenceu à minha falecida mãe, Maria do Carmo.
E se a sensação de ter um rapazola a agarrar-me o pescoço já é difícil de descrever, imaginem o que é ser confrontado com um outro meliante, cúmplice do primeiro, a fazer nova tentativa, igualmente frustrada, num espaço de segundos, com igual intenção.
Confesso que ainda estou para perceber como passei, tão rapidamente, do estado de surpresa à reacção, sem medir o que estava a fazer, ou as possíveis consequências.
Tendo conseguido agarrar o fio, alvo do roubo, num gesto de puro reflexo, quando da primeira investida, acabei por reagir ao segundo ataque, prendendo os braços do assaltante, enquanto gritava por ajuda, e o forçava a soltar os objectos, que ele tentava arrancar do bolso da minha camisa, antes de se pôr em fuga.
Tudo se passou em segundos, que me pareceram horas, e só uns bons minutos depois do sucedido, com o pequeno fio na mão, pensei na insensatez da minha reação.
Felizmente que os assaltantes não tinham armas, ou, se as tinham, não fizeram menção de as utilizar...
Faço notar, com tristeza, que apesar de existirem várias pessoas por perto, ninguém fez, sequer, menção de me ajudar, o que não deixa de ser sintomático do estado de indiferença a que chegou a nossa sociedade. Mas isso é um outro tema...
O que importa é que tive a sorte de tudo ter terminado com um estrago que pode ser considerado mínimo:
Dois pares de óculos bastante mais tortos do que já estavam, o fio sem o fecho, e uma camisa a necessitar de uma passagem pela lavandaria.
Aliviado, por um lado, nervoso, por outro, mas satisfeito por ter reagido, e sido, relativamente, bem sucedido, ainda sinto dificuldade em descrever tudo o que me passou pela cabeça, naqueles breves momentos.
Certo é que não ganhei para o susto, e passadas mais de 24 horas sobre o incidente, ainda me interrogo onde fui buscar a força e a coragem, que nunca imaginara ter, para lutar com um assaltante.
De uma perspectiva sobrenatural, reconheço que me inclino a atribuir esse verdadeiro “milagre” a Nossa Senhora do Carmo, a santa padroeira da minha querida, e saudosa, mãe, que, decerto, intercedeu por mim, naquela hora. Pode não ser verdade, mas é muito reconfortante pensar que sim.
Já numa óptica mais pragmática, vejo-me forçado admitir que só conhecemos, verdadeiramente, as nossas reacções, os nossos limites, e capacidades, quando confrontados com situações extremas.
Seja como for, a verdade é que, no final, depois de tudo revisto, e ponderado, é caso para dizer:
Do mal, o menos!

domingo, 27 de março de 2011

FOLHAS SOLTAS


1. Depois de uma campanha eleitoral nada condizente com os pergaminhos nobiliários da instituição, os sportinguistas elegeram um novo presidente.
E como a tradição já não é o que era, houve jornalistas agredidos, e cenas de batatada, envolvendo, para não variar, as claques. Enfim, até que alguém se disponha a pôr cobro, definitivamente, aos desmandos de um conjunto de arruaceiros, que as integra, continuaremos a ter notícias, regulares, sobre as claques, pelos piores motivos.
Nota negativana noite eleitoral sportinguista, mereceu, também, a demora no apuramento dos resultados.
Como alguém observou, no Twitter, com imensa piada, dir-se-ia que era Manoel de Oliveira que estava a fazer a contagem...
Mas o que importante é que o Sporting Clube de Portugal tem um novo presidente, Bruno de Carvalho, tendo os seus associados recusado os projectos de renovação, na continuidade, o que pode ser um bom sinal.
Contudo, é possível que a agressividade que caracterizou esta campanha tenha deixado algumas marcas, não se antevendo vida fácil para o novo presidente...
Apesar de ser benfiquista, acredito que o futebol português precisa de um Sporting forte, e quero desejar aos dirigentes eleitos as maiores felicidades.

2. No PS, Sócrates voltou a ganhar as eleições internas, com 93,3% dos votos, para desgosto dos que apostavam num enfraquecimento da sua posição.
Mal ou bem, qualquer entendimento no sentido do alargamento da base de apoio de um novo governo terá, necessáriamente, de passar por ele, e consta que, nas últimas horas, terá chegado à sede do PSD um camião carregado de aspirinas...

3. E por falar em PSD, cabe registar que, numa clara demonstração daquilo que são as suas prioridades, o maior partido da oposição aprovou a revogação do sistema de avaliação dos professores.
No Parlamento, onde a actividade partidária continua a ser, cada vez mais, para lamentar, voltámos a assistir à coligação de toda a oposição, para satisfazer o desejo dos sindicatos, mandando ás malvas o interesse nacional.
Para quem quer ser governo, e depois do anúncio da intenção de aumentar o IVA, o mínimo que se pode dizer, sobre a nova liderança do PSD, é que começa mal...
Claro que a Fenprof, pela voz do seu secretário-geral, Mário Nogueira, que há anos que não dá uma aula, se apressou a declarar que os professores se livraram de uma "inutilidade".
Pena é que os portugueses continuem a ser obrigados a mandar os seus filhos para escolas onde existem professores que, por falta de vocação, e, ou, preparação, demonstram, quotidianamente, a sua inutilidade, sem que exista um processo que permita aferir os seus conhecimentos.

4. Os relógios avançaram uma hora, com o regresso do horário de verão.
Um verão que promete ser quente, se não na temperatura ambiente, pelo menos na temperatura política.
E, a avaliar pelo que temos visto, não seria surpreendente se viesse a ser escaldante...

sexta-feira, 25 de março de 2011

NOTAS SOLTAS


1. Como se previa, a oposição chumbou o designado PEC4, que na verdade é o PEC2, Sócrates demitiu-se, e a agitação, nos mercados, não se fez esperar.
Com a passividade, cúmplice, do Presidente da República, os portugueses voltam a ser confrontados com novo período eleitoral.
O Presidente da República deu o mote, com um lamentável discurso de tomada de posse, e os partidos da oposição, com assento parlamentar, numa decisão para lamentar, sobrepuseram o interesse partidário ao interesse nacional.
Portugal, que já passava por sérias dificuldades, ficou, agora, muito pior.
E não é preciso, digo eu, ter nenhum doutoramento, para concluir que, na fase em que o país se encontra, um governo de gestão, e dois meses de rambóia eleitoral, é tudo aquilo de que não precisávamos.
Só me interrogo sobre o que fará Cavaco, se Sócrates voltar a ganhar as eleições...

2. No Japão, o número de mortos,e desaparecidos, não pára de crescer, e os efeitos do desastre nuclear começam a manifestar-se.
E o nobre povo japonês continua a dar-nos um maravilhoso exemplo de civilidade e tenacidade.
Entretanto, as obras de reconstrução, das áreas afectadas, avançam a um ritmo impressionante...

3. No Médio Oriente, as manifestações contra os regimes ditatoriais alastram, com a evolução da situação na Síria a merecer particular atenção.
Contudo, a questão central continua a ser a intervenção aliada na Líbia:
Será que o problema se resolve pela via da intervenção armada?
Tenho sérias dúvidas...

4. No futebol, Carlos Queiroz viu o tribunal dar-lhe razão, na "guerra" contra os presidentes da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) e do Instituto do Desporto (IDP), mas não parece estar a saber gerir essa vitória.
O apelo ao Presidente da República, para demitir os presidentes da ADOP e IDP, não fazem qualquer sentido.
E o destempero da reacção do ex-seleccionador nacional, ás declarações de Pepe, é incompreensível.
É tão importante, ou mais, saber ganhar, como saber perder, e Queiroz parece empenhado em demonstrar que não sabe. É pena!

5. Ainda no futebol, cabe realçar mais uma manifestação de vandalismo, desta vez tendo como alvo o carro de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
Porém, a avaliar pelas reacções, nem a actuação desses selvagens parece ser suficiente para unir os dirigentes dos dois principais clubes portugueses, na condenação desse tipo de comportamentos. Lamentável!

quarta-feira, 23 de março de 2011

O MAL-AMADO


Desde a minha juventude que sou mais dado à defesa de ideais do que ao seguidismo de personalidades.
Habituado a questionar, nunca fui dado a "ismos", e, muito menos, a defender, incondicionalmente, de quem quer que seja.
Fazendo da lealdade um dos principais princípios de vida, fui-me apercebendo que se trata de um comportamento em via de extinção, na sociedade moderna, e quase desprezado, há muito tempo, na política, e nos negócios.
Mas as coisas são como são, e não como gostávamos que fossem, e lá tenho aprendido, embora a custo, a conviver com isso...
Tal como não concebo, no futebol, que os adversários sejam considerados inimigos, também em matéria de opções políticas me habituei a respeitar os que não partilham as minhas opiniões, mas sempre pensei pela minha cabeça, e me recusei a seguir, cegamente, quem quer que fosse.
Daí que expressões como "soarismo", "cavaquismo", e por aí adiante, pouco significado tenham para mim, o mesmo sucedendo, naturalmente, com o "socratismo". O que não significa que, em determinados momentos, não me identifique com a acção desenvolvida pelos líderes dessas correntes, e defenda a sua acção.
Escrevo estas linhas a poucas horas da rejeição do PEC 4, pelo Parlamento, que ditará a queda do Governo, com consequências que, decerto, terão sido bem avaliadas por todos os intervenientes, mas que não auguram nada de bom...
E escrevo para dizer que, discordando, embora, de vários comportamentos, e decisões, do actual primeiro-ministro, José Sócrates, lhe reconheço o mérito de tentar reformar vários sectores da sociedade portuguesa, afrontando interesses instalados como muito poucos se atreveram, e atrevem, a fazer.
Talvez por isso, digo eu, o ódio de estimação que alguns lhe dedicam, como os funcionários públicos e os professores, apenas para dar dois exemplos.
Quem ainda se lembra da célebre polémica sobre o encerramento de algumas maternidades, sem condições, e do argumento de um líder oposicionista, de que os bebés iriam nascer a Espanha?
Quem recorda o papel das oposições no célebre caso da avaliação dos professores, e da reforma de um sistema educativo que, a bem ou a mal, precisa de ser reformado?
Sócrates está a pagar, na minha modesta opinião, o custo de ter afrontado demasiados interesses ao mesmo tempo. Paga ele, e paga o país, com a crise política em que se encontra mergulhado.
Médicos, magistrados, funcionários públicos, professores, farmácias, enfim, é muita gente para se afrontar, ao mesmo tempo.
A queda do actual governo é, no fundo, o corolário desse conjunto de afrontas a diversos poderes estabelecidos, e algo que estava previsto desde a perda da maioria absoluta, no Parlamento.
Por mais politicamente incorrecto que isto possa parecer, recuso a demonização de Sócrates, que parece estar na moda, e atrevo-me a dizer que poucos, no seu lugar, teriam resistido a tanto.
O discurso de tomada de posse do actual Presidente da República deu o tom para aquilo a que temos assistido nestes dias, e o seu silêncio, num momento tão grave, para o futuro, próximo, do país, ajuda a definir Cavaco Silva, como estadista...
Infelizmente, o comportamento dos partidos, com assento parlamentar, e respectivos líderes, quando analisado sob a perspectiva do interesse nacional, é um comportamento para lamentar, porque assente em objectivos de carácter partidário, e de poder, que pouco, ou nada, têm que ver com os interesses dos cidadãos. Mas essa é, infelizmente, uma prática em que todos, sem excepção, são useiros e vezeiros.
Portugal vive, há muito, acima das suas possibilidades, pelo que, a bem ou a mal, será preciso levar a cabo reformas estruturais e cortes na despesa pública, que obriguem os portugueses a viver de acordo com as suas possibilidades. E todos sabemos que, apesar da retórica, serão sempre os mesmo a pagar...
No que me diz respeito, prefiro as medidas do actual Governo ás que nos serão impostas pelo FMI, e acredito que o mesmo sucede com a maioria dos portugueses. Mas a política, no pior sentido do termo, falou mais alto, e os portugueses voltarão a ser confrontados com uma campanha eleitoral, que antecipo agressiva, num momento em que se recomendava a união de esforços.
Nada devo a Sócrates, que nem sequer conheço, ou ao seu governo, apesar de ser simpatizante do Partido Socialista, mas ficava de mal com a minha consciência se não deixasse claro aquilo que penso, num momento em que a queda do Governo está por horas, e muitos ratos se aprestam para abandonar o navio...

terça-feira, 22 de março de 2011

QUANDO O DESEJO DE PODER FALA MAIS ALTO


À cerca de um mês, quinze dias depois de nos ter brindado com as "Cenas dos próximos capítulos", Miguel Sousa Tavares, revelando a sua agudeza de espírito, veio admitir, a propósito da votação da moção de censura, apresentada pelo Bloco de Esquerda, que o desejo de poder, e a impaciência interna, poderiam levar Passos Coelho a ser tentado a avançar para o derrube do governo.
O tempo encarregar-se-ia de confirmar esse pressentimento, e o líder do PSD, que resistiu, naquela ocasião, prepara-se para o fazer, agora, a propósito do PEC , respondendo aos anseios do seu partido, e do presidente da república, acrescento eu.
Seja como for, porque a lucidez da análise de MST permanece actual, aqui reproduzo esse artigo, que merece ser lido, ou relido, num momento em que a queda do governo parece inevitável.
Convenhamos, ou está tudo louco, ou o desejo de poder tem razões que a razão desconhece.

A emoção da censura

Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 17 de Fevereiro de 2011

Tudo o que este ou qualquer outro Governo tem de decidir é onde corta, quanto corta e por quanto tempo corta. Resolvido isso, então, sim, podemos regressar à política. Mas se não resolvermos isso, só um louco é que nos há-de querer governar. Ou um ditador.

Tudo começou com Paulo Portas na noite das eleições presidenciais, afirmando logo que o Governo tinha perdido as presidenciais e era preciso tirar consequências disso. Continuou depois com Jerónimo de Sousa, declarando-se o PCP pronto para apresentar uma moção de censura, ao mesmo tempo que, quadratura do círculo, notificava a direita de que não contasse com o PCP para chegar ao poder. Depois de alguma hesitação, apareceu então Miguel Relvas, actuando presumidamente em representação de Passos Coelho (?), a afirmar que o PSD é que escolheria o "momento oportuno" para derrubar os socialistas. Seguiu-se Cavaco Silva, que nem esperou pela tomada de posse para abrir as hostilidades com o Governo Sócrates, tornando clara a mensagem de que, mesmo que os partidos o poupassem, por ele não haveria tréguas : tinha passado a ser uma questão pessoal. E, enfim, entrou em cena Francisco Louçã: primeiro, demarcou-se da excitação geral, afirmando que uma moção de censura agora não teria efeitos práticos; mas eis que, três dias decorridos, bate toda a concorrência ao sprint e anuncia a sua moção de censura.

"Que Chico Esperto!", comenta o povo na net, "agora vai capitalizar o descontentamento geral contra Sócrates". Pois, talvez sim talvez não, o último a rir, ri melhor. O eleitorado do BE não é igual ao do PCP, que engole qualquer coisa que o Comité Central decida. O do BE, teoricamente, é mais politizado e não vive em 1917: pode ser que lhe agradeçam verem-se livres de Sócrates, poderem vingar-se dos cortes salariais na função pública, do aumento de impostos e contribuições para a segurança social, dos negócios dos boys, dos pequenos-almoços com o Luís Figo, da bebedeira de investimentos públicos a aumentarem a conta da dívida, em benefício de algumas empresas do regime e em prejuízo de todos. Mas também pode acontecer que o eleitorado do BE não encontre resposta convincente à pergunta "derruba-se o Sócrates para chamar o centro-direita?". A menos que se aceite que a estratégia de Louçã seja a mesma do PCP - capitalizar em votos o descontentamento - e que, portanto, para eles quanto pior melhor, a jogada do BE não é isenta de riscos. Para já, é verdade que deixaram os comunistas apeados, na desprestigiante posição de terem de apanhar boleia do BE - coisa que muito gozo deve ter dado aos bloquistas, mas que não diz nada ao país. O que já vai dizer muito ao país é ver na Assembleia a extrema-esquerda e o centro-direita unidos para derrubar os socialistas. E ver o país ficar sem Governo, paralisado durante dois meses, com os partidos envolvidos em nova contenda eleitoral enquanto os credores e os mercados rebentam connosco de vez. Não sei se os portugueses irão achar muita graça à solução encontrada.

Agora, está tudo do lado do PSD. O povo da net também diz que o PSD, na hora da verdade, nunca avançará porque, afinal de contas, a política do PS também é a sua política. Era bom que isso fosse verdade, porque seria sinal de que, ao contrário do que todos temos como certo, o que moveria o PSD não seria o poder, mas sim a execução de políticas em que acredita. Porém, não é verdade: após seis anos afastado do governo, o partido grita por poder, desde Vila Real de Trás-os-Montes até ao Funchal. Essa é a natureza dos chamados 'partidos do arco da governação' e nisso não se distinguem uns dos outros. O poder está ali, agora, pronto a ser colhido: porquê resistir mais?

Todavia, um pouco de cautela, um pouco mais de paciência, não seriam desaconselháveis. Por um lado, porque, se esta é boa altura para derrubar o Governo PS, também é a pior altura para ir para o governo (recordem-se dos timings perfeitos que Cavaco Silva sempre soube escolher para chegar ao poder, fosse como ministro das Finanças, primeiro-ministro ou Presidente). Por outro lado, porque, por boas ou más razões, o derrube de Sócrates, ao abrigo de uma coligação negativa de extremos opostos, iria encontrar a incompreensão de grande parte do sector económico interno, dos nossos principais parceiros comerciais e da Europa política. Depois, porque o PSD não tem programa político pronto para a conjuntura actual, que é de excepção (a última coisa feita é aquele livro do próprio Passos Coelho, escrito antes da crise e propondo umas soluções vagas e tão liberais que deixariam os eleitores de cabelos em pé se fossem agora recuperadas). E porque Passos Coelho não tem, que se conheça, equipa de governo pronta a avançar e totalmente nova em relação àquilo que já se conhece de outros tempos e não se recomenda.

Mais tarde ou mais cedo, como é fatal, Passos Coelho vai ter de avançar - e é para isso, aliás, que ele foi eleito internamente. A questão é saber se o seu timing coincide com o dos outros e também com o desejo ou impaciência internas. Claramente, eu julgo que ele pensa que o momento não é este - agora, que não se conhece ainda o resultado dos primeiros meses de execução do orçamento para se saber se o défice está ou não a ser contido dentro dos limites acordados com o próprio PSD; agora, que está iminente uma decisão sobre a flexibilização e reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, convencendo a srª Merkel a apostar dinheiro na salvação dos países em crise de dívida soberana, a batalha principal de José Sócrates. Derrubar o Governo de Sócrates antes de ter resposta a estas duas incógnitas é também fornecer-lhe trunfos decisivos para a campanha eleitoral que se seguirá. E repito o que já disse: as notícias sobre a irreversível morte política de José Sócrates (a confirmar-se em eleições antes mesmo do Verão), são provavelmente exageradas.

E o país, no meio de tudo isto? Bem, o país não foi, seguramente, aquilo que mais ocupou o espírito de Louçã ao anunciar a sua moção de censura, ou os outros ao ameaçarem fazer o mesmo. O país está numa situação em que o que menos interessa é a cor política ou as ideias políticas de quem governa. Excepto se alguém conseguir propor um programa de governo em que não seja preciso gastar menos do que produzimos nem seja preciso pagar a dívida acumulada por uma geração inteira e iniciada nos governos do professor Cavaco Silva, os problemas imediatos do país estão perfeitamente identificados e só por má-fé podem ser camuflados. Tudo o que este ou qualquer outro governo tem de decidir é onde corta, quanto corta e por quanto tempo corta. Resolvido isso, então, sim, podemos regressar à política. Mas se não resolvermos isso, só um louco é que nos há-de querer governar. Ou um ditador.

Com mais tempo e mais preparação, Passos Coelho pode apresentar um programa político em que resolva fazer uma coisa jamais feita: dizer toda a verdade, confrontar os portugueses com a situação em que estamos e dizer quais são as suas soluções, sem esconder nada de desagradável. Terá de dizer se vai ou não repor os cortes salariais feitos por este Governo; se vai baixar, manter ou subir impostos; se vai facilitar os despedimentos; se vai continuar loucuras como o TGV, o novo aeroporto de Lisboa ou a terceira auto-estrada Porto-Lisboa; se vai meter na ordem os seus regionalistas; se vai exigir a avaliação do mérito em toda a função pública, sem excepções; se vai começar, quando e por onde, o desmantelamento de todos os serviços públicos inúteis e acabar com o financiamento público de tudo e mais alguma coisa; se vai pôr fim aos negócios encostados à sombra do Estado, não apenas nas obras públicas, mas em muitos outros sectores - da saúde e medicamentos aos bombeiros, da cultura às Forças Armadas. Com um programa destes, valia a pena derrubar o Governo. O problema é que dificilmente ganharia as eleições.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia.

Texto publicado na edição do Expresso de 12 de fevereiro de 2011

A PROPÓSITO DA CRISE


Como já aqui escrevi, por diversas vezes, revejo-me em muitas das posições assumidas por Miguel Sousa Tavares.
Asim sendo, e a propósito das mais do que prováveis eleições antecipadas, pareceu-me interessante reproduzir o artigo que publicou, no semanário Expresso, no passado dia 3 de Fevereiro, quando MST, como tantos outros, ainda acreditava que o bom-senso acabaria por imperar...
Aqui fica, pois, esse artigo, sem mais comentários.

Cenas dos próximos capítulos

Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 3 de Fevereiro de 2011

Irá Cavaco Silva derrubar o Governo de José Sócrates na primeira oportunidade que tiver? Resposta: só se não puder.

Irá Cavaco Silva derrubar o Governo de José Sócrates na primeira oportunidade que tiver? Resposta: só se não puder. Bem podem os seus próximos jurar que ele é um homem (não se pode dizer um político, que o ofende) que, acima de tudo, valoriza a estabilidade e cultiva a prudência: era, talvez. A partir do 'discurso de vitória' de domingo passado, esse diáfano Cavaco Silva deixou de existir, à vista de todos, substituído por outro que fará do rancor e do desejo de vingança a agenda principal do seu anunciado "mandato actuante". Oiçam os 'politólogos', que têm o mérito de dizer sempre evidências: todos concordam que aquele discurso não foi apenas um grito de alma, entre a indignação e o desabafo pela honra ferida. Cavaco jamais perdoará o caso BPN e o caso da urbanização da Coelha. Irá certamente vingar-se, assim como Sócrates se vingou da "conspiração das escutas", montada por Belém e também em tempo de eleições. Ele convidou os "senhores jornalistas" a investigarem quem passou as informações sobre o BPN e sobre a vivenda Gaivota Azul cá para fora. Não há nada para investigar: a história da permuta das casas algarvias esclarecia-se com uma simples consulta à Conservatória e notários locais, como foi feito; e a história das acções do BPN, foi, obviamente, passada pelo Governo. O que se estranha é que, após mais de vinte anos na vida e na intriga política activa, este 'não-político" pareça não perceber que os jornalistas podem investigar tudo e não apenas o que lhe convém. E que não tenha percebido que a vingança, se nem sempre é certa na vida, é infalível na política. Cavaco provou do veneno que irresponsavelmente experimentou contra o Governo, no Verão de 2009 - e não gostou. É certo que não dispõe de grandes poderes institucionais e constitucionais para determinar o destino do país. Mas dispõe dos poderes políticos suficientes para ensaiar uma réplica nesta guerra subterrânea contra Sócrates. Estamos metidos num sarilho.

Acontece que José Sócrates tem sete vidas políticas e não consta que já estejam todas esgotadas: as notícias da sua próxima morte política parecem-me exageradas. Paulo Portas ainda não o percebeu, Passos Coelho sim (embora talvez em minoria dentro do seu partido). Além de mais, Portas acha que Cavaco já esqueceu e já lhe perdoou o passado, mas está enganado: Cavaco não esquece nem perdoa, nunca tem dúvidas e raramente se engana. Mudou tanto de opinião sobre Portas como Portas mudou sobre ele: ou seja, nada. O que fará Cavaco partir para a anunciada vingança sobre Sócrates tem muito pouco a ver com os desejos e a impaciência de Paulo Portas. Excluindo a hipótese de um consenso entre a oposição de direita e de esquerda para derrubar o Governo no Parlamento, Cavaco só avançará se o PSD quiser e se, coincidentemente, as sondagens lhe forem favoráveis e apontarem para uma maioria absoluta de direita, sem margem para erro. Caso contrário, corre o risco do pior cenário que pode acontecer a um Presidente: o efeito boomerang da 'bomba atómica'. Como acima disse, Cavaco Silva só não se vingará de José Sócrates se não puder. Mas para poder fazê-lo terá de acautelar muito bem os riscos da operação, sob pena de se enfiar e de nos enfiar a todos num beco sem saída. Imagine-se que, convocadas as eleições, Sócrates ganhava, ou que ganhava a direita, pré ou pós-coligada, mas sem maioria absoluta? Teríamos apenas mudado de governo minoritário, mas com uma diferença fundamental: um governo minoritário em que toda a oposição estaria de um lado do espectro político, não lhe permitindo, como permite ao actual Governo, negociar pontualmente à esquerda ou à direita. Um tal governo não teria esperança alguma de vida e só viria agravar o estado das coisas. Os portugueses, obviamente, não deixariam de responsabilizar o Presidente pela 'solução encontrada' e só restaria a Cavaco Silva uma saída digna, que era a renúncia. Em vez de se vingar, teria dado um tiro no pé.

Passos Coelho não tem pressa em proporcionar o pretexto ao Presidente, e eu compreendo-o. Primeiro que tudo, está consciente de que a vitória de Cavaco Silva não lhe consente tanta jactância como a exibida no discurso de domingo passado. Facto é que, da primeira para a segunda eleição, Cavaco Silva perdeu meio milhão de votos e, dêem-se todas as justificações lógicas que se derem, meio milhão de votos é uma grande facada no 'cavaquistão': o suficiente para lembrar que só um em cada quatro portugueses escolheu pessoalmente este Presidente. Segundo, Passos Coelho sabe que, por mais contas a ajustar que tenham com José Sócrates, os portugueses não trocarão Sócrates por Passos Coelho, Teixeira dos Santos por Catroga ou Silva Pereira por Miguel Relvas apenas para ajustarem contas. Na hora do aperto que vivemos, só o farão depois de verem outros nomes e nova equipa pronta a avançar e que dê garantias de fazer melhor, e, sobretudo, depois de verem que propostas e políticas alternativas são essas que nos tirarão do sufoco financeiro do Estado e reporão tudo o que Sócrates tirou a cada um, nos salários, nas prestações sociais, no aumento de impostos. E, terceiro, Passos Coelho já deve ter percebido que não basta uma nova maioria e uma nova orientação política e económica para fazer desaparecer, como que por magia, a tempestade em que estamos metidos e que em muito ultrapassa a nossa capacidade de resolvermos sozinhos o problema. Não há varinha mágica e os portugueses já o entenderam. A única vantagem do aperto é a consciência, que finalmente vai abrindo caminho, de que as coisas são como são: fizemos a festa e agora temos de pagar a conta e aprender a mudar de vida. Com este ou com qualquer outro governo, faça sol, chuva ou nevoeiro.

Passos Coelho não avançará, pois, por pressão de Cavaco ou de Paulo Portas. Só avançará quando e se Sócrates implodir ou desistir ou se estiver seguro de que disporá do apoio popular, dos meios e de uma estratégia para fazer melhor. Não se mexerá por empurrão, nem do próprio PSD. E se Cavaco lhe quiser dar um presente envenenado e não desejado, pode ser que haja uma surpresa.

Assim, e como o próprio Passos Coelho diz, o desfecho próximo está nas mãos do Governo. Navegando à vista, Sócrates terá, obviamente, de se deixar de disparates mirabolantes, como aeroportos, TGV ou mais PPP. A evolução da execução orçamental, dos juros da dívida, da situação económica, do desemprego e do clima social, serão escrutinados ao mês e à semana. Mas se pelo menos uma das sete vidas de José Sócrates ainda estiver activa, se não cometer mais asneiras e se parar com aquele optimismo militante que irrita tanta gente, pode ser que siga flutuando, até sabe-se lá onde.

Mas, se isso acontecer, se for acontecendo, resta outro factor de imprevisibilidade: o que fará Cavaco Silva. Se não encontrar, nem no respaldo das sondagens ou da rua nem na vontade das oposições um clima propício à consumação dos seus desejos não ocultos, virar-se-á então para a tal "magistratura actuante"? E se esta for, como se indicia, apenas uma promessa de ir infernizando a vida do Governo de Sócrates, será que isso pagará dividendos a favor do Presidente e contra o PM?

Tudo ponderado, este é, por ora, o cenário mais provável: Sócrates vai-se aguentando, Cavaco vai-lhe fazendo toda a obstrução que puder, Portas vai-se impacientando e Passos Coelho vai-se resguardando de guerrilhas alheias e esperando o tempo certo, seja ele quando for.

Nota: Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

Texto publicado na edição do Expresso de 29 de janeiro de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

EM LUANDA


Diz o ditado popular que, "quem corre por gosto, não cansa", mas eu atrevo-me a dizer que nem sempre é assim.
Depois de um intenso período de viagens, não só estou cansado, como as minhas hérnias começaram a dar sinais, evidentes, de que as viagens não matam, mas moem. E eu gosto de viajar, mesmo quando o faço por obrigação.
E porque falo de viagens, devo dizer que esperava mais da minha recente visita a Angola.
Há cerca de 4 anos que não visitava Luanda, e devo dizer que, o progresso conseguido, ao longo deste período, ficou aquém das minhas expectativas.
Claro que o aeroporto não parece o mesmo, a organização do CAN a isso obrigou, que a marginal, ao longo da baía, a caminho da ilha, melhorou bastante com as obras, que continuam, como se vê na foto, que existem vários edifícios, lojas e restaurantes, novos, mas fiquei com a sensação de que não se progrediu muito mais...
O estado das ruas, em geral, é praticamente o mesmo, ou seja, péssimo, o problema dos esgotos está muito longe de ser resolvido, e o trânsito continua caótico.
Luanda era, e continua a ser, uma cidade caríssima, as pessoas parecem viver com mais dificuldades, e verifiquei um menor optimismo, relativamente ao futuro, em comparação com a minha última visita, a avaliar pelas conversas que tive com alguns empresários.
Fiquei, também, com a sensação de que muitos trabalhadores portugueses estão a viver uma enorme decepção, ao verificarem que a realidade com que se confrontam está muito distante do sonho que os fez emigrar...
Mas, enfim, assim é a vida, e gostei de voltar a Luanda, de poder voltar a observar a evolução do país, e de ter a oportunidade de rever alguns amigos, a quem quero agradecer a forma como me receberam.

quinta-feira, 17 de março de 2011

CONVERSA DA TRETA...


Para que não haja equívocos, desde já declaro que não percebo nada de política internacional.
Limito-me a conhecer, apenas, o regime político em vigor na maior parte dos países, as principais alianças entre eles, e algumas das personalidades mais relevantes, enfim, digamos que sei o suficiente para manter uma conversa de café.
Também não percebo nada de estratégias militares, e mal conheço a influências dos homens fardados na definição da política internacional dos vários governos, mas sei que a indústria da guerra é uma das maiores do mundo, e que os produtores de armamento não produzem o material para ficar armazenado...
Digamos, portanto, que o meu conhecimento está quase ao nível do de muitos dos comentadores que vemos por aí...
E não ignoro, naturalmente, que a política internacional dos países se rege, primeiramente, pela defesa dos seus interesses económicos, o que não é de estranhar, num mundo em que ninguém dá nada a ninguém, e que a defesa dos grandes princípios, que nortearam a revolução francesa, está em segundo plano, mesmo para as principais democracias do mundo.
Vem esta introdução a propósito do que se está a passar na Líbia e no Bahrein, onde as rebeliões, aparentemente em defesa da democracia, estão a ser esmagadas, perante a incapacidade dos EUA, e da União Europeia, em assumirem uma posição clara, para além da simples retórica, e das ameaças.
Na Líbia, Gaddaffi, que já passou de bandido a aliado, e agora está a meio caminho, continua a esmagar os adversários, e apresta-se para retomar o controlo da integralidade do território, frustrando a esperança dos que sonhavam com a instalação de um regime democrático, e o fim dos 42 anos de poder, do ditador.
No Bahrein, um pequeno estado independente, que passou de emirado a monarquia, em 1973, a Arábia Saudita envia tropas para ajudar a combater os rebeldes, suportada pelo Conselho de Cooperação do Golfo, também ele composto por países sob o domínio de monarcas e emires.
Claro que a necessidade de manter aliados, em áreas extremamente instáveis do globo, eventualmente vulneráveis à influência do fundamentalismo islâmico, exige cuidados particulares, por parte das democracias ocidentais, mas não é aceitável que se hipotequem os princípios, em nome desses interesses.
Na verdade, a solidariedade das nossas democracias, para com aqueles que pretendem livrar-de de regimes que elas condenam, não passa de conversa da treta.
Digo eu, que não percebo nada de política...

quarta-feira, 16 de março de 2011

COISAS E LOISAS


Após um período de viagens, que motivou uma ausência forçada, tudo volta ao normal, com o regresso a casa.
Foi um período interessante, e agitado, com muitos acontecimentos a merecerem uma referência especial.
Assim sendo, este é um "post" um pouco atípico, que consiste em pequenas referências, e comentários, a alguns desses acontecimentos, sem preocupações de ordem cronológica.
- A tragédia no Japão, cujo povo merece toda a nossa solidariedade, demonstrando, uma vez mais, que se trata de um povo exemplar, marca a actualidade. Espero que seja possível evitar uma tragédia nuclear. O nobre povo japonês merece uma trégua.
- Cavaco Silva tomou posse, para um segundo mandato como Presidente da República Portuguesa.
Num discurso, claramente, contra o Governo, Cavaco voltou a demonstrar que cumpre, muito melhor, a função para que foi eleito quando está...calado. A um Chefe de Estado exige-se um comportamento de estadista...
- Sócrates foi à Alemanha, com mais medidas no bolso, para reduzir a despesa pública, empenhado em evitar o recurso a uma intervenção externa, na economia portuguesa. Caiu o Carmo e a Trindade, mas, goste-se, ou não, o homem é determinado, e o país precisa de dirigentes assim, para ultrapassar a crise actual...
- O cenário de eleições antecipadas, em Portugal, parece cada vez mais provável, com os dirigentes das principais forças políticas, e o presidente da república, mais preocupados em provocar uma crise política do que em contribuir para evitar uma intervenção externa.
- A manifestação da "geração à rasca", que contou com o apelo de Cavaco à mobilização, veio demonstrar que, afinal, essa coisa, de estar "à rasca", não escolhe gerações...
- Passos Coelho, líder do PSD, veio dizer-nos que o teatro acabou.
Interessante, esta posição do líder do principal partido da oposição, lamentando-se, apenas, que não nos tenha dito qual tem sido o seu papel na peça. Inocente, ou vilão? Os próximos actos deverão ajudar a esclarecer...
- Em mais uma "brilhante" intervenção, o Presidente da República pediu aos jovens para se empenharem em "missões e causas essenciais ao futuro do país” com a mesma coragem e determinação com que o fizeram os militares que participaram na guerra em África. Estaria a mesmo a referir-se aos jovens daquela época, ou a expressar os seus sentimentos, quando na juventude?...
- Na Líbia, Muammar al-Gaddafi, depois de ser dado como fugitivo, recupera, aos poucos, o controlo do país, desfazendo o lindo sonho dos rebeldes, e confirmando, uma vez mais, que não há revoluções sem o apoio dos militares.
- No futebol luso, continua a pouca vergonha, e a adequação dos estatutos da federação portuguesa de futebol ás exigências da legislação nacional permanece por fazer. Resta saber até onde chegará a ousadia dos "homens da bola"...
- O meu Benfica confirmou, entretanto, aquilo que muitos já anteviam, ou seja, a perda de pontos nas primeiras cinco jornadas do campeonato revelou-se fatal, inviabilizando a discussão pelo título. Isto sem retirar mérito, naturalmente, à excelente campanha do Porto. É caso para se dizer que, nunca oito milhões de euros tinham contribuído para causar tanto prejuízo...
- No Sporting, a proximidade do acto eleitoral está a fazer quebrar o verniz entre alguma facções, com a utilização de linguagem plebeia, pouco habitual entre os dirigentes leoninos. A equipa de futebol, essa, continua a demonstrar, nos relvados, a sua falta de classe.
E assim vai o meu país, e o mundo...